Ads Top

A quem pertence o Cinema?


"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho." Orson Welles

A sétima arte é um espaço democrático!
É um lugar onde vozes não ouvidas podem ganhar força, espaço, entendimento e principalmente, trazer para aqueles que não haviam ainda se identificado com a arte, finalmente o encontro com a empatia. Mas o cinema pertence a alguém? Quem é o dono do cinema? Podemos impedir pessoas de se achegarem a tal manifestação criativa?
Me dá a mão vem comigo pra conversarmos sobre isso tudo.

O cinema antes de alcançar os patamares mais altos de demonstração artística, era algo rechaçado por muitos, com exibições para classes consideradas mais baixas, no que eram chamados de Nickelodeons. Ao ganhar novos ares e a sofisticação, passando por Méliès e os Lumière, permeando diversos movimentos europeus e norte-americanos, chegando aos blockbusters, pode até ter assumido uma cara elitista, mas as temáticas populares, aquelas que falam das pessoas de verdade, que sofrem, trabalham, se esforçam, nunca sumiram.

Vejamos Cidade de Deus, o filme de Fernando Meirelles é até hoje fonte de inspiração para outras produções, podemos citar Pantera Negra, onde o diretor falou das referências a obra brasileira, da mesma forma, Central do Brasil, até hoje lembrado como uma das grandes injustiças do Oscar por conta da categoria de Melhor Atriz, que teve Fernanda Montenegro concorrendo. E veja você agora: temáticas do dia a dia, do nosso cotidiano, que acontecem nos bairros, nas praças, nas cidades, esquinas que passamos. Sendo assim, a quem essas histórias representam, devem e muito ocupar o cinema, tanto assistindo quanto produzindo, escrevendo e dirigindo.

Quando se baseia um comentário, pedindo o aumento do valor dos ingressos, que no nosso país não são baratos, atrela-se ao discurso o famoso “preconceito velado”. É aquele presente em frases como: “Ela é nossa empregada, mas é da família!” ou “Eu não sou racista, tenho até um amigo que é negro...”. Esse pensamento, imerso no egoísmo é a pura demonstração do não conhecimento do poder do cinema em dar aos excluídos um momento onde seus discursos passam a serem os principais.
E sabe o que é mais interessante?

O Geek Guia fica localizado em Vitória, Espírito Santo, e aqui quando falamos de cinema, entrando no âmbito do comportamento humano dentro da sala de exibição, não as minorias que causam certas “confusões”, são justamente aqueles que conseguem pagar o absurdo de mais de trinta reais por uma sessão às vezes, em alguns casos, membros de instituições de ensino elitizadas e de “prestígio” da capital capixaba. Então, o problema não está na carteira ou no saldo disponível para saque. Não ter educação e bom senso, pode alcançar qualquer classe.



Vocês lembram da Val, personagem de Regina Casé em “Que Horas Ela Volta"
Uma das cenas mais icônicas do filme é quando a mesma entra na piscina da casa dos patrões e liga para a filha contando o fato. Temos a metáfora clara de ocupar um lugar que até então não se tinha alcance.

Ninguém é dono do cinema, nem os grandes “Cineplex” da vida com seus valores exorbitantes, nem o crítico mais sisudo, nem o diretor mais premiado. As narrativas da vida estão aí para serem contadas, para que pessoas que servem de inspiração venham a ganhar a tela e aquelas que se identificam, estejam nas poltronas. 
O cinema é colorido, preto, branco, gay, lésbica, hétero, indígena, asiático, trans, bi, religioso, ateu, de esquerda, de direita, o cinema é todos e para todos. E se isso foi tirado do alcance de alguém, está mais que na hora de retornar!
Tecnologia do Blogger.