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Review: Castle Rock

J.J Abrams e Stephen King juntos para confundir ainda mais a cabeça dos espectadores



Quando se trata de mistérios, coisas absurdas e do desconhecido, temos na literatura um nome muito forte nesse quesito: Stephen King. E nos mesmos moldes, características e peculiaridades, temos J.J Abrams no mundo das séries de televisão. Assim, o responsável por It: A Coisa, O Iluminado, Carrie, une formas com o criador de Lost, Fringe, para mexer com o pouco de lucidez que ainda resta nos amantes de uma boa narrativa enigmática. E isso pode render bons momentos e até mesmo surpreender como eles sabem fazer de melhor.

Quando o diretor da prisão de Shawshank comete suicídio, uma nova pessoa é designada para o local, ao mesmo tempo em que um estranho homem é encontrado trancafiado em um dos prédios desativados da instalação, chamando por uma pessoa, Henry Deaver, um advogado sem muito sucesso. Tudo isso ocorre na estranha e misteriosa cidade de Castle Rock, de onde Deaver saiu e terá que voltar para encontrar esse estranho e diversos outros segredos do passado.

É interessante pautar que esta produção une diversos mundos criados por King, justamente em um locais conhecidos de outras de suas histórias. A direção utiliza bem isso na construção de cenários, fotografia e paisagens. A paleta de cores acinzentada, ora escura, fazem do clima algo repleto de penumbras e lugares que não queremos estar. Ao mesmo tempo que transforma a cidade em um personagem maior, algo vivo, capaz de conter informações e transpor o medo, a estranheza e o mistério tão conhecido das narrativas que inspiram a história principal.
Entretanto é neste mesmo quesito que a série parece não se encontrar. 

A tentativa de um enigma maior que unirá todas as subtramas e olhares suspeitos em um grande épico, se estrutura através de várias estranhas situações, que não conversam direito com que está sendo estabelecido. Personagens ainda não mostraram o que pensam, sentem e a superficialidade toma conta de suas personalidades. Além de alguns momentos, tudo soar muito clichê ou "mastigado" de outras obras do mesmo autor, só que sem o devido cuidado ao colocar isso em tela.


Este talvez seja o grande problema de Castle Rock, tentar ser sempre misteriosa, mas não de um jeito aceitável ou que nos faça querer continuar assistindo. E isso também se deve a falta de carisma de certos personagens e atuações. Bill Skarsgard, está lá apenas fazendo caretas esquisitas e incômodas, o que nos faz pensar que seu talento ficou preso em It. Sissy Spacek aparenta ser uma doce e problemática senhora, mas já vimos algo assim em outras produções. André Holland sustenta bem a trama quando está em destaque, apesar de não carregar o carisma suficiente e  Melanie Lynskey possui um arco até interessante, entretanto suas expressões carregadas de segredos não são convincentes.

Castle Rock é uma ode a obra de Stephen King que promete aumentar ainda mais todas as características alucinantes das histórias do autor. Executada com maestria, valorizando todos os aspectos soturnos, desde a narrativa até a direção, a produção apresenta diversas questões logo de início, mas sem se propor em responder. Talvez as resoluções apareçam no decorrer da trama, o que pode garantir surpresas interessantes. Enquanto isso, fica a dúvida de que essa união das narrativas do Mestre do Terror será realmente algo impactante, ou se estamos entrando em um caminho onde nada será revelado, nada será respondido, nada será dito. 
Caberá ao espectador definir o que está a sua frente? E se assim for, devemos lembrar que  J.J Abrams, é expert nesse quesito. Desde os tempos de uma ilha pra lá de confusa, então é aguardar os próximos capítulos e tentar não surtar!

Castle Rock é exibida pelo serviço de streaming Hulu!
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