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Não se Aceitam Devoluções - CRÍTICA

Um remake fundamentado no original, mas que esquece nossa brasilidade
No se aceptan devoluciones é uma comédia mexicana carregada de um humor fluido, que consegue ao mesmo tempo emocionar, com a história de um homem que muda por conta da chegada inesperada de uma filha que ele não sabia que existia. Boa narrativa, boa direção! Hora de fazer uma refilmagem! Nos Estados Unidos? Sim, mas só como cenário, pois desta vez a produção é brasileira!
E nesta tentativa de recontar a trama sobre paternidade, perde-se no quesito emoção e sobram piadas que parecem extraídas de antigos programas de televisão.

Juca Valente é um homem que vive a vida da forma como bem entende. Cercado de boas companhias, sempre em festas e nunca em um compromisso de fato. Até o dia, que uma antiga namorada, Brenda, surge com uma novidade: Juca é pai! E o deixa com a filha de um ano. Assim, cabe a ele não apenas cuidar da pequena Emma, mas adaptar sua vida inteira para essa nova e abrupta fase.

André Moraes dirige a produção brasileira fazendo o trabalho de emular tudo o que o original possuía. Desde a movimentação de câmera, ao posicionamento dos atores, tudo é igual ao que foi realizado no filme de 2013. Nisso também entram as situações cômicas e dramáticas! Sempre com uma filmagem estática, o diretor se atém ao rosto e expressão de seus atores, valorizando as reações e as interações. O que rende bons momentos quando o protagonista precisa contracenar com quem lhe dá liberdade para seguir por sua veia cômica.

Entretanto, o ramake nacional soa como uma cópia barata, sem personalidade ou criatividade, executada com um nível de amadorismo sem igual. Desde os créditos iniciais que começam de forma apressada, que podem passar despercebidos, até os cortes mais grosseiros e transições de cena que não fazem sentido, desconstruindo as vezes o que foi dito ou realizado na cena anterior. De igual modo, os recursos são empregados de forma precária, como um time lapse que foi retirado de um acervo do Google, locações que são claramente no Brasil mascaradas como Estados Unidos ou uma sequência em Los Angeles de outra produção, pois podemos perceber cartazes de filmes de 2015 pendurados e espalhados pela cidade.
E Por mais que a narrativa se agarre fielmente a tudo o que ocorre no original, desde os diálogos às reviravoltas, a carga emocional necessária não existe. Tudo é realizado de forma entroncada, automática e sem vida. 
Os personagens soam vagos, sem camadas e mal aproveitados. Junto a isso, a um festival de clichês e esteriótipos que vão desde a vizinha com intenções sexuais à namorada lésbica que precisa ter um corte de cabelo masculino. Fora as inúmeras piadas sexistas que ocorrem. 

E isto fica claro quanto analisamos as atuações.
Leandro Hassum se esforça, se empenha, mas não consegue desenvolver a carga dramática necessária para os momentos que seu personagem precisa ir além das caretas e trejeitos engraçados. Fica perceptível que quando o ator trabalha com improviso tudo se torna mais crível e cômico, mas nos momentos de entrega, faltam reações para compor o drama.
E isso também se repete com Manuela Kfouri, que interpreta Emma. A jovem não consegue convencer ao dizer suas falas e muito menos esboçar os sentimentos que a personagem precisa transparecer em tela.
Laura Ramos consegue impor dramaticidade a sua Brenda, mas acaba sendo ofuscada por diálogos sofríveis e pouco tempo em tela. 

Não se Aceitam Devoluções é uma refilmagem sem criatividade, sem carisma, que se apoia em clichês cômicos e dramáticos para tentar arrancar da platéia alguma manifestação. 
Por mais que a produção se sustente no original, faltam os sentimentos que o mesmo carrega e sobram situações desnecessárias e prolongadas, com uma direção perdida desde a captura das imagens à montagem.
Logicamente é preciso celebrar a coragem de se realizar um filme como este em terras tupiniquins, mas faltou justamente isso, a nossa brasilidade, as nossas emoções, a nossa criatividade. 
E isso, nós brasileiros, temos de sobra!

Nota: 1,5/5 (É... Existe!)
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