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Unbreakable Kimmy Schmidt: 4ª Temporada - CRÍTICA

De Donald Trump a Harvey Weinstein, o humor aqui é ácido

Tina Fey é uma das mentes mais brilhantes do humor os últimos anos em Hollywood. Além de nos entregar um clássico chamado Meninas Malvadas, cujas frases são usadas até hoje e ultrapassam a escala dos memes, a atriz, roteirista, produtora, diretora, nos presenteou nos últimos três anos com uma das séries mais absurdas, cômicas e significativas, Unbreakable Kimmy Schmidt! 
A produção chega a sua quarta e última temporada na "locadora vermelha", fazendo então o que sabe de melhor, extrapolar o senso comum e ignorar todas as convenções, seja através das situações ou dos diálogos.

Kimmy desde que foi resgatada do bunker onde era mantida, desde a adolescência com outras três mulheres, conseguiu mudar sua vida de forma inusitada. Recomeçou a vida indo pra Nova York, trabalhou como babá, entrou pra faculdade, saiu da faculdade, namorou, tentou ser guarda de trânsito e por fim, tornou-se responsável pelo Recursos Humanos de uma Start-Up. E é neste momento que a história da nova temporada começa!

O grande trufo sobre a história de Kimmy são seus diálogos marcados por uma sagacidade ímpar e a atitude de abraçar o nonsense. 
Cada personagem possui o seu próprio nível de sarcasmo e crítica a cerca de tudo o que os cerca e isso gera situações cada vez mais inacreditáveis. Logicamente, fazer comédia não é algo tão simples, mas o roteiro se apoia em trazer situações atuais para que se tornem mais do que um simples comentário, sejam alvo do escárnio sem medo algum colocar o dedo em algumas feridas. Assim, é impossível fugir do tom de reflexão quando assuntos como racismo, homofobia, sexismo, machismo são colocados em tela, acompanhados sempre de um momento engraçado, mas que aos poucos vai provocando no espectador aquela risada em um tom mais baixo e pensativa.
E esses pensamentos a cerca do que é abordado fazem com que tanto a metalinguagem quanto as referências empregadas nesta nova temporada sejam ainda mais importantes e engraçadas. Pois quando temos Kimmy e Titus assistindo ao streaming House Flix, é questionada a quantidade de episódios, temporadas e programas presentes neste tipo de serviço. Ou quando, em um dos episódios, assistimos a um documentário, onde vemos homens questionando a igualdade de gênero e se considerando oprimidos. Junto a isso, temos citações a Donald Trump, Harvey Weinstein, Game Of Thrones, Cindy Lauper. Todas não estão simplesmente jogadas aleatoriamente, fazem parte do contexto e ajudam no momento exato para compor piada, seja na fala ou visualmente.

Com isso, o fato da série abraçar o absurdo subverte as expectativas a cerca de uma narrativa comum, sobre uma jovem que vai para a cidade grande. Pois Kimmy permeia um caminho que sai da inocência para então perceber como as coisas funcionam de verdade, tendo que lidar com diversas situações como acusações de assédio, ajudar imigrantes ilegais e participar de uma feira de novos empreendimentos. Ao mesmo tempo, Jacqueline precisa fundamentar sua carreira como empresária, apesar de nada saber sobre a profissão e isso envolve Titus, seu único cliente, que além de lidar com as dificuldades de conseguir um trabalho, precisa resolver questões amorosas. E Lillian que continua tão sem sentido que qualquer uma de suas aparições é motivo para uma boa risada.
Falando assim, soa como mais uma sitcom qualquer, entretanto, quando os problemas se tornam válvula para piadas que quebram os conceitos mais tradicionais, tornam não só este quarto ano indispensável, como os anos anteriores da produção também.

A primeira parte da quarta temporada de Unbreakable Kimmy Schmidt resgata o absurdo, o sarcasmo e o humor sem preocupações que foram marcas dos dois primeiros anos, e que se perderam no terceiro. Apesar de já anunciada a segunda parte, como um final para a série (foi cogitada a possibilidade de um filme), a narrativa não se prende a uma despedida logo de cara, prepara o terreno para que então as próximas situações nada normais cheguem para encerrar as aventuras de Kimmy na cidade grande e responder algumas perguntas que ainda faltam. 
Porém o que fica como marca é o abraço forte que o roteiro dá a despreocupação e a despretensão em ser algo agradável, o que temos aqui é acidez, sarcasmo, críticas em doses altas. E disso a gente gosta muito!
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