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13 Reasons Why: Segunda Temporada - CRÍTICA


Logo que terminei de assistir a primeira temporada de 13 Reasons Why me perguntei por que a série não tinha um final? Onde estaria a justiça pelo que aconteceu com a Hanna e principalmente porque iria ter uma continuação? Pra mim, essa deveria ser uma série de uma temporada só, afinal a mensagem que foi transmitida, apesar de muito importante é também muito perigosa e poderia ativar, sem que fosse a intenção, alguma espécie de gatilho em algumas pessoas. Demorou algum tempo até eu entender o que eu realmente tinha visto e foi apenas nos primeiros minutos do primeiro episódio da segunda temporada que entendi e mudei radicalmente de opinião. Havia sim muito mais para se contar, muito mais para se discutir, aquela conversa não poderia parar ali naquele suicídio.

Na primeira temporada Hanna (Katherine Langford) queria que as pessoas conhecem sua história pelo ponto de vista dela, queriam que ouvissem através dela o que ela havia acontecido, sentissem sua dor. Por experiência própria ela sabia que a verdade podia ser distorcida e aquele foi o jeito dela impedir que isso acontecesse quando ela mesma já não estivesse lá. Agora na segunda, concluímos que de fato que o que ela temia se torna verdade, todos de alguma forma tentam invalidar os motivos que levou ela a seu trágico fim, de um jeito canalha.


Mas a segunda temporada não é sobre a Hanna, é sobre aqueles que sobreviveram: Clay (Dylan Minnette) que de alguma forma se vê atormentado pelo fantasma da injustiça materializado na sua cabeça na forma da própria Hanna, tenta de todas as maneiras que encontra trazer alguma justiça para sua paixão platônica do passado, mesmo em alguns momentos sua crença de que a garota era uma vítima seja posta em cheque por motivos de certa forma egoistamente machistas. 

Alex (Miles Heizer) se recupera da sua própria tentativa de suicídio na qual não obteve tanto sucesso, mas que teve severas consequências. O garoto sofre com os constantes ataques de raiva que normalmente é consequência do tratamento extremamente cuidadoso daqueles que o rodeiam, que é um retrato muito interessante da vida das pessoas que sobrevivem a uma tentativa de suicídio.

A mãe de Hanna, Olivia (Kate Walsh),  entra como uma das protagonistas da série também, ela está a frente de um processo que move contra a escola Liberty pela culpa da morte da filha. Além disso, com tudo acontecendo, ela ainda tem que encontrar uma forma de seguir em frente, mas de qual forma seguir em frente depois que sua filha se suicidar? A culpa que te corrói por dentro e por fora, sua família que se desestrutura, não é uma tarefa fácil.


Jessica, tenta se recuperar da violência que sofreu buscando conforto em um grupo de vítimas de estupro. Foi uma forma bem didática que a série encontrou de dialogar e ajudar pessoas que passaram pelo mesmo tipo de experiência que a personagem. 

E ainda temos Bryce (Justin Prentice) que continua sendo o retrato da opressão, se sentindo sempre acima da lei e de fato confirmando isso. É repugnante e revoltante ver ele saindo praticamente impune, se a ideia foi essa pelo menos comigo funcionou.

Mas quem leva o destaque nessa temporada é Tyler (Devin Druid), que protagoniza uma das cenas mais asquerosas e difíceis que eu já vi em toda a minha vida. O garoto é alvo constante de humilhações e mesmo quando tenta de alguma forma retornar as situações, novamente humilhações, até que ele também não aguenta mais e decide seguir por um caminho tão torto quando Hanna, mas talvez ainda mais problemático.


As atuações são excelentes! Nunca vi atores tão jovens e tão bons reunidos de uma só vez ainda mais em papéis tão difíceis, todos com uma linearidade de atuação muito boa, alguns com mais destaque claro, mas isso apenas porque o roteiro pede.

Essa temporada não é só coisa boa também, algumas tramas desnecessárias aqui ali, alguns personagens extremamente inúteis (Tony, Christian Navarro), porém a série consegue manter um ritmo agradável mesmo com suas quase 13 horas.  

Novamente eu chego no fim dessa série com a mesma pergunta, onde está a justiça? Onde está o final? Porém dessa vez a resposta está um pouco mais clara na minha cabeça: infelizmente a vida não é justa! Ainda sim, todos os assuntos abordados em 13 Reasons Why, precisam ser discutidos, pra que o bullying, cultura do estupro e muito mais não continue se repetindo como um ciclo vicioso.
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