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Rampage: Destruição Total - CRÍTICA

Existem filmes que nem o carisma de The Rock salva


Alguns atores conseguem conquistar o seu espaço devido ao talento e carisma que possuem. Dwayne Johnson, o The Rock, é um desses casos, pois quando na maioria das produções de ação atuais ele se faz presente a afirmativa inicial é comprovada.
Assim, juntamos o herói cinematográfico com animais geneticamente modificados, em meio a muita destruição, correria, explosões, tiros e o que temos? Uma produção que pontualmente gera bons momentos, mas confusa nos caminhos que deseja trilhar.

O experimento genético de uma empresa acidentalmente cai na terra e acaba por atingir animais, em diferentes locais, lhes causando mutações que vão desde o aumento de tamanho, força, até novas habilidades. Então cabe ao primatologista Davis, a cientista Kate e o agente do governo Russel, encontrar a cura para tornar os animais o que eram, antes que a cidade de Chicago seja destruída.

Brad Payton tenta controlar a ação criada pelo roteiro, entretanto parece que o caminho desta vez é inverso. O diretor não faz escolhas adequadas para sua movimentação de câmera. Ora quer que vejamos tudo pelo ponto de vista de um dos animais, ora escolha planos rápidos, evidenciando a violência, mas que mal servem para nos auxiliar no entendimento da cena, e quando tudo parecia confuso, utiliza uma câmera caseira para dar um close em seu protagonista, o que tira o mérito da boa sequência de ação anterior que acontece dentro de um avião. Junte isso à efeitos visuais mal finalizados que beiram o amadorismo, fazendo com que o diretor opte por mostrar uma de suas criaturas apenas de longe, pois se torna gritante o quão artificial é aquilo em tela.

O roteiro também não contribui para a história engrenar.
Repleto de obviedades e com um momento "deus ex-machina" a cada dez minutos, personagens parecem adquirir telepatia ao carregarem algo importante para o plano de outros, helicópteros espalhados a esmo pelo ambiente pra facilitar a vida de quem está em perigo, mas nada disso é tão ruim quanto as mesmas frases de efeito presentes em qualquer outra produção de ação genérica como: "Por favor, tente não morrer!" ou "O que é isso?/ É o que vamos descobrir!"
Por mais que seja sabido que o material assistido carrega o peso maior voltado para diversão, é necessário também entender que este tipo de produção funciona mais escolhendo, ou não, abraçar a galhofa, sem a necessidade de subtramas governamentais ou científicas.

O elenco também não auxiliar para que este filme agrade.
Dwayne Johnson continua carismático, continua ótimo para as sequências de combate, entretanto é um emulado de qualquer outra aparição sua em Hollywood. Nada de novo aqui, até as frases emitidas certamente já foram usadas por ele em outros papéis. Naomie Harris parece perdida em todo tempo, além da personagem possuir camadas que são explicadas em um minuto e esquecidas logo em seguida. Mas quem parece estar se divertindo é Jeffrey Dean Morgan, que brinca com o sotaque e as falas do seu personagem, indo do canastrão ao clássico cowboy americano dono da lei.

Rampage: Destruição Total não é ao certo uma adaptação de um game, pode até carregar parte da essência da mídia original, porém sofre com a direção desleixada, sem personalidade e que não sabe quais caminhos narrativos e estéticos quer percorrer. 
Numa era de roteiros fáceis e "mastigados", a película será um prato cheio para quem simplesmente quer se desconectar de tudo e aproveitar as piadas, a destruição; por outro lado, o olhar mais atento irá perceber a falta de cuidado tanto na história quanto no design das criaturas e por mais que tente, o carisma de sempre do ator principal não sustenta mais de uma hora e meia dessa vez. 
Agora eu entendi o sinal usando o dedo do meio que o gorila faz!

Nota: 2/5 (Regular)
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