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Super Xuxa contra Baixo Astral, um clássico!

Porque a cultura pop não está apenas em produtos internacionais



Se com o título deste texto você não sabe do que estamos falando, certamente a sua infância não aconteceu entre as décadas de oitenta e noventa, mas se o filme citado já te fez lembrar de várias coisas, parabéns, teremos muito o que conversar hoje e apresentar para quem desconhece essa produção cinematográfica que completou trinta anos em junho de 2018, levou de 3 Milhões de pessoas ao cinema e em um período onde não se realizava sétima arte com efeitos especiais, visuais, computação gráfica, arriscou em fazer tudo isso em terras Tupiniquins!

Xuxa é uma apresentadora de televisão que incentiva as crianças a realizarem atitudes positivas e principalmente espalhar o bem pela cidade, entretanto, o Baixo Astral, um ser tomado de sentimentos maldosos, que mora nos esgotos, não está gostando nada das atitudes da moça. Assim, ele sequestra o seu fiel cachorro Xuxo, fazendo com que Xuxa parta em uma jornada para resgatar o seu amigo, além de combater todo o espírito de maldade que o vilão está espalhando pelo mundo.


Criação e sucesso

É uma sinopse bem simples, até mesmo piegas para alguns, já que na década de oitenta era quase que costumeiro um apresentador de televisão, principalmente aqueles voltados para o público infantil, protagonizar um longa-metragem. Só que neste caso existem peculiaridades que quebram padrões e paradigmas interessantes para indústria do divertimento.
A começar por termos uma protagonista feminina, a "Rainha dos Baixinhos", na época com 25 anos, que acompanhou de perto a produção do filme que iria estrelar, além de contar com uma mulher na direção, Anna Penido, que acabara de se formar cineasta.

Toda produção aconteceu em quatro semanas, levantando uma equipe de trabalho extensa e com diferentes perspectivas a cerca de cinema no Brasil, muitas pessoas vieram da produções teatrais e das escolas de samba. Desde a criação dos personagens que interagem com Xuxa, até a escolha dos cenários, figurinos, fotografia, tudo trazia uma visão nova para se realizar cinema, graças ao conhecimento da diretora que se inspirou em O Labirinto, O Cristal Encantado e no Rei do Pop, Michael Jackson. Outro ponto interessante foi o merchandising, com o longa a marca com o nome de Xuxa cresceu e se tornou uma das mais valorizadas no país, além de contar com o apoio de empresas conhecidas para o orçamento do longa como Nestlé, Colgate, Bobs e Coca-Cola.

A criação do roteiro, também de Anna, se deu enquanto ela assistia aos programas diários da apresentadora e aos poucos a ideia de combater uma "entidade" capaz corromper os bons sentimentos surgiu para compor uma aventura que trabalhasse a imaginação e o lúdico. E nisso temos um dos vilões mais icônicos de nossa cultura: O Baixo Astral. Interpretado pelo sensacional Guilherme Karan, que infelizmente faleceu em 2016 por conta de uma doença degenerativa, trouxe uma atuação enérgica, amedrontadora e louca, que deixaria qualquer ator hollywoodiano no chinelo devido ao talento demonstrado em tela.


Então, em 30 de Junho de 1988 chegou aos cinemas brasileiros Super Xuxa contra Baixo Astral que levou três milhões de espectadores as sessões, fazendo com que a Rainha dos Baixinhos emplacasse nos anos seguintes outros dois grandes sucessos: Princesa Xuxa e os Trapalhões e Lua de Cristal.

Mas por que temos um clássico aqui?

Uma produção que consegue trazer uma visão nova, moderna, até então, para contar uma história com elementos fantásticos, protagonizado por uma mulher e dirigido por uma jovem cineasta, merece todo nosso apreço e um espaço único na sétima arte nacional. Por mais que o longa soe datado e não tenha o ritmo que agrade o grande público de hoje, a tecnologia empregada, os empenhos de criação e construção de narrativa, isso inclui um vilão multifacetado com diversas camadas, é digno do título de clássico. 

"Baixinho" ou não, conhecedor da carreira da Xuxa, ou não, o longa completa trinta anos saindo do status de trash e ganhando notoriedade, reconhecimento por ser uma produção que abriu caminho para que tantas outras ganhassem as telas e os espectadores. Nisso, a cultura pop brasileira tem então uma das aventuras mais incríveis da história do cinema. Lúdica, infantil, musical e divertido, Super Xuxa contra Baixo Astral faz parte desse universo, dos heróis, das grandes histórias fantasiosas, e principalmente, da infância de muitas pessoas que cantaram com a apresentadora e lembram com carinho do filme!
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