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De Ashita no Jo a Megalo Box


"Ashita no Jo!"
Talvez você nunca tenha ouvido falar, ou talvez você até saiba o que é, a questão que importa não é o que exatamente é Ashita no Jo, mas sim o que ele representa.
Logo após a segunda guerra mundial, com a volta do Japão a produção midiática, nasce Ashita no Jo, ao primeiro olhar uma simples obra de boxe que foi escrito por Ikki Kajiwara e ilustrado por Tetsuya em 1968, no entanto a obra é a representação clara do momento no qual o Japão passava diante do mundo, as influências pós-guerra. 

Temos então a trajetória de Danpei Tange, um boxeador que se vê frustrado em sua atual condição, até que um marginal chega a cidade, Joe Yabuki, um jovem que visivelmente tem um comportamento compulsivo, causando a maior confusão por onde passa, no entanto, dentre todo o caos que ele proporciona, Danpei sente que Joe é mais que apenas violência, que talvez tenha uma história, um passado e mais que isso, uma motivação. É então que decidido a treinar o jovem, a narrativa finalmente encontra o seu curso.

Em seu aniversário de 50 anos, surge Megalo Box, uma obra que vem de surpresa para homenagear uma das histórias mais importantes de todos os tempos do Japão, pode parecer exagero, mas Ashita no Jo é responsável por eternizar um gênero nos mangás e animes, além de ser a primeira e principal ponte do Japão para o mundo. A importação da obra trouxe ao Japão uma nova visão de mercado, foi  o início de uma enorme expansão de produções desta mídia. 
Aqui vemos um background próximo ao de Ashita no Jo.
As pessoas no futuro que são pobres, não tem nem identidades e o Junk Dog (que era o nome de combate de Joe) era um lutador de lutas clandestinas tendo como corner, Nanbu San, um velho cego (que é uma referência total ao treinador de Joe em Ashita no Jo), porém, San não era o melhor exemplo de corner, afinal ele armava para que o Junk sempre perdesse a luta em determinado round, o que faz com que o jovem fique cada vez mais inconformado com toda essa situação. 

Certo dia, ele acaba quase se envolvendo em um acidente, neste por sorte do destino, ele encontra com Yuri, atual campeão do Megalo Box e envolto do calor do momento, eles acabam partindo para um mano a mano, porém a luta é impedida. Mais uma vez inconformado, Junk desafia Yuri para uma luta em um local clandestino e finalmente o embate acontece, o desfecho é a derrota de Junk, que agora mais do que nunca resolve fazer um acordo com o dono dessas casas clandestina, o dono aceita, mas com uma condição, que nos torneios ele passe a usar uma identidade falsa e escolher um nome que é simplesmente Joe. Então a história começa a se desenvolver, Junk que agora se torna Joe, parte em busca de treinar e ter a sua revanche, mas dessa vez em um palco oficial, em Megalonia, o campeonato que consagrou Yuri como campeão Megalo Box.

Apesar de ser uma continuação espiritual, Megalo Box é respeitoso com o material original, mas não mede esforços para expandir e tornar mais rico o universo, capaz de entregar um enredo digno de uma obra memorável. É impossível não se encantar com os personagens, voltar a este cenário após tantos anos, mesmo para quem não acompanhou na época de lançamento, é com certeza um êxtase de nostalgia e reverência. 
Mais que um reboot ou qualquer coisa do gênero, Megalo Box é completo, apresenta conflitos, tem espaço para novas discussões, um ritmo impecável, afinal são apenas 13 episódios, escritos e animados com maestria. Uma obra que trata com respeito tudo que seu passado tem, porém que desenvolve de forma independente o equilíbrio que precisava em narrativas do gênero!
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