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Arranha-Céu: Coragem Sem Limite - CRÍTICA

The Rock e Sidney Prescott se unem no que sabem de melhor: sobreviver! (Adaptado da frase de Breno Queiroz)


As décadas de oitenta e noventa foram um auge para o famoso estilo de herói cinematográfico "brucutu". Um cara forte, bem treinado, com família, que precisava resgatar a mesma, em compasso salvar sua nação, seu presidente ou o próprio mundo! Os tempos mudaram e os heróis de ação também, entretanto, nesta nova leva de bem-feitores-soldados, surgem aqueles que ainda carregam muito da alcunha do passado. Dwayne Johnson é um deles, conseguindo fazer o que poucos tem capacidade na indústria cinematográfica: transformar um roteiro ruim em algo aceitável graças ao seu carisma!

Will Ford é um ex-militar que após um incidente perdeu parte de sua perna esquerda em uma missão. Atualmente trabalha gerenciando uma pequena empresa, porém um velho conhecido o contrata para testar as medidas de segurança de um novo prédio, o maior, até então do mundo, com duzentos e vinte andares. Porém, algo sai errado, levando Ford direto a uma trama que colocará sua família em perigo e o arranha-céu a beira da destruição.

Rawson Marshall Thurber é quem comanda a produção, com talento para as cenas de ação, mas sem esmero no que se trata de conduzir personagens e atuações.
O diretor sabe como trabalhar as proporções e a altura que o elemento principal produz. O Arranha-céu é simplesmente monumental, crível, assustador, fazendo com que a câmera abuse disso nas movimentações dos atores, principalmente do seu protagonista, que apesar das limitações físicas, é colocado em condições de superação a cada momento, como quem vai ganhando experiência em um jogo. Desta forma há toda uma demonstração de conhecimento para se manter vivo diante tamanho problema, com direito fita adesiva, cordas, pontes sendo seguradas com as mãos.
A sensação de vertigem também é algo amplificado, seja em um guindaste, seja em um momento onde se anda no parapeito do prédio, tudo se torna aflitivo, desconfortável e gera aquela tensão esperada para tais acontecimentos narrativos. 

Entretanto a narrativa não sustenta os perigos e muito menos nos dá as intenções necessárias para que tudo aquilo ocorra. As motivações vilanescas são explicadas pelos mocinhos, ainda que nem mesmo o antagonista abra a boca pra dizer o porquê de estar ali e se contarmos, poucas foram as frases que este pronunciou durante a película. Junte isso a capangas que só servem para atirar, fazer o tão conhecido "carão" e não ter nada a acrescentar para o desenvolvimento da trama. Tal trama, que de início estabelece uma série de impedimentos para o funcionamento e controle do arranha-céu, que simplesmente são ignorados dando comando para qualquer que saiba manusear um tablet!
Facilitações clássicas do cinema de ação? Sim, porém era possível criar algo mais dinâmico.


Em contrapartida, a motivação do protagonista, para com sua família é interessante, plausível, revelando que boa parte do roteiro se trata de superação, de vencer os obstáculos por um bem maior. Tudo isso se mistura ao carisma de Dwayne Johnson, que salva a produção de ser um Duro de Matar, com toques de Missão Impossível, totalmente esquecível. Não que você irá sair da sala de cinema pensando em todos os conflitos existenciais ou que a falta de profundidade dos personagens colocará a prova toda manifestação dicotômica da persona e de suas características, mas desta vez boa parte da narrativa está fundamentada no que o protagonista, e sua esposa (Neve Campbell), sabem fazer de melhor no cinema há muito tempo, sobreviver!

Arranha-Céu: Coragem sem Limites é uma produção que consegue nos apresentar sequências de ação bem executadas, criativas que utilizam bem dos perigos e das condições apresentadas pelos elementos de cena, principalmente o próprio prédio. 
Apesar de não trabalhar a construção dos personagens, a trama carrega o espectador através de uma jornada de superação, alicerçada no amor familiar, mas sem sombra de dúvida, apegada ao carisma de seu protagonista. 
Em tempos em que atores são substituídos digitalmente ou estão sempre usando traje de captura de movimentos, é bom ver que os brucutus estão de volta, demonstrando toda coragem suficiente para sobreviver. Seja saltando de um prédio em chamas, preso a uma corda e com silver tape como garantia de sucesso. E convenhamos, se o 'The Rock' está fazendo, quem somos nós para contrariar?

Nota: 3/5 (Bom)
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