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Megatubarão - CRÍTICA

Hollywood precisa aprender que Jason Statham não é carismático



Tubarões sempre emergem, literalmente em alguns momentos, no cinema como vilões implacáveis, ameaçadores e assassinos sanguinários. Desde o clássico de Spielberg aos mais bizarros produzidos pelo canal Syfy, os animais marinhos volta e meia estão em algum longa metragem para colocar pessoas em risco, assustar banhistas e causar o trauma de entrar na água em qualquer um. 
Desta vez, a proporção que o peixe carrega deveria servir para causar um pavor sem igual, mas na tentativa de se levar a sério a produção apenas consegue causar um único desejo, que a sessão logo acabe.

Um grupo de pesquisas em uma plataforma nos mares das Filipinas está prestes a fazer uma descoberta no ponto mais profundo do oceano. Entretanto os exploradores que foram até as profundezas marinhas investigar, encontraram algo a mais: um megalodonte. Após serem resgatados, o tubarão gigantesco agora está a solta e se não for detido, poderá causar inúmeras mortes por onde passar.

Jon Turteltaub dirige o longa e em alguns momentos até consegue um acerto ou outro.
A câmera brinca em mostrar os pontos de vista quando o perigo se aproxima, o que rende uma ótima cena dentro da água com a aproximação do tubarão e outra dentro de uma gaiola, ao mesmo tempo que é ágil nas sequências de ação que ocorrem no mar. A direção explora bem os efeitos visuais, empregados com assertividade, além de contar com um bom trabalho de fotografia quando tudo está submerso. 


Ao mesmo tempo não há construção alguma de personagens ou tentativa de elaborar algo que realmente valha os quase 120 minutos de película. 
Quando o filme não se leva a sério, entende que está lidando com o absurdo e o bizarro, acontecem bons momentos em tela. Porém, quando o roteiro exige certa necessidade de causar conflitos emocionais e familiares, ser explicativo e científico, até mesmo quando alguém ganha a alcunha de vilão nos minutos finais, nada é empregado com qualidade, soando como se alguns desses blocos tivessem sido gravados depois da agenda principal de filmagens.
Logicamente, tais produções não são exímias quando assunto são as narrativas, ou construções de personagens, fazendo com que o expectador ligue a tão conhecida "suspensão de descrença" e isso pode até fazer com que a caçada do megalodonte se torne divertida. Entretanto, a diversão pelo simples senso de diversão, sem ao menos trilhar um caminho onde ao menos transpareça um certo esforço de fazer tudo aquilo parecer interessante, é inútil. Tanto quanto as piadas que não funcionam, o romance desconexo com a trama, personagens enigmáticos, personagens estereotipados e descartáveis.

Megatubarão jamais será o Tubarão de uma nova geração!
A produção não sabe se quer ser científica, engraçada, divertida ou assustadora, tudo isso com uma direção que até se esforça para com a ação, mas não sabe o que fazer com um elenco extenso e sem qualquer interação ou talento quando a câmera está ligada. Se é necessário atingir um nível maior de descrença para que a sessão fosse satisfatória, beiramos então a um novo gênero envolvendo as criaturas marinhas, aquele onde a gente torce apenas pelo tubarão, para que logo devore todos os personagens e a história acabe. E pensando bem, um desfecho assim seria plausível pois estamos falando de um megalodonte. Se um terço do que era sério no filme mantivesse esse pensamento, tudo poderia ter sido bem melhor! Ou pelo menos, divertido!

Nota: 1,5/5 (É, existe)
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