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Os Incríveis 2 - CRÍTICA

A família de super-heróis que o cinema precisa


Você já esperou quanto tempo por um filme?
Um ano? Dois?
Que tal, 14 anos?
Quando Os Incríveis chegou aos cinemas pela primeira vez, a história de heróis da Pixar arrancou elogios de público e crítica, como se fosse um Watchmen para quem ainda estava no ensino fundamental. Um conceito parecido com a história de Alan Moore, mas executado da forma lúdica e emocionante que só o estúdio da luminária conseguiria realizar. O tempo passou e finalmente a continuação nos foi entregue, reafirmando que a família Pêra é a melhor que existe no ramo de super-heróis!

A família Pêra tentou mais uma vez salvar a cidade, mas os heróis ainda são ilegais. E após um trágico evento, um magnata das telecomunicações surge com uma proposta para contornar a opinião pública e trazer os seres poderosos de volta a ação. Para isso, ele vai precisar da Mulher-Elástica, que parte então para novas missões de salvamento. Enquanto isso, o Sr. Incrível ficará em casa para a aparente, não tão incrível, rotina da família. Entretanto um novo vilão surge colocando em risco o retorno definitivo dos heróis.

Brad Bird dirige e escreve a continuação com a mesma qualidade do original.
Desta vez, ousando nas cenas de ação, acrescentando maiores participações e utilizações das habilidades de cada personagem. É interessante ver como o diretor abusa e explora os poderes de Helena, demonstrando que não é apenas esticar o membros, toda mobilidade, multiformidade que existe pode ser alcançada durante o combate que a mesma está inserida. De tal forma, a computação gráfica mantem os traços que nos remetem as animações clássicas e desenhos da década de cinquenta e sessenta, ao mesmo tempo que insere novas tecnologias. As texturas, os formatos, a escolha das cores para os cenários e ambientes externos, tudo conversa de forma exímia, com profundidade, dinamismo e excelência nos mínimos detalhes, como a dobra na camisa até as expressões faciais de cansaço. Esse futurismo retrô presente na aventura é uma peculiaridade que também ajuda na narrativa familiar, remetendo aquelas histórias que traziam o modelo perfeito de família, mas que nesta visão, ganham novas nuances e conflitos.
Logo, o roteiro nos entrega nas entrelinhas discursos a cerca de crises de meia-idade, adolescência, feminismo, protagonismo, do jeito lúdico que somente o estúdio consegue produzir. Pois não há necessidade de expor uma lição em tela, mas querendo ou não, você acaba entendendo que as agruras familiares representam muito mais que simplesmente a dificuldade de "não estar em ação", faz total alusão ao local que ocupamos ou que precisamos ocupar para que determinadas situações na vida se ajustem.


Todos esses acertos não diminuem alguns problemas que esta mesma trama, carregada que significados emotivos possui. Há um delongar desnecessário do primeiro ato, uma obviedade na vilania e um certo "apagamento" em dos personagens da família. Enquanto Violeta, Zezé (Que é o grande astro e nos entrega uma das melhores sequências de luta do cinema, contra um guaxinim), Sr. Incrível e Mulher-Elástica ganham arcos interessantes que acrescentam ainda mais em suas personalidades, Flecha fica em um limbo de piadas repetitivas.

E isso estraga a experiência?
Claro que não! Acompanhar novamente as aventuras desta família no cinema é remeter a infância, pré-adolescência de diversas pessoas. Em uma sessão onde a maioria são adultos, alguns com seus filhos, é o resultado mais que esperado, não somente pela Disney/Pixar. Pois a mensagem empregada a cerca de união, apoio e mudanças, fazem da dicotomia super poderes e relacionamento, uma das mais significativas da sétima arte.

Os Incríveis 2 é um brilhante trabalho de técnica e roteiro, demonstrando a capacidade de emocionar, deslumbrar e entreter apesar do tempo que os personagens ficaram fora do cinema. E esta espera proporciona uma experiência com o selo Pixar que conhecemos, que de maneira implícita carrega aquelas lições, informações e aprendizados que precisamos, sem a necessidade ser panfletário em nenhum momento, dentro de uma aventura que se tornou atemporal.
Se hoje somos entregues a inúmeras produções com super-heróis protagonizando, a família Pêra vem para consolidar o seu lugar de evidência, relevância, com toda a maestria, carisma e diversão que poderiam proporcionar. No primeiro filme, o toque Watchmen se faz presente. Neste segundo, não há como não pensar em Quarteto Fantástico, porém, ainda assim, suas peculiaridades e personalidades fazem desta produção um ícone tal e qual suas referências.
Agora, se a ideia para uma terceira aventura existir, que aconteça sem a necessidade de se esperar 14 anos! Os fãs, crianças ou não, agradecem!

P.S: Não perca o curta de animação, Bao, que dá início a sessão, é emocionante!

Nota: 4,5/5 (Sensacional)
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