Ads Top

Deadpool 2 - CRÍTICA

Um filme família! De uma família que cheira cocaína, mata, mas ainda assim há muito amor

Deadpool é um daqueles casos de sucesso que o cinema recebe de forma inesperada. Por mais que os intitulados adoradores do mercenário, e defensores do "sempre fui fã", queiram afirmar que todo impacto da produção no gênero de super-herói era eminente, ainda assim, ninguém tinha real certeza. Público conquistado, obviamente uma continuação seria necessária, porém, toda sequência de um grande sucesso se vê perseguida pelas maldições que cercam Hollywood e franquias como esta, tendem a perder qualidade a medida que as histórias vão se estendendo. Neste caso, tudo é muito maior, impactante, agressivo e referencial. O que não quer dizer que seja excelente!

Deadpool quer morrer!
Após se encontrar em uma situação desgraçada, o anti-herói tenta se redimir ajudando um garoto mutante com problemas em controlar a raiva e seus poderes. Entretanto, um viajante no tempo chamado Cable, vem do futuro para assassinar o jovem, assim  cabe a Wade, juntar uma equipe para proteger o mutante e assim conquistar o que tanto quer. Seja morte ou redenção!

David Leitch nos entrega um dos seus trabalhos sem aquela assinatura que conhecemos de John Wick e Atômica. O diretor é exímio ao controlar a câmera e enaltecer a visceralidade. Todas as sequências de combate são elevadas a um nível maior e muito mais violento. 
As imagens focam na forma como os golpes acontecem, como os objetos são usados em cena e as consequências dos movimentos. Existem ao menos dois momentos memoráveis criados para a ação, um enquanto um bandido corre em direção a câmera, ao fundo, Deadpool faz literalmente a festa contra os capangas, e são diversos acontecimentos ao mesmo tempo. Em outra sequência, Leitch explora, superestimado pelo protagonista, o poder de Dominó, onde a sorte é quem comanda cada atitude, gesto, coisa, sem nenhum momento parecer entroncado, criando uma fluidez tanto na dinâmica dos personagens com o que ocorre, quanto no ambiente em que estão. É perceptível o fato da direção unir comédia e ação de uma maneira natural, dinâmica e assertiva.

A narrativa se sustenta novamente por piadas e referências que se o espectador não possuir um conhecimento a cerca de cultura pop, poderá se sentir perdido. O Mercenário Tagarela faz dele mesmo, do filme anterior, da franquia mutante, e de outras produções de estúdios concorrentes, uma grande piada, seja ela visual ou não. A exemplo da X-Force, que descaracteriza tudo aquilo que já temos de conhecimento a cerca da formação e do resultado de uma equipe formada. Isso em compasso a uma carga dramática o que deixa tudo mais denso e com um senso de perigo maior, fazendo jus a classificação que recebeu no Brasil para maiores de 18 anos. (O que, pensando bem, não era tão necessário)
Entretanto, este mesmo roteiro que proporciona momentos hilários repete e recicla situações do primeiro filme. Por mais que sejam ainda mais chocantes e até agressivos, tais fatos não descaracterizam a tentativa da produção de se levar a sério, principalmente no primeiro ato. O mais fraco de todos, pois as motivações demoram realmente a fazer sentido e a engrenar, o que rende uma dramaticidade nada convincente, forçada e enfadonha. Juntamos isso a personagens mal explorados e alguns que recebem partes de sua personalidade ou história, nos minutos finais da película, de forma abrupta e desleixada.

E por mais que se trate de filme que tem como base o pastiche, não podemos deixar de lado aspectos necessários para uma boa história ser contada em tela!

Tal história que deve muito ao seu protagonista.
Ryan Reynolds está confortável no papel de Wade Wilson, mas isso não quer dizer que esteja acomodado. Pelo contrário, o ator faz além do que já vimos no primeiro filme, seja através das piadas ou dos momentos onde deveria se emocionar, onde também consegue arrancar risadas do público. 
Morena Baccarin, apesar do pouco tempo em tela, ainda é a melhor companhia do protagonista, pois de igual pra igual a presença de Vanessa é tão importante e nada convencional quanto de Wade. 
Zazie Beetz se torna então um dos grandes nomes desta produção, dando vida a uma Dominó sarcástica, bem humorada, inteligente e confiante, trabalha bem nas sequências de ação e fica no mesmo patamar de Deadpool quando o quesito é o escracho alheio. 
Já Josh Brolin é competente em seu Cable, excelente nos momentos de combate, mas a falta de camadas do personagem acabam deixando sua participação as vezes sem o impacto necessário, como se outro herói pudesse fazer o mesmo que ele na narrativa.

Deadpool 2 é visceral, engraçado, pontualmente surpreendente e família. 
Não aquela tradicional, mas aquela que briga no almoço de domingo, faz fofoca e revela segredo constrangedores alheios.
Fundamentado nas referências e nas autorreferências, o filme é dirigido com competência, fazendo bem a mescla ação e comédia, sem perder o que se estabeleceu no original. Entretanto, ao elevar a dramaticidade, permeia um caminho que o mesmo faz piada, e acaba perdendo ritmo logo de início ao estabelecer uma problemática que só é lembrada graças a um recurso narrativo.
Ao final, a diversão não se perde em meio aos problemas, do contrário, tudo é elevado para arrancar diversas risadas da platéia, seja com o protagonista, ou com quem é alvo de seus comentários (Wolverine que o diga), mas como toda piada que é contada pela segunda vez, a gente até ri, seja pela amizade por quem está contando, ou porque o grupo está rindo. 
O que nos faz ter certeza, aqui sim, de que haverá mais uma parte das "Aventuras de Wade Wilson, o Deadpool"!

Nota: 3,5/5 (Muito Bom)
Tecnologia do Blogger.