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Desejo de Matar - CRÍTICA

O discurso "bandido bom é bandido morto" de terras norte americanas
Justiça! Palavra que permeia diversos roteiros do cinema, seja ela praticada em prol de um ente querido ou aquela que literalmente acontece nos tribunais da sétima arte. Mas, como sabemos, o discurso apresentado que carrega este sentimento normalmente fica em uma linha tênue, que do outro lado encontramos a vingança. E ao atualizar um clássico dos anos 70, Eli Roth traz a tona a discussão sobre se devemos ou não confiar em que nos protege, armamento, com aquela boa dose de Bruce Willis atirando, que os fãs de ação sempre gostam.

Paul Kersey é um cirurgião de Chicago, que vive uma vida tranquila ao lado da esposa e de sua filha que está indo para faculdade. Porém, quando sua casa é invadida e sua família acaba sofrendo com as consequências, o médico parte uma jornada em busca de resolução para o que aconteceu, ao mesmo tempo, em que seus atos o tornam um "vigilante" para quem se vê a mercê da violência e do descaso policial da cidade.

Eli Roth não apresenta nada de inovador para esta produção, porém não deixa de realizar um trabalho competente. O diretor utiliza uma câmera que sempre foca nas expressões de seus personagens, valoriza as sequências de perseguição e tiroteio, até mesmo criando momentos criativos para os envolvidos em cena, abusa de uma fotografia acinzentada, escura, além de acrescentar montagens interessantes para que a narrativa possar ter uma continuidade dinâmica. Ao dividir a tela mostrando um tutorial de como se desmonta uma arma e uma cirurgia sendo realizada pelo protagonista, podemos perceber a transição pelo o qual o mesmo irá passar nos próximos minutos da produção.
Por sua vez, o roteiro permeia linhas de discussão com o público atuais e interessantes como o porte armas e facilitação para se obter uma licença, as dificuldades enfrentadas pelo sistema de segurança em lidar com diversos casos, o aumento da violência urbana e o principal deles, justiça sendo feita pelas próprias mãos. Fica nítido o posicionamento discursivo do roteiro que deixa claro alguns levantamentos sociais que envolvem falas que estamos acostumados a escutar, sendo uma delas a que abre esta crítica.

E por mais que a trama procure explorar tais pontos, tudo é raso e jogado abruptamente, como a fala do radialista ao final da película, que pode deixar qualquer espectador pensativo com a informação transmitida. Junte isso a um ritmo lento no segundo ato, que apesar de construir o ambiente para o clímax, acrescenta situações que não precisavam demandar tanto tempo, como a conversa com a psicóloga, que simplesmente nunca mais é visitada na história.

Tal história é encabeçada por Bruce Willis, que sabe o que fazer quando o quesito é ação.
Por mais que não seja jovem, o ator mostra total controle e domínio nas cenas de perseguição, tiroteio e combate, usando daquela expressão clássica que conhecemos, entretanto, quando precisa transmitir convencimento a cerca da dor do personagem, ou mesmo da profissão, perdemos em sua atuação, que se torna caricata e enfadonha. E antes que esse parágrafo acabe, preciso falar de Elisabeth Shue, que apesar de pouquíssimo tempo em tela, consegue um brilhantismo embreado a empatia pela personagem, que quando as situações ocorrem, há um compadecimento pela perda.

Desejo de Matar abre diversos parênteses sobre vários assuntos pertinentes para a sociedade atual, com uma direção que faz o seu papel de forma correta, sem exageros. Entretanto, por mais que se tente encontrar a tal profundidade no discurso da produção é errôneo ficar preso a este ponto, se deixarmos de lado que este é um filme de ação. Um clássico filme de busca por justiça e redenção. 
E é isso que encontramos em quase duas horas de película em tela, então muito mais que exigir uma narrativa carregada de pontos politizados, o que se espera é a formula costumeira dos filmes do gênero! E esta errado? Não! 

Nota: 3,5/5 (Muito Bom)
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