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Punho de Ferro: 2ª Temporada - CRÍTICA

Melhorou? Sim, mas...


O Imortal Punho de Ferro infelizmente não emplacou o sucesso esperado no primeiro ano de sua série! Isso certamente não passou na mente dos produtores, roteiristas e diretores, principalmente, não deve nem ter sido cogitado pela alta cúpula da Netflix e Marvel. Já que Jessica Jones, Luke Cage tiveram audiência satisfatória, e o Demolidor, considerado a melhor, até o momento, produção da Casa das Ideias em parceria com a locadora vermelha, estava a caminho da sua terceira temporada. Após duras críticas, mudança de showrunner e de coreógrafos para as sequências de ação, o que se prometia era uma melhoria na história de Danny Rand. Aconteceu? Sim! Com resquícios dos erros já conhecidos.

Danny Rand, morando agora em definitivo em Chinatown, junto com Colleen, passa as noites combatendo o crime, principalmente enfrentando as gangues que formam a Tríade. Mas o retorno de uma figura de seu passado poderá colocar em risco não apenas a tentativa do Punho de Ferro em restaurar a ordem em Nova York, comprometerá também o seu título como defensor de K'un-Lun e a vida de quem está a sua volta.

Dirigido por David Dobkin, Rachel Talalay, Toa Fraser, MJ Bassett, Mairzee Almas, Philip John, Stephen Surjik, Julian Holmes, Sanford Bookstaver, Jonas Pate, o segundo ano de Punho de Ferro apresenta um profissionalismo que até então estava aquém na temporada passada. Não apenas nas movimentações da ação, mas a forma como a história é contada ganhou um tom mais investigativo e ágil. O que pode ser atribuído ao fato que desta vez acompanhamos dez episódios, uma mudança totalmente aceitável e bem vinda para as demais produções também. Fica de lado aquela referência luminosa de sempre jogar um tom amarelado para lembrarmos de quem estamos acompanhando, entra um trabalho de fotografia mais acinzentado, que aproveita, com a luz, bem os espaços, ambientações e locais com temática oriental. A câmera desta vez deixa de ser estática, acompanhando tudo o que ocorre, ajudando e muito quando entra em cena um combate.
As lutas, tão criticadas e amadoras na primeira temporada, demonstram desde o episódio inicial que o amadorismo ficou de lado. Os golpes são executados de forma críveis, assim como saltos, quedas, toda coreografia enaltece ainda mais a temática das artes marciais e honra o título oriundo dos quadrinhos para o protagonista.

Entretanto, se existe algo que se tornou uma pedra no sapato da Marvel no serviço de Streaming é a da tal narrativa. Novamente, o excesso de personagens (Mas Mary Tyfoid é um ótimo acréscimo), arcos demasiados, mistérios que são explorados no início porém retomados só no fim, o medo de não abraçar o misticismo (Novamente uma alusão ao dragão usando lâmpadas vermelhas), diálogos que nada acrescentam, cortes para encontros que não vão nos levar a lugar algum, acontecem, acontecem e acontecem. Chegando ao ponto do vilão fugir duas vezes do mesmo plano arquitetado pelos mocinhos. E todas as vezes em circunstâncias iguais.
O roteiro, por mais que se esforce em demonstrar a importância de alguns coadjuvantes, não sustenta ou abre precedente para que novas camadas sejam exploradas, até porque alguns traumas, problemas e questões se resolvem rapidamente.
É preciso ressaltar que há uma mudança drástica na metade da temporada, onde Danny se torna praticamente um personagem secundário de sua própria história, o que faz todo sentido quando nos aproximamos dos episódios finais, gerando até mesmo um desejo para que a terceira temporada volte o foco justamente para essa inusitada mudança.

A segunda temporada de Punho de Ferro consegue fazer o que prometeu, melhorar a história, até certo ponto. Infelizmente, o roteiro, que pesa a mão no excesso de momentos dialogados, costurando subtramas, deixa de lado o que realmente quer ser visto do personagem principal, ele em ação e acaba não executando o trabalho devido quando falamos de um Mestre das Artes Marciais. Ainda assim, nos apresenta um nível mais alto nas coreografias, sequências de ação e combate.
Se hoje a Marvel possui uma fórmula para o cinema, as séries na Netflix já estipularam as suas, contudo sem o mesmo aspecto particular, inovador e com características próprias, fazendo com que bons personagens dos quadrinhos acabem por ficar dependentes de um senso de realismo exacerbado, que compromete não apenas a evolução do mesmo, mas termina por diminuir a relevância de sua história, tornando-a tão descartável que outra persona pode assumir o "manto", sem ao menos o espectador sentir aquela saudade do anterior.
Se o que é imortal não morre no final, desta vez, mudou!
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