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Um Lugar Silencioso - CRÍTICA

A tensão se estende até o momento em que esta crítica é escrita

Toda experiência cinematográfica deveria servir para mexer com todos os sentidos do público. Audição e visão precisam ser colocadas diante de um turbilhão de acontecimentos, já que a industria dos filmes passou a "mastigar" pelos seus espectadores, tanto nas explicações, quanto nos sentimentos provocados. Mas em Um Lugar Silencioso somos levados a um período de quase duas horas onde o som fará com que todas as percepções de quem assiste se entrelacem em uma só. 
E aproveite isso o máximo que puder!

O mundo foi devastado por criaturas que caçam através de som, assim uma família tenta sobreviver se comunicando apenas por sinais, sem fazer qualquer ruído. Até o momento que algo dá errado, os colocando em condições extremas, onde tudo que produz som pode se tornar um sinônimo para morte.

John Krasinski elabora um verdadeiro espetáculo sonoro.
É estranho começar este parágrafo desta forma, já que se trata de um filme cuja temática é o silêncio, mas o vento, as folhas, o virar das páginas de um jornal na rua, os passos na areia, o diretor, aliado ao esplêndido trabalho de design, edição e mixagem de som, engrandece o menor tilintar, fazendo com que a queda de um lampião, ou a batida de uma porte se tornem quase ensurdecedores, enquanto seus personagens, em pouquíssimas falas, permeiam o ambiente quietos.
Assim, os sustos ocorrem em momentos precisos, a atmosfera de tensão vai crescendo gradativamente e conforme as situações extremas ocorrem, como um parto, o diretor exalta o poder da quietude e a incapacidade "obrigatória" de emitir sons por conta da sobrevivência.

A narrativa prepara o público para o pior desde os minutos iniciais da trama, pois é perceptível o ambiente insólito e cruel no qual a família está inserida, o que facilita também a empatia pela trajetória de cada um. Tudo isso com um roteiro que abre e fecha um arco único com assertividade, sem a necessidade de grandes explicações ou reviravoltas demasiadas. Da mesma forma, o design das criaturas e a forma de ação, casam perfeitamente com o que é estabelecido. Principalmente gerando medo e apreensão.

O elenco então vivencia cada um desses elementos.
Emily Blunt demonstra força, preocupação e vulnerabilidade apenas com olhar, protagonizando um das cenas de nascimento mais angustiantes do cinema. 
John Krasinski é a tensão estampada em tela, o medo, a angústia é palpável e se torna parte do público. Além de demonstrar um talento único para filmes de gênero.
E Millicent Simmonds vai além de um elemento narrativo, seus gestos, o semblante, exibem muito mais do que se pode pensar a primeira vista, fazendo com que entendamos suas ações durante a trama.

Um Lugar Silencioso é uma experiência sensorial executada com maestria. Uma ótima produção de suspense e terror que movimenta todas as emoções de quem assiste, captura a atenção e provoca o nervosismo a um nível das mãos ficarem presas a poltrona. A proposta de uma história como essa demonstra o quanto o cinema ainda consegue realizar o feito de fazer o espectador sair atônito e cambaleante de uma exibição. E desta vez, na maioria do tempo, sem emitir sons.
Aproveite tudo o que essa película pode provocar em seus sentidos!

Nota: 5/5 (F*D@ PR# C*RAL#O)
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