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O Predador - CRÍTICA

Aquele filme que ninguém pediu, se importa ou vai querer uma continuação


O Predador é uma das figuras alienígenas mais icônicas do cinema. Desde sua primeira aparição na década de oitenta, todo o universo em torno dos caçadores vindo de outro lugar no espaço sempre rendeu histórias interessantes. Suas características físicas e de combate sempre deixaram o público espantando com tamanha crueldade. Entretanto, assim como diversas outras franquias, as continuações, reinícios, apresentações para uma nova geração, se tornam quase inevitáveis, e talvez este seja o grande problema do filme, estreou no século e década errados.

Quinn McKenna é um soldado que acaba de perder seu pelotão ao entrar em confronto com uma figura que parece ter vindo de uma nave espacial. Ao perceber que se trata de um alienígena, ele pega alguns equipamentos do mesmo e o envia para sua casa, antes que o governo o pegue. Neste meio tempo, uma bióloga é chamada para avaliar o DNA de um ser extraterrestre, porém, algo de errado, tanto ela, quanto McKenna tem seus caminhos cruzados, em compasso aos do Predador, que irá caçar sua tecnologia roubada e matar quem estiver pelo caminho.

Shane Black, que fez parte do primeiro filme da franquia, é quem dirige esta continuação com toques de recomeço. O diretor conhece o universo e o contexto que sua nova história deverá percorrer. Utilizando puntualmente bem dos aspectos técnicos, principalmente no que diz respeito as criaturas. Novamente as próteses para maquiagem fazem do Predador uma figura de aparência asquerosa e estranha. Ao mesmo tempo, o design de produção evoca diversos elementos oitentistas, com luzes, esquipamentos, plataformas, é toda uma ode imagética na construção das ambientações à década que consagrou o monstro caçador de humanos.


Esta mesma direção que pretende realizar um trabalho que referencie o clássico, acaba por tornar toda película um verdadeiro desserviço aos filmes anteriores. 
A edição é mal empregada, com cortes realizados em momentos que deixam tudo desconexo. A câmera não para de se movimentar, tirando a concentração do espectador em vários momentos, a fotografia não sabe ao certo o que trazer a luz, tornando ambientes claros demais e outros tão escuros que não se entende quem é quem. 
Neste mesmo viés, a narrativa se apoia em facilitações, esteriótipos e piadas com tom sexista e preconceituoso.
O fato de uma bióloga ser praticamente a Viúva Negra dos cientistas não é explicado, as reais motivações dos Predadores não ficam claras, personagens somem durante a trama enquanto outros repetem incansavelmente as mesmas piadas, o porquê das caçadas acontecerem recebe uma resposta que ninguém pediu e ao final é apresentado um recurso que soa mais como uma ofensa ao que o primeiro e segundo filme fizeram, do que um gancho propriamente dito.

É nítido que este filme respira e vive anos oitenta, mas estamos em 2018!
Por mais que os fãs mais fervorosos queiram, esta é uma produção que não funciona em uma década onde é preciso dialogar com o público, sem precisar tratá-los como idiotas, porém é preciso criar uma relação de empatia, tarefa que nenhum de seus personagens consegue sequer chegar perto.

O Predador é uma produção realizada em época errada.
Com uma direção amadora, desleixada, que comete erros de principiantes com um orçamento relativamente alto, não consegue sequer divertir em suas inúmeras sequências de tiroteio discrepantes e aceleradas. Ao mesmo tempo a trama não estabelece conexão alguma com o público, apresentando novos elementos do universo da criatura que dá título a franquia, mas que na verdade ninguém havia pedido ou questionado.
No fim das contas, a película soa como um fan film de alguém que fez parte do projeto original e que ainda tem muito carinho pelo mesmo, só que ao realizar a sua versão não detém a mesma capacidade de causar os sentimentos do clássico, nem com suas tentativas de referência frustadas!
Faltou um Arnold gritando: "Get to the choppa"!

Nota: 1/5 (Que final Homem de Ferro do Paraguai foi aquele?)
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