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O Mistério do Relógio na Parede - CRÍTICA

Castelo Rá-Tim-Bum com um toque de Gaiman e Lovecraft


Adaptações de universos mágicos da literatura, nos últimos anos, ganharam força e presença quase que constante nas sessões de cinema. De bruxos a semideuses, as histórias foram contadas de diferentes formas, para diferentes públicos e ainda assim, sempre há espaço para que mais alguém queira pegar uma parte desse sucesso que foi encabeçado por Harry Potter. Mas desta vez, a narrativa em questão vem antes do bruxinho mais famoso do mundo sequer pensar em lançar feitiços, e talvez a demora em transpor essas aventuras para outra mídia possa ter prejudicado um pouco o que poderia ser uma nova e lucrativa franquia. E também a escolha de quem iria dirigir.

Lewis, tem apenas 10 anos e muitos receios. Ao perder os pais, o pequeno rapaz vai morar em Michigan com o tio Jonathan Barnavelt, o qual nunca teve contato. Mas ao chegar na nova residência, ele percebe que há algo de misterioso e estranho no lugar, assim, conhecendo também a elegante Sra. Zimmerman, Lewis irá adentrar um universo repleto de magia e de um perigo que jamais havia imaginado envolvendo o tique-taque de um relógio.

Eli Roth, que até faz uma pequena participação, é quem dirige a adaptação do livro escrito por John Bellairs em 1973. Com um toque de terror, mas sem a personalidade suficiente para criar uma aventura. 
O comando do filme trabalha muito bem a residência mágica, a tornando um personagem importante para o desenvolvimento da trama com o protagonista. Fazendo bom uso do design de produção, com adereços, móveis, quadros que enaltecem o clima de mistério, e com uma fotografia que consegue dar a sensação grandiosidade através do bom uso de cores, luz e sombra, o diretor apresenta bons momentos ação relacionados a uma leve camada de suspense. Há certos momentos onde o jump scare é empregado para fazer o espectador, principalmente mais jovem, saltar da cadeira, ou ficar amedrontado com algumas figuras em forma de bonecos que são outro acerto da direção de arte.
Nisso, a produção consegue evocar aqueles filmes da década de oitenta e noventa, onde o principal motivador era gerar uma aventura descompromissada, cuja a meta era derrotar um vilão, provar o valor do protagonista como herói e vencer os próprios medos.

Mas é nessa falta de compromisso que O Mistério do Relógio na Parede acaba perdendo força e principalmente o aspecto fantástico de sua história. 
Isso se dá com uma edição que faz cortes de forma grosseira, tentando conectar cenas que estão totalmente distantes em aspecto de ritmo, além de algumas pesarem a mão no quesito terror o que contesta totalmente a escolha para a direção. Junte isso aos efeitos visuais mal empregados, facilitações no roteiro que farão com qualquer um torcer o nariz e a falta de profundidade ao universo que estamos conhecendo. Um dos grandes pontos de toda e qualquer jornada do herói que ele venha a se descobrir dentro de uma aventura mágica é o seu deslumbre, há sempre um fascínio pelo que se está encontrando, e isso não está presente em Lewis!

Falando nos personagens, os grandes nomes que estão na produção entregam uma interação divertida e convincente. Jack Black encarna o tio misterioso e excêntrico assim como qualquer outros de seus papéis, mas há um senso de divertimento que facilita a empatia desta vez. Por isso, seus momentos ao lado de Cate Blanchett, que consegue fazer de qualquer momento seu no cinema um espetáculo carregado de emoção, são totalmente críveis e bem humorados.
Já Owen Vaccaro, quando adentra os momentos de aventura de trama transpõem em tela todo um talento, mas nos momentos onde é preciso demonstrar emoções, como chorar, a canastrice toma conta em nível esquisito para um ator mirim.

O Mistério do Relógio na Parede é como se Os Livros da Magia de Neil Gaiman e as loucuras de Lovecraft tivessem colidido com o sensacional Castelo Rá-Tim-Bum. 
Há toda uma preocupação aqui em se entregar uma aventura, mas devido a direção que tenta em alguns momentos pesar a mão no suspense ou terror, o que temos é uma narrativa entroncada, repleta de desconexões nos encadeamentos da história e com um protagonista que ainda precisa melhorar muito o seu nível de dramatização.
Obviamente uma adaptação literária requer novos rumos, mudanças e alterações quando estamos trabalhando com uma nova mídia, mas neste sentido, faltam elementos cruciais para fazer desta película algo tão emblemático como tantos outros universos mágicos que já adentraram a sétima arte. Se a ideia aqui era começar uma nova franquia, talvez faltou a mão de quem realmente entende do que é encantar o público com coisas fantásticas. Realmente, nem todos são Gaiman, Spielberg ou Columbus.

Nota: 3/5 (Bom)
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