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Eletric Dreams - CRÍTICA

Eletric Dreams não é Black Mirror, mas Black Mirror é Eletric Dreams


Philip K. Dick é um dos grandes nomes quando pensamos em literatura de ficção científica.
A forma como criou histórias envolvendo realidades distópicas, o medo da tecnologia, misturado a diversos elementos de fantasia, fazem parte de grandes escritos considerados clássicos.
Assim, suas obras jamais poderiam passar despercebidas por outras mídias, logicamente, gerando adaptações do que a mente de K. Dick havia imaginado. E Eletric Dreams traz não só os contos deste autor ganhando vida, mas todas as discussões filosóficas que precisamos!

Eletric Dreams é uma série do serviço de streaming da Amazon, o Amazon Prime. Baseada em diversos contos do mencionado autor norte-americano, a produção em formato de antologia de episódios, apresenta histórias que vão desde os problemas gerados pelo consumismo, tecnologia, pessoas com dons especiais à escolhas a cerca da realidade, vida e humanidade.

Cada episódio traz uma assinatura ímpar desde movimentação de câmera a fotografia. 
Com diferentes diretores para cada um dos contos adaptados, não ficamos limitados somente nos acontecimentos no futuro distópico que o autor imaginou, vagamos por diferentes realidades que são apresentadas de forma crível, com elementos diferentes. O design de produção evoca outras produções do gênero, usando bem das figuras geométricas nas ambientações, criando cenários onde a tecnologia se destaca ou não. Ao mesmo tempo as cores ajudam a contribuir com a narrativa, episódios como Real Life, Human Is e Crazy Diamond há predominância do cinza, azul, em cenários mais introspectivos, já em The Hood Maker, Autofac e Safe And Sound, os tons mais quentes predominam, nos deparando com ambientes mais abertos.

Mas é o texto que se torna um dos grandes atrativos da série.
Os diálogos são carregados de questionamentos, até o mais simples momento que possa parecer, se torna um enunciado para dissertação sobre a vida, realidade e tudo mais que cercam aquelas pessoas. Desta forma os episódios não precisam carregar uma reviravolta absurda, apesar de que alguns tenham, para se sustentar como uma boa história de ficção científica pois o que ocorre durante a narrativa vai construindo os pensamentos necessários para uma surpresa gradativa e pontualmente impactante. 

E assim Philip K. Dick se faz presente em cada momento dos episódios, não é apenas uma adaptação, mas uma imersão no que o autor trouxe de inovador para um gênero carregado de futurismo e medo.
No primeiro episódio, Real Life, encontramos uma narrativa sobre o que é real.
Autofac nos apresenta uma crítica ao consumismo e a mente a humana.
Em Human Is, somos questionados sobre o que é ser humano verdadeiramente.
Já em Crazy Diamond, é tratado sobre experimentos genéticos e artificialidade da vida.
Em The Hook Maker o melhor de todos, encontramos a temática de preconceito, autoritarismo e telepatia.
Safe and Sound, falará sobre a tecnologia e como estamos ligados a ela, tendo que nos adaptarmos a novas formas.
No episódio Father Thing, temos invasão alienígena.
Impossible Planet brinca com viagens especiais e temporais.
Em The Commuter, há toda uma narrativa sobrenatural.
Por fim, Kill All Others, permeia as questões de controle pelo governo e mídia.

Eletric Dreams não é Black Mirror, mas Black Mirror possui muito Eletric Dreams, que por sua vez é Philip K. Dick, pelo simples fato de que a série da Amazon permanecer fiel a uma estrutura narrativa original, sem a preocupação de causar o espanto obrigatório quando os créditos aparecem ao final do episódio. 
A antologia apresenta conceitos importantes da ficção científica, necessários para permear outros mundos além daqueles que os dez episódios apresentam. Ao final, inúmeros questionamentos são apresentados, discussões pertinentes e atuais vem a tona fazendo com que não seja esquecido o que foi visto. Talvez fiquem os medos, os receios e as preocupações sobre o que pode acontecer com a humanidade daqui um certo tempo, mas o mais interessante é que boa parte destes "futuros" apresentados pelo autor, já acontecem, já vivenciamos. Então cabe a nós acreditar ou não!
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