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O Vazio: 1ª Temporada - CRÍTICA

O Salve-se Quem Puder de uma nova geração

A coleção de Livros Salve-se Quem Puder fez muito sucesso com o público infanto-juvenil na década de noventa no Brasil. Em cada edição, uma história nova era contada, com novos personagens e principalmente, o atrativo das obras, os mistérios. Era necessário observar tudo o que estava nas ilustrações, prestar bem atenção nos textos e não passar para a próxima página sem ter decifrado tudo que tinha na anterior. Sendo assim, a Netflix lançou a série animada The Hollow, traduzida aqui como "O Vazio", e numa pegada semelhante a série de livros citada, cada episódio carrega enigmas, aventuras e as vezes nenhuma informação.

Três adolescente acordam em um abrigo subterrâneo, sem memórias, sem saber seus próprios nomes, eles tentam encontrar uma saída, porém quando algo os força escapar daquele estranho lugar, descobrem que estão em um mundo onde as coisas não parecem tão normais e os perigos crescem cada vez mais. Assim, Adam, Mira  e Kai (nomes que os mesmos encontram nos bolsos), partem em uma jornada para casa, onde eles também não sabem onde fica!

A série animada canadense é voltada para a público infantil, mas apresenta diversos elementos que farão qualquer adulto parar em frente a televisão para conferir ao menos um episódio. 
A narrativa perambula por diversos lugares conhecidos da cultura pop, desde mitologia à fábulas, carregada de criaturas conhecidas como minotauros, árvores falantes, criaturas de gelo, zumbis, bruxas. O que deixa este mundo cada vez mais confuso e estranho.
E a medida que vamos acompanhando os personagens principais as referências se tornam mais claras e o motivo dos acontecimentos mais interessante.

O roteiro faz desta mistura de conceitos algo divertido e sem a necessidade de ficar preso as mesmas informações. Isso fica refletido quando em um mesmo episódio, os jovens saem de um local para outro, tendo que se deparar com um novo confronto ou desafio, fazendo com que não haja necessidade de ficar preso ao mesmo recurso narrativo toda vez que um novo momento da aventura é contado. Desta forma, lições como amizade, perseverança, confiança, verdade, surgem em tela, não algo explícito e piegas, mas implícito que fará espectadores, grandes e pequenos, pensar nas ações dos heróis e gerar uma identificação.

Entretanto a série peca um pouco na qualidade, tanto na animação quanto ao final da trama proposta!
Apesar dos personagens e criaturas ganharem um desenho fluido, com traços vívidos e com uma paleta de cores forte, a ambientação inerte, sem movimentação, deixa algumas cenas estranhas, soando como um trabalho amador e desleixado. Logicamente, isso é irrelevante graças ao bom trabalho de dublagem e de caracterização dos personagens. Porém, não exime que alguns artifícios usados nos últimos episódios se tornam preguiçosos e previsíveis, até mesmo a mudança de comportamento de um dos protagonistas soa como contraditória diante de tudo o que foi mostrado.

O Vazio é um Salve-se Quem Puder de uma nova geração!
Repleto de desafios, mistérios e uma gama de aventura que constantemente ganha novas camadas, agradará crianças e alguns adultos, justamente aqueles que adoram uma boa referência ao imaginário da cultura pop. Com personagens cativantes, uma trama bem humorada, mundos estranhos, a série animada da Netflix pode ter sido incluída no catálogo sem nenhum alarde, mas certamente merece a atenção do público, por ser entre tudo o que já foi citado, um grande amalgama de enigmas que permeiam literatura, cinema, ciência, filosofia. E isso é conteúdo pra lá de importante para quem está descobrindo outros universos da imaginação!
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