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Buscando - CRÍTICA

Uma das grandes surpresas do cinema em 2018 com diversos questionamentos e mistério


A tecnologia sempre foi representada de formas diferentes dentro da cultura pop.
Desde aquelas que auxiliam o ser humano e sua busca por mais conhecimento, até as que se tornam destrutivas o suficiente para causar um certo medo daquilo se tornar realidade. 
Entre BlackMirror, Eletric Dreams, 1984, e tantas outras obras importantes, surge este longa que demonstra não apenas o pensamento atual a cerca das formas de comunicação, relacionamentos, opiniões, redes sociais, mas enaltece o bom e velho suspense com direito a reviravoltas.

David Kim é um pai atencioso, tentando se fazer presente na vida da filha adolescente Margot. Um dia, após um grupo de estudos a jovem não retorna pra casa, e após várias tentativas de contato, David começa a estranhar a demora da filha em ligar ou enviar mensagens. Logo fica claro que a moça desapareceu, fazendo com que uma investigação comece, mas principalmente levando o pai a uma série de descobertas sobre quem sua filha realmente é.

Aneesh Chaganty é quem dirige o longa, e também assina o roteiro, fazendo com que esse derivado dos found footage realmente demonstre um novo fôlego para o gênero. 
A câmera na mão desta vez está interligada aos diferentes dispositivos usados pelos personagens, pois nossa percepção e a forma como acompanhamos a história sempre virá de uma câmera de celular, notebook ou até mesmo câmeras de segurança da cidade. Fazendo com excelência o que o fraco Amizade Desfeita não conseguiu, este suspense demonstra toda a capacidade de se criar uma história onde a tecnologia e seus enlaces sejam o combustível que conduz todo mistério e suspense.
O diretor utiliza bem as imagens, com os recursos necessários para que venhamos acreditar que aquelas são transmissões de aparelhos conectados a internet, isso tudo com a ajuda de uma fotografia que nos ambienta até mesmo quando a tela do cinema se torna uma página de Facebook, Youtube ou Instagram. A cena inicial onde entendemos o que a família vivenciou para chegar até aquele momento nos remete ao excepcional "Up - Altas Aventuras", onde simplesmente as imagens nos contam a história, sem a necessidade de uma narração. Neste caso, tudo fica claro quando a seta mouse deleta um compromisso importante.

E assim, as redes sociais não são um mero recurso ou uma propaganda imposta para fazer com que tal rede social receba maior destaque quando as pessoas estiverem assistindo ao longa. Cada conexão, cada acesso durante a investigação e a procura por pistas do paradeiro de Margot estão presentes em páginas, fotos, vídeos, históricos. Tudo é plausivelmente bem arquitetado com o intuito de prender o espectador a cada nova descoberta que o protagonista realiza em uma página, site ou comentário de outra pessoa. 
Nisso a produção consegue realizar um diálogo interessante com a atual necessidade de publicações, curtidas e compartilhamentos que é vista na internet. Da mesma forma que vemos um pai que se apegou a tecnologia para se aproximar da filha adolescente, o distanciamento ocorre justamente por utilizar mais as ferramentas digitais do que uma simples conversa sobre quem são os amigos com quem ela gosta de conversar ou estudar.
Há também uma construção exímia de suspense e mistério que há muito tempo não se via no cinema.
As pistas não estão colocadas de forma clara ou nítida, muito menos somos entregues a uma sucessão de clichês. De uma maneira muito sútil e despercebida as peças do quebra-cabeça do que aconteceu com Margot vão se desvendando em tela, ou melhor, as janelas vão sendo abertas.


Isso se dá pelo excelente trabalho do protagonista, interpretado por John Cho. Aqui é nítido o desgaste e preocupação a medida que os dias passam e as investigações acabam levando ao resultado que um pai jamais iria querer. A expressão no rosto do ator e até a forma como ele segura o celular fazem com que o misto de emoções aconteça em tela, de diferentes jeitos e cenas. Ao mesmo tempo que Debra Messing, é o seu contraponto, dando vida a uma investigadora que precisa auxiliar o pai desesperado em todos os momentos, não só com as informações, e quando a dupla precisa entrar em conflito, temos ótimos momentos de interação.

Buscando é um dos melhores filmes de 2018!
Enaltecendo o mistério e o suspense, com reviravoltas que irão deixar o espectador atônito, discursando sobre a necessidade dos relacionamentos acontecerem de forma mais real do que virtual, a produção se torna uma surpresa estarrecedora no cinema.
Se o público não estava mais gostando do gênero câmera na mão, esta película mostra que quando o trabalho é realizado de uma maneira aceitável, onde cada elemento narrativo dialoga com a proposta inicial e os recursos são usados para fazer com que a trama se desenvolva a um clímax inesperado, um gênero pode então ganhar um fôlego de qualidade. Isso tudo, com um protagonista que consegue capturar toda a torcida que merece.
Se a tecnologia facilita muito a nossa vida atualmente, podemos agradecer pela oportunidade de cada clique nos levar a realizar diferentes tarefas, porém, ao mesmo tempo demonstra o quão assustador é quando o digital não consegue completar o que somente o real pode fazer. 
E isso, nem Black Mirror conseguiu demonstrar em suas histórias!

Nota: 5/5 (FOD# PR* CAR#LH@)
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