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Jurassic World: Reino Ameaçado - CRÍTICA

Chris Pratt é o Rodrigo Hilbert do cinema de ação

Quando Laura Dern e Sean Neill, respectivamente na pele de Ellie Sattler e Alan Grant, avistam um brontossauro logo que chegam ao Jurassic Park, aquela sensação de assombro, deslumbramento, alegria, saltou da tela e invadiu a todos que eram espectadores pela primeira vez da obra cinematográfica de Steven Spielberg, que revolucionou o cinema da época! 
Em 2015, o mundo conheceu um novo parque e logicamente, como a história já nos mostrou, algo deu errado. E para dar continuidade a essa história, a nova produção se sustenta naquilo que já conhecemos, mas o seu real acerto está no rumo inédito apresentado!

Após o fechamento do parque Jurassic World três anos se passaram e quando o vulcão da Ilha Nublar, que ainda abriga os dinossauros, entra em atividade, o governo começa a discutir a possibilidade, ou não, de resgatar os animais. Enquanto isso, Claire é chamada por um velho conhecido do Jurassic Park para que ao lado de Owen, liderem uma missão particular de resgate das espécies, porém as coisas não serão tão fáceis assim.

Juan Antonio Bayona comanda a produção respeitando o legado da franquia!
A direção valoriza os planos abertos, sempre demonstrando a grandiosidade e a força dos dinossauros, explora as sequências de ação utilizando os elementos de cena, trabalhando de forma assertiva ao lado do design de produção e dos efeitos visuais, que fazem tudo maior, mais real e estão novamente utilizando animatrônicos. Uma escolha totalmente satisfatória para as cenas que valorizam os perigos. 
Essa valorização acrescenta e resgata o que tinha se visto na primeira trilogia, a sensação de medo e terror quando nos deparanos com uma criatura, a qual apenas se ouviu falar. Assim, o diretor aposta várias vezes no contra-luz, em momentos que utiliza planos mais fechados para demonstrar a reação de suas personagens e gritos de pavor. Fazendo com que esse novo capítulo ganhe um fôlego, através da ampliação do risco de morte por um dinossauro faminto.

Entretanto, Reino Ameaçado recicla o que foi feito em O Mundo Perdido e Jurassic Park, novamente. Replicar cenas como a citada no início desta crítica, utilizando uma personagem nada carismática, não é homenagem, é simples artifício para gerar aquela boa e velha reação de: "Eu entendi a referência", mas desta vez sem a emoção necessária. Da mesma forma, a narrativa não se preocupa em explorar os novos caminhos trilhados pelos personagens, como Claire que pouco se entende da jornada até se tornar uma ativista ou do Doutor Henry Wu, repetindo sua breve participação, apenas como um vilão sem qualquer motivação (Ele parece uma Carmen Sandiego Jurássica que sempre escapa quando algo dá errado). Assim, a trama ao tentar manter e elevar a atmosfera de sobrevivência, concentra todo terceiro ato em uma locação, onde, por incrível que possa parecer, temos laboratórios, jaulas e inúmeras instalações secretas, que o verdadeiro dono do local nunca percebeu ou desconfiou.

E tais facilitações do roteiro não nos entregam boas atuações.
Chris Pratt é único que parece confortável em seu papel, ao ponto de entregar algumas camadas que ainda não conhecíamos de Owen e fundamentando o seu esteriótipo de herói de ação com toques de Rodrigo Hilbert.
Bryce Dallas Howard sofre em trazer uma preocupação a sua personagem, mas fica perceptível que a única coisa que importa é mostrar que desta vez ela está usando botas.
Rafe Spall faz um vilão inexpressivo, caricato, que nem quando precisa, transparece o teor de maldade suficiente. 
Jeff Goldblum está lá para discursar e trazer um pouco de entendimento as pessoas dos riscos que tudo o que já foi feito. Infelizmente o personagem é pontual.
Mas é Isabella Sermon que nos lembra quão horripilante pode ser o encontro com uma criatura maior, mais forte e com fome. O pavor, os olhares de medo convencem e você torce pela personagem, independente ou não de achar o plot twist sobre sua origem algo previsível.

Jurassic World: Reino Ameaçado trilha um caminho assertivo para a franquia nos cinemas. Principalmente entregando um desfecho, que para muitos, já era esperado de tempos atrás. 
Apesar das facilitações do roteiro, da emulação de muita coisa que havia sido mostrada no passado, a direção nos devolve o terror que essa história com dinossauros apresentou aos cinemas, com bons momentos de tensão e perigo.
E se tem algo que aprendemos, foi através do Dr. Ian Malcolm, que a vida sempre encontra um meio! Ao que tudo indica, o meio encontrado agora não é simplesmente fechar portões, até porque não existem mais impedimentos, é manter a atmosfera de sobrevivência que foi novamente trazida as salas de cinema. O deslumbre agora será pela continuidade vida, dos humanos, dos dinossauros e da saga Jurassic World.

Nota: 3,5/5 (Muito Bom)
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