Ads Top

Han Solo: Uma História Star Wars - CRÍTICA

Uma história Star Wars sem alma

Existem histórias que fazem parte de clássicos do cinema que estão envoltas em mistérios e fatos não contados. Isso ajuda a elaborar todas as camadas necessárias para tornar um personagem ou acontecimento ainda mais importante e instigante. 
Logo, quando a história de Han Solo decide ser contada, são perceptíveis as boas intenções, infelizmente, estas estão entrelaçadas ao didatismo e a falta de paixão por algo tão emblemático da cultura pop.

Han é um jovem que vive de golpes e transações escusas no planeta Corellia, porém, quando decide fugir para se tornar um piloto e ter sua própria nave algo dá errado, o que o leva diretamente para o Império. Lá ele irá conhecer um grupo de mercenários e quem se tornaria seu melhor amigo nas aventuras futuras, assim eles partem para executar um roubo grandioso, mas os problemas do jovem Solo estão apenas começando, o que pode prejudicar uma promessa feita no passado.

Ron Howard ficou responsável por tentar consertar a bagunça nessa história que ninguém havia pedido a LucasFilm. E como resultado somos entregues a uma produção insossa, desapegada de personalidade e anticlimática. O diretor até se esforça nas cenas de diálogos, onde a câmera foca nas expressões das personagens, tornando tais momentos um grande atrativo, principalmente quando o protagonista está ao lado de sua companheira de missões. Entretanto, não há nada emblemático quando o quesito é ação. Sobra potencial para a perseguição inicial, para a sequência num trem em movimento e até mesmo quando Millennium Falcon precisa decolar no meio do espaço. Tudo é automático, mecânico, sem fluidez.

Tal e qual a narrativa, arraigada em um didatismo exagerado e incômodo, que torna a produção refém de responder perguntas que, até o momento antes da exibição da película, faziam parte das camadas de mistério do personagem principal, de um modo que sua vida e personalidade são grandes trunfos de Star Wars por conta destes enigmas não desvendados. Porém, a trama quer explicar o percurso de Kessel em menos de 12 parsecs, que Han sempre atira primeiro, que o "Eu sei", após o "Eu te amo" de Leia tem uma origem, até mesmo o sobrenome é dado de forma absurdamente facilitada para compreensão de quem assiste. Da mesma forma tudo é conveniente durante a trama, tornando alguns atos arrastados e cansativos, como no clímax, onde as soluções são fáceis, rápidas, previsíveis e mal filmadas. E numa tentativa de não perder o público e causar uma surpresa, uma aparição nos minutos finais rende um sorriso bem-vindo, que acaba logo que lembramos de todo restante.

E quem sofre com esse roteiro é parte do elenco.
Alden Ehrenreich é um excelente imitador de Harrison Ford, pois não há aqui uma presença do personagem, todos os movimentos, ainda que iguais ao original, soam como um cosplay sem talento que tinha a roupa em casa e tempo disponível para as gravações.
Donald Glover, ainda que com pouco menos de tempo em tela do que esperado, estabelece o que já conhecemos de Lando de forma talentosa, mostrando ao protagonista, diversas vezes o que se deve fazer em cena. Woody Harrelson é o Woody Harrelson de sempre!
Paul Bettany consegue apresentar um vilão interessante, com personalidade e apropriado de causas maiores para suas maldades. Mas é Emilia Clarke quem carrega a película diversas vezes, ainda que pontual no primeiro ato, logo que sua personagem adentra a trama em definitivo, temos um acréscimo a narrativa consistente, crível e que sobrepõem Han em qualquer momento que dividem uma sequência, seja de diálogo ou não.

Han Solo: Uma História Star Wars é uma produção que parece resultado de questionário de revista voltada para adolescentes. Inexpressivo, sem personalidade e com uma narrativa didaticamente facilitada, perde-se a chance de contar algo inédito, de uma forma que honre tudo o que seu protagonista representa na galáxia do cânone.
Certamente, alguns fãs sairão felizes das sessões, por terem suas perguntas respondidas, mas o incômodo da película é algo que não se pode omitir simplesmente pelas piadas ou clima de aventura proporcionado, pois quando o desfecho se aproxima, a alegria que se tem de verdade é de que tudo aquilo está chegando ao fim. O fim de um concurso de cosplay, onde o tema era Star Wars, e o vencedor, vestido de Han solo, fez muito bem em reproduzir o original, infelizmente sem o cerne que faz do personagem o que é!

Nota: 2/5 (Regular)
Tecnologia do Blogger.