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Slender Man: Pesadelo sem Rosto - CRÍTICA

E no desfecho havia uma lição de moral estilo He-Man

Utilizar lendas urbanas para criar histórias cinematográficas é algo quase que comum em Hollywood. Por mais que os fatos não sejam totalmente verdadeiros, qualquer narrativa passada de pessoa para pessoa pode se tornar algo lucrativo para os produtores. Vejamos A Bruxa de Blair, o filme, até então com "imagens reais", levou milhões de espectadores ao cinema, ganhou duas sequências e abriu caminho para uma leva de produções com "câmera na mão"! O grande problema desta vez é usar essas tais lendas urbanas, oriunda da internet, para algo que além de conter erros de execução, não sabe trabalhar o principal elemento proposto, o terror.

Quatro amigas decidem em uma noite fazer um ritual, encontrado em um site, para invocar o tal Slender Man, uma criatura que vive nas sombras, tem braços e pernas compridas além de não conter rosto. Após o ato realizado, uma delas desaparece em circunstâncias misteriosas, tudo levando a crer que a entidade a levou, assim uma série de acontecimentos estranhos começam e as jovens que ainda restam precisam descobrir o que tanto o Slender Man quer de cada uma.

A direção de Sylvain White é sem inspiração, amadora e sem talento para trabalhar o gênero de terror. Quando a película começa, estranhamente se percebe que há uma tentativa de criar uma estética até interessante, com uma percepção em primeira pessoa, câmera que se movimenta acompanhando os atores, uma fotografia que auxilia nas ambientações externas através de uma boa luminosidade. Logo que adentramos a trama, todos esses "acertos" no comando da produção, simplesmente são esquecidos. O espectador agora fica acompanhando uma câmera estática, cortes abruptos, uma fotografia que opta por deixar cada local escuro (O que atrapalha a percepção, confundindo e incomodando), transições com cenas totalmente desconexas das anteriores e que nada irão acrescentar a história. O que mais fica nítido da falta de cuidado com o que se está fazendo, é que sempre em segundo plano surge uma névoa, uma sombra, como se a criatura estivesse a espreita, mas vejam só, é apenas um recurso mal aplicado pois nada aparece lá. E isso poderia ter sido um trunfo narrativo interessante, como o realizado em It Follows (A corrente do Mal, no Brasil).

Falando em narrativa, nada ali é construído de uma forma que irá conduzir as personagens em algo plausível, muito menos explorar o que a lenda do Slender Man se tornou na web. Todas as informações são jogadas de qualquer forma, sempre com aqueles mesmos recursos de outras produções: pesquisas obvias na internet, biblioteca que surpreendentemente tem todas as informações sobre ocultismo, um outro personagem que vivenciou o mesmo perigo e que sabe muito. Porém nada disso funciona pois não fica claro qual caminho o roteirista decidiu seguir com a história. Ora a trama vai para um viés de Slasher film (filme com assassinos em série), ora os acontecimentos abraçam o paranormal e sobrenatural para então fazer da entidade algo mais aterrador. Entretanto, devido ao péssimo emprego do CGI, nem mesmo o famoso monstro descrito em fóruns online consegue se tornar emblemático nessa sua primeira aparição no cinema.

Além disso, junte cada um desses elementos mal executados com atuações caricatas, apáticas, personagens que simplesmente somem da trama, inúmeras cenas que estão no trailer que não aparecem na edição final e uma explicação que mais parece uma lição de moral retirada de conto de fadas para que os jovens não façam esse tipo de coisa quando estiverem na internet. E mesmo com os créditos finais que tenta mesclar depoimentos "reais" com outras montagens, nada aqui é convincente.

Slender Man: Pesadelo Sem rosto é medíocre, sem qualquer inspiração ou talento para entregar uma lenda em formato de longa-mentragem. 
Com atuações que mais atrapalham do que conduzem a narrativa, uma fotografia que confunde o espectador e um CGI pior do que os dos jogos que a criatura protagonizou, a produção é praticamente um insulto aos demais filmes do gênero do terror. E se na tentativa de se criar uma franquia baseada em algo que surgiu a partir de um conto que passou de pessoa para pessoa, era melhor ter ficado apenas com a fábula em si, porque aquela sim dá medo, ou menos gera aquela mórbida curiosidade.

Nota: 1/5 (Espero que não façam continuação)
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