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Good Girls - CRÍTICA


Good Girls é uma série originalmente exibida pela NBC que recentemente entrou no catálogo Netflix, da mesma criadora de The Family (série de 2016 que até hoje eu não consigo aceitar que foi cancelada na primeira temporada), Jenna Bans, a série apresenta uma história super divertida e cheia de conflitos morais.

Beth, Ruby e Annie são três amigas e mães de família que se veem em um momento complicado de suas vidas financeiras, sem “opção” mais rápida elas decidem ir pelo caminho mais torto em busca desse dinheiro: assaltar um supermercado local onde uma delas trabalha. Inicialmente o plano era adquirir uma quantia de 30 mil, mas elas com meio milhão de dólares, mas é claro que esse dinheiro todo não estava ali por acaso e então elas acabam sem querer envolvidas com uma perigosa rede criminosa de lavagem de dinheiro.

O primeiro acerto da série e tirar completamente suas personagens da sua zona de conforto, quando poderíamos imaginar três mães, donas de casa e de certa forma envolvidas com a comunidade ao seu redor, se associariam a roubo e lavagem de dinheiro? Acredito que além de um grande acerto é também uma boa crítica sobre o lugar da mulher na sociedade e o limite entre ser uma pessoa “boa” ou “ruim”, além de falar explicitamente sobre até onde uma mãe está disposta a ir pra proteger seus filhos.


As três protagonistas são muito bem construídas e interpretadas, além do elenco de apoio super carismático e divertido (alguns um tanto desprezíveis), que nos entregam ao mesmo tempo cenas que emocionam e fazem rir. Beth vivida por Christina Hendricks é mãe de quatro filhos e para se dedicar apenas a casa e as crianças confia completamente o negócio da família a seu marido que acaba afundando a empresa em dívidas e traindo ela com sua secretária. Ruby (Retta) é uma garçonete casada com um segurança e mãe de duas crianças, uma delas é uma garotinha com uma grave doença que necessita de remédios muito caros para se manter viva e por fim Annie (Mae Whitman) a irmã mais nova de Beth e mãe solteira, trabalha como caixa de supermercado e se vê numa situação complicada quando seu ex move uma ação contra ela exigindo a guarda da filha.

Os dramas vividos pelas protagonistas são tão palpáveis, que provavelmente você já deve ter conhecido de perto algum caso como esses e a forma como a narrativa da série carrega essas histórias é tão única e divertida que faz com que tudo pareça um pouco mais leve do que é, ainda sim é muito responsável ao trazer esses temas.

A série ainda toca num assunto muito delicado que é a transexualidade na infância. Sadie, a filha de Annie é uma adolescente que não se identifica com o sexo que nasceu, por isso ela mantém uma aparência socialmente masculina, o que faz com que ela sofra muita repressão e bullying na escola. Porém a relação entre mãe e filha é uma coisa tão sublime e bonita que pra mim as interações das duas se tornou a coisa mais marcante na série pra mim. 


Há muitas críticas dentro da série, a respeito de racismo, machismo e homofobia e discriminação de todas as formas, o que me deixa muito feliz com essas novas produções que estão cada vez mais expondo isso e educando as pessoas para viver uma nova sociedade de uma forma igualitária, ao mesmo tempo trazendo a questão da humanidade das pessoas, ninguém é somente bom ou somente ruim, todos temos dentro de nós muitos lados.

Good Girls é uma surpresa muito boa, mantem o seu ritmo cômico e dramático durante todos dez episódios, inclusive o último episódio é o melhor e o cliffhanger para a próxima temporada (que já está confirmada) é simplesmente sensacional e empolgante, mal posso esperar para assistir.
Se você ainda não viu, corra pra assistir!
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