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Oito Mulheres e um Segredo - CRÍTICA

Divertido, inteligente, mas não precisava do James Corden

Em 2016 o cinema recebeu a nova versão de Caça-Fantasmas de forma bem agridoce, sinais de um novo tempo onde por mais se busque um lugar para que possamos deixar a representatividade fluir, há sempre aqueles irão se opor. Assim, outro time iria ganhar sua versão apenas com mulheres, saem então os Onze Homens e um Segredo, e chegam as oito mulheres para ocupar um espaço que lhes é devido. E o fazem de maneira cativante, aventuresca, mostrando aos espectadores que histórias já conhecidas podem ser melhoradas.

Debbie Ocean acaba de sair da prisão, mas isso não quer dizer que sua vida de crimes tenha acabado! Ela tem um plano que renderá mais de 150 milhões de dólares. Assim, junto de sua parceira Lou, a dupla recruta um grupo de mulheres capacitadas para o grande golpe: roubar um colar de diamantes durante um dos maiores bailes de Nova York. E para isso, as habilidades de cada uma serão colocadas em prática.

Gary Ross é quem dirige o longa com assertividade e leveza.
A câmera escolhida se concentra nas expressões e reações das personagens, os cortes são feitos na medida que o ritmo se torne acelerado, sem apressar os acontecimentos ou deixar tudo jogado sem explicações. O diretor valoriza cada uma de suas atrizes em cena, trabalhando alinhado ao roteiro, rendendo, principalmente durante o baile do Met, ótimas movimentações, justamente as que envolvem as habilidades de cada membra da equipe.
Equipe essa que é todo o corpo, mente e espírito da produção.
A narrativa, apesar de se ater um pouco nos estereótipos já conhecidos de filmes de assalto, contribui para que cada uma das ladras de Debbie ganhe o espaço devido. Tudo isso enaltecido com comentários que vão de piadas a cerca de machismo até o papel da mulher na sociedade. Assim, a história não se preocupa em ser apenas uma nova versão de Onze Homens e um Segredo, mas sim algo único, particular e divertido. E é isso que encontramos a medida que trama se aproxima do grande dia do roubo, de tal forma que primeiro e segundo ato se tornam tão fluidos, que ao chegarmos no clímax, a sensação é que poderia ter um pouco mais da história daquelas mulheres.

Entretanto o mesmo roteiro que coloca as mulheres como o centro, estabelece em seu final uma caçada comandada por um homem. O personagem de James Corden, entra na trama de forma abrupta e isso acaba atrapalhando tudo o que fora realizado na ação do baile, deixando nítido que até o mesmo o diretor perde a mão no que estava realizando, como se a inserção do personagem fosse algo imposto. Tal imposição atrapalha o ritmo, mas não descaracteriza o todo!

Falando em todo, é preciso falar do elenco! Sim, de suas oito mulheres sensacionais.
Sandra Bullock é uma Ocean que não precisa viver a sombra de seu irmão, as falas, o humor tão conhecido, fazem de sua atuação uma líder nata para um grande golpe. 
Cate Blanchett é uma manifestação em tela, todos os seus momentos são hipnotizantes, engraçados, você deseja por mais instantes desta mulher talentosa em cena. 
Anne Hathaway carrega diversos momentos do filme com facilidade, demonstrando toda capacidade criar uma nova alcunha e permanecer convincente, verdadeira, até os momentos finais da trama.
Helena Bonham Carter faz jus a toda sua excentricidade na hora de atuar, não perdendo a veia cômica e bizarra, sem cair no cartunesco.
Só faltou mesmo explorar mais de Rihanna, Sarah Paulson, Mindy Kaling, Awkwafina, cada uma demonstra ter algo a mais para entregar, mas às vezes o roteiro só as faz executar tarefas, ainda assim de um jeito altamente competente.

Oito Mulheres e um Segredo não é só uma versão com mulheres do filme de sucesso de 2001. É uma nova história, melhorada, divertida, com o ritmo adequado, inteligente e que entrega o que se propoem a fazer. Perde um pouco no ato final com o acréscimo de um personagem dispensável, porém não ofusca o excelente trabalho realizado pelo elenco que faz a narrativa se tornar envolvente.
Em tempos em que se levantam discursos contra mulheres nas capas de jogos, quando atrizes se veem obrigadas a deletar redes sociais por conta de comentários e movimentos para que a representatividade feminina se tornam mais fortes, produções assim são necessárias para quebrar diversos estigmas e principalmente contar boas histórias! E como diria Debbie Ocean: Tudo isso que aconteceu não é por mim, ou por vocês, é para aquela menininha de oito anos que está em casa e sonha em ser uma grande ladra! 
A metáfora acima não vai se perder, muito menos a força feminina no cinema!

Nota: 4/5 (Ótimo)
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