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Para Todos Os Garotos que Já Amei - CRÍTICA

"-Você se acha especial, e aí descobre que dois caras receberam cartas.
 -Foram cinco cartas!"

Produções com histórias de adolescentes e seus conflitos com a vida sempre chegam trazendo um contexto que não se aplica à todos, principalmente os com temática norte-americana. Entretanto, como tudo nessa vida muda, nada mais justo que dialogar com essa nova geração de maneira diferente. "Com amor, Simon" foi sensível e brilhante ao falar das questões de descobertas pessoais e agora temos uma forma de corresponder, ou escrever para quem se gosta e em tempos de mensagens rápidas e avisos de leitura, vamos além de um simples "drama adolescente".

Lara Jean é uma adolescente do terceiro ano do ensino médio, como uma pessoa comum vive sem muitas coisas incríveis no seu dia a dia. Entretanto, ela já se apaixonou algumas vezes, e para cada uma dessas paixões escreveu uma carta sobre o que sentia, mas nunca as enviou. Até que os destinatários começam a receber os escritos de Lara e as coisas começam ficar complicadas.

Susan Johnson faz o que poucas pessoas ainda conseguem, usar uma narrativa aparentemente piegas juvenil para dar um tom interessante a história. Que por muitas vezes evoca o que John Hughes realizou na década de oitenta, tanto que Gatinhas e Gatões é referenciado. A direção usa planos simples, focando nas expressões e no comportamento da protagonista em conflito, outrora faz planos abertos, onde os diálogos ganham uma estética interessante e moderna. Ao mesmo tempo, os recursos imagéticos que contam com "diálogos dos pensamentos" de Lara e as mensagens que surgem na tela, fazem com que a imersão na história seja facilitada, e a identificação com a personagem conquiste o espectador. E quando a trama começa a permear um caminho enfadonho, há mudanças até significativas que não deixam simplesmente ser mais uma narrativa romântica superficial.

Entretanto, por mais que exista originalidade ao contar os fatos, a direção não ousa nos planos ou movimentações, tão pouco se empenha em manter o mesmo ritmo que dá início a produção. Alguns momentos mais parecem episódicos do que um longa metragem. Além de situações e personagens que não conseguem acompanhar o senso inédito que se tenta empregar em certos elementos, entrando numa atmosfera repleta de clichês. Isso fica nítido quando um discurso, que poderia se tornar algo maior, novo e significativo, durante um diálogo conflituoso, perder força se tornando mais do mesmo.

Mas o elenco consegue ir além dos pequenos momentos de deslize.
Lana Condor demonstra toda sua capacidade de atuação, indo da comédia ao drama, das dúvidas as certezas com brilhantismo. A protagonista conduz a história a sua volta, se destaca em todas as cenas e faz o seu papel de um jeito cativante e de fácil identificação.
Noah Centineo, que divide boa parte da trama com protagonista, consegue desmistificar e até mesmo criar camadas para um personagem que abraça diversos esteriótipos de outras histórias já conhecidas, o que rende bons momentos cômicos e sérios.
Os demais, pontuais, fazem o devido papel, de deixar que a personagem principal conte sua história e apenas façam o trabalho de ajudar nisso.

Para Todos os Garotos que Já Amei é uma boa história, executada de uma maneira assertiva que tenta inovar em alguns momentos, mas que não consegue se livrar dos clichês convencionais que este tipo de história está condicionada. Apesar disso, a protagonista carrega a narrativa nas costas, fazendo com que a cada momento novo para Lara Jean, também seja algo novo para o espectador (ou para que se lembre de algo da adolescência). Entre referências à O Clube da Luta e uma premissa criativa, é demonstrado que ainda se faz possível contar histórias onde os adolescentes vivenciam algo a mais do que um simples drama.
Então, para uma geração que mantém os "crushes" distantes, enviar cartas talvez seja uma boa solução para demonstrar de quem se gosta, ou pelo menos renderá um momento interessante na vida.

Nota: 3,5/5 (Muito Bom)
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