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Você precisa assistir Paprika

A Origem é história de criança se formos fazer uma comparação

Lembra daquela história cinematográfica onde para se implantar uma ideia era necessário invadir os sonhos e conforme se adentrava as camadas do subconsciente ficava mais complicado sair?
Interessante e fácil de recordar, não é mesmo?! Mas, muito antes de Christopher Nolan colocar Leonardo DiCaprio para saltar entre a imaginação alheia, uma aventura já havia sido contada e com muito mais enigmas que um pião rodando em seu final.

Atsuko Chiba é uma cientista que trabalha no projeto do DC Mini, uma nova tecnologia capaz de fazer com que se penetre nos sonhos de pacientes para então ajuda-los no tratamento psicológico. Porém, quando o dispositivo cai em mãos erradas e diversas pessoas ficam presas em seus sonhos, Paprika assume as ações de Atsuko, esse seu "alter-ego" parte então para o subconsciente das vítimas a fim de solucionar o problema, antes que realidade e imaginação se tornem uma coisa só.

Satoshi Kon é quem dirige a produção e o faz com um exímio trabalho, alinhado da animação, fotografia e design de produção. Há uma valorização dos diálogos e das reações das personagens, isso se torna um elemento extremamente importante para que a história percorra o caminho que se deve, fazendo com que a cada momento de interação nos entregue mais informações a cerca daquele universo. O diretor também explora momentos como se dirigisse um live action, com tomadas que percorrem os ambientes, nos dão senso de profundidade, distanciamento, além de brincar com o colorido. Os sonhos são carregados de tons quentes, vibrantes, e a realidade acinzentada, quase inerte.

Tudo isso contribui para que a narrativa nos presenteie com uma das histórias mais instigantes já vindas do oriente. O questionamento do que é real ou não já permeou muitos caminhos na sétima arte, desde momentos impressionantes com Matrix até o terror quase cômico com Freddy Krueger.
Mas aqui tudo é mais amplo e ao mesmo tempo enigmático!
Entendemos que o projeto do DC Mini é relevante para pessoas que estão passando por algum tipo de tratamento, entretanto sua utilização de forma ilegal por Paprika já acontecia há um certo tempo. De tal forma, como saber se realidade e sonhos realmente não se colidiram? E o que temos ao final é um mero sonho dentro de um sonho. Tal fator que é explorado de forma tão natural, que causa surpresa quando nos vemos no meio desta situação da trama.
Que por sua vez explana muito bem as ideias escondidas de cada pessoas, os desejos, aquilo que se tanto anseia e se projeta quando está dormindo, e de uma maneira sutil as camadas de sonhos são apresentadas, cada uma com seus deslumbres, perigos, que poderiam fazer qualquer um desejar não retornar para o mundo real.

Paprika é uma produção que explora as dúvidas humanas a cerca da realidade que nos cerca, a utilização de tecnologia em benefício próprio, traumas e até mesmo, diferentes personalidades para uma pessoa. Diferente e num nível superior ao filme de Christopher Nolan, tudo aqui é e não é explicado, não há facilitações no roteiro ou elementos que sejam necessários repetir para que você acompanhe a narrativa. Tudo acontece de uma forma tão surreal e palpável. E as jornadas apresentadas vão ganhando cada vez mais espaço na empatia do espectador, como se realmente estivéssemos entrando em mais camadas de sonho junto a protagonista.
Ao final, se a dúvida do que realmente é isso tudo que vivemos permanecer, relaxe, respire. Não precisa seguir o coelho branco ou girar o seu totem, simplesmente siga a garota ruiva, ela saberá o que fazer!

Você precisa assistir Paprika!
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