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Luke Cage: 2ª Temporada - CRÍTICA

O poder pode corromper até aquele que se considera mais capacitado

Em um dos momentos desta segunda temporada, Mariah diz a Luke que o Harlem não precisa de um herói, mas sim de uma rainha, capaz de reconstruir o "muro de proteção" que o bairro precisa. O que deixa o Defensor muito irritado!
Quando nos aproximamos dos momentos finais do último episódio, o herói faz um discurso muito semelhante, então é comparado, por outro personagem, à Donald Trump! Desta vez Cage não esboça muita reação, apenas sai do recinto.
Acontecimentos diferentes, o mesmo conteúdo! Ascensão e poder permeiam este novo ano da série da Marvel em parceria com a Netflix, demonstrando que o sistema corrupto pode se apossar até de quem é à prova de balas.

Luke Cage agora é famoso, com direito a aplicativo e tudo para quem queira encontra-lo em caso de necessidade. Entretanto, sua postura heroica está incomodando muitas pessoas, principalmente aqueles que querem o controle do bairro e da cidade. Mas não será só Mariah Dillard que irá entrar em confronto com o protetor do Harlem, um novo bandido chamado Bushmaster também chegou ao local, querendo muito mais do que um simples embate com o Power Man, ele quer vingança!

Em comparação a primeira temporada, este novo ano consegue elevar o nível da produção baseada nos quadrinhos da Casa das Ideias. Cada diretor de episódio consegue impor seu ritmo, seu estilo, ao mesmo tempo dando continuidade ao trabalho do antecessor. E isso fica nítido nas cenas de ação e lutas, melhores coreografadas, se tornando mais críveis, no design de produção com ambientes estonteantes, na fotografia que deixa de lado a referência as cores clássicas do herói e abre uma nova paleta de cores, colorida, amo mesmo tempo que se apega em vários momentos aos tons mais escuros. 
Tudo isso em conjunto com a narrativa, que trata de nos mostrar uma disputa pelo mundo do crime, as consequências disto, o descaso dos poderosos quando pessoas inocentes morrem e a ganância por dinheiro, poder, reconhecimento, que não está presente apenas nos subúrbios, está no sistema político, na polícia, até em quem grava vídeos para internet.
Se no primeiro ano de Luke Cage, empoderar era um verbo que se encaixava perfeitamente, desta vez, corromper é a palavra mais ideal. Ao passo que vamos acompanhando a jornada do Herói do Harlem em transformar o bairro em lugar seguro, também percebemos que as ações de bondade podem se tornar também destrutivas de alguma forma, principalmente quando se pode ganhar algo com elas, seja através de valores ou uma posição de maior controle.

Assim, as interações de Luke com outros personagens o ajudam a arrebatar a graça do público. Quando junto a Misty Night, rende o choque entre justiça com as próprias mãos e o que a lei tem para contrapor. Ao lado de Claire, que faz o papel de sua consciência diante das situações, o herói ganha tons mais humanos, dramáticos, demonstrando seus conflitos. E por incrível que possa parecer, ao participar de um dos episódios finais, Danny Rand, o Punho de Ferro Imortal, faz as veias de mentor, amigo, ao mesmo tempo que a dupla de heróis nos entrega, outro momento surpreendente, boas sequências de ação!


Entretanto a trama apresenta os problemas costumeiros que a Netflix insiste em não corrigir nas aventuras de seus vigilantes: Diálogos exagerados, maçantes, que se tornam sempre uma história de redenção, perdão e conflito familiar desinteressante. Cenas rápidas, que duram pouco mais de um minuto, com duas falas de personagens que não contribuem para os acontecimentos. Sem contar as idas e vindas na delegacia, ao Harlem's Paradise, que se tornam cenários tão desgastados, que o espectador torce para que nada mais importante venha a ser lá! Fazendo de momentos que poderiam trazer um fôlego a narrativa, um clichê barato com toque de novela mexicana sem orçamento. 
Tais problemas poderiam ser corrigidos se a série tivesse nove episódios, um número exato para contar cada ponto da história e continuar finalizando do jeito assertivo que fez! Contudo, se estende até o décimo terceiro, sendo que os dois anteriores pouco servem para garantir a empatia de quem assiste. E junte isso, a antagonistas caricatos, exagerados que abraçam diversas vezes a canastrice e coadjuvantes que apenas estão lá para que conversas morosas aconteçam! 

Luke Cage retorna dando um crescimento interessante ao seu protagonista, gerando questionamentos sobre sua conduta ao final e entregando a quem, aparentemente merecia, o controle de tudo. Com boas cenas de ação, uma melhora nas coreografias e interações que conduzem a trama num crescimento quase adequado, a série ainda não sabe se trabalha as questões políticas, as críticas sociais ou retrata a realidade, como se os números musicais fossem suficientes para isso. Abraçando também a lentidão rítmica quando o quesito são diálogos e arcos desnecessários que são facilmente esquecidos, tanto pelos roteiristas, quanto pelos espectadores.
Que o poder corrompe todos nós sabemos, mas o processo que leva até esse momento é construído de forma instigante nesta segunda temporada, pois a agora o Harlem possui um rei, nada o pode ferir ou destruir. Se nas palavras do Reverendo James Lucas, o poder de Cage vem de Deus, não se pode esquecer que até o mais forte dos mitos bíblicos, também caiu! Aguardemos a terceira temporada!
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