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Desventuras em Série - 2ª temporada - CRÍTICA

É melhor não olhar!



"Mais uma noite chega e com ela a depressão". Parafraseando Kelly Key, devo começar esse texto dizendo a você, que ainda dá tempo de desistir dessa história e correr para bem longe, onde você possa assistir algum filme divertido, uma série cômica ou até mesmo fazer vários nada na paz de Jeová (ou qualquer seja a força em que você acredite ou não). Devo dizer também, que é de sua completa, inteira e total responsabilidade os efeitos causados pela leitura deste texto, que podem incluir desespero, hype, curiosidade e, maratona de uma série que vai te deixar num sentimento de apego tão profundo quanto um passeio de submarino.

Desventuras em série teve sua segunda temporada disponibilizada na Netflix (#MISSNETFLIX) no dia 30 de março e chegou surpreendendo. Foi tanta informação que levei um tempinho para processar e, apesar de a produção ainda apresentar alguns problemas, o crescimento e desenvolvimento é algo notável (e louvável, diga-se de passagem).

A segunda temporada começa no ponto  exato onde o oitavo episódio da primeira temporada (crítica aqui) termina: Num corredor de uma escola/internato com os órfãos Baudelaire a espera de alguém ou alguma coisa. Esse episódio e o subsequente correspondem a adaptação do quarto livro da série de 13 livros do autor Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler): "Inferno no Colégio Interno". Nessa temporada veremos para além deste, mais quatro livros da série: "O Elevador Ersatz", "A Cidade Sinistra dos Corvos", "O Hospital Hostil" e "O Espetáculo Carnívoro", totalizando 9 livros já adaptados para a série.


Os irmãos Baudelaire encaram desventuras ainda piores nesta temporada (sim, a máxima "nada é tão ruim que não possa piorar" funciona muito bem aqui) e não há quem não fique aflito com o desenrolar da trama. Os problemas encarados no colégio interno são só um aperitivo para o que está por vir e garanto a vocês, são coisas muito piores que as já enfrentadas, e vão desde um barraco com caranguejos, passando por uma queda infinita num elevador falso e uma perseguição por moradores de uma vila até uma operação de remoção de crânio seguida por leões famintos prontos para devorar qualquer um. A vida dos órfãos está longe de ficar mais fácil, mas a série no entanto, está maravilhosa! Praticamente um ano se passou na vida dos Baudelaire e é incrível acompanhar o desenrolar da história e o crescimento físico e intelectual dos personagens (comparemos a Sunny da primeira temporada e a Sunny desta temporada).

Fomos presenteados com várias surpresas nessa segunda temporada: Easter eggs; Canções mais elaboradas; Personagens aparecendo de forma adiantada e também novos personagens; Mais easter eggs; Melhora na fotografia (thanks god) e personagens numa construção mais consolidada e original que nunca, que o diga Neil Patrick Harris, que saiu da sombra do Olaf do Jim Carrey e assumiu uma identidade que combina muito mais com o personagem do livro, nos fazendo odiá-lo com todas as forças e amá-lo por esse presente.

E por falar em presente, a direção de Barry Sonnenfeld e Daniel Handler trouxe nesta nova fase, uma surra dos já citados easter eggs. Logo nos primeiro minutos do primeiro episódio, temos o maravilhoso livro 1# intitulado "A pôndega do pônei", que faz parte do Universo ASOUE (A serie of unfortunate events) posicionado despretensiosamente num canto da tela. No decorrer dos episódios, o livro acaba por reaparecer junto com outros elementos dos outros volumes como um açucareiro por exemplo. Num outro episódio, outro livro do universo é citado, o "Quem poderia ser a uma hora dessas?", isso sem contar o cuidado em incluir no cenário, elementos da próxima desventura. Para os amantes da série, uma delícia observar e reconhecer tais elementos.

Uma bela referência e um gancho para o próximo assunto, é a aparição de Allison Williams (Corra! O filme nesse caso). Quem ela seria? Uma voluntária? Um dos pais dos Baudelaire? Tenho a impressão que seja uma personagem que veremos a partir dos próximos episódios (e livros) e de uma grande importância para a história. Quem leu, sabe de quem falo, pra quem ainda não leu, fica aqui um suspense! Além de Allison, temos novos atores em atuações maravilhosas como Avi Lake e Dylan Kingwell como Isadora e Duncan, os trigêmeos Quagmire aos quais somos apresentados no final da primeira temporada e início da segunda, tendo eles, um papel marcante e importante nesta temporada; Kitana Turnbul como a detestável mini vilã Carmelita Spats; Nathan Fillion (Richard Castle em Castle) num perfeito Jacques Snicket, nos trazendo algumas respostas e muitas perguntas; Lucy Punch (Caminhos da Floresta) numa excepcional e muito In Esmé Squalor e Sara Rue (Popular; Less  Than Perfect) que deu um show como Olivia Caliban, a bibliotecária voluntária mais doce e forte que poderíamos conhecer. O elenco veio bem afinado com personagens bem construídos e destaque aqui, para as crianças que tiveram uma evolução louvável. Tivemos a participação também da família de Neil, seu esposo David Burtka e os filhos do casal, Harper Grace Burtka-Harris e Gideon Scott Burtka-Harris participam dos últimos episódios como público do show de aberrações.


Quem acompanha as lives do Geek Guia, deve ter me visto reclamando da fotografia da primeira temporada e acertaram a mão dessa vez! Good Job Netflix. O filme ainda ganha? Sim! Mas as cores, cenário e figurinos estão muito melhores nesta temporada, não deixando a desejar na elaboração e ambientação.

E, como nem só de elogios e hype vive o homem, algumas pontas soltas da primeira temporada acabaram desfiando e ficando mais soltas ainda nesta segunda temporada, e algumas decisões não combinaram muito com a proposta do livro afinal. Que fim levaram os supostos pais dos trigêmeos Quagmire? Porquê colocar piada onde não existe piada? Fica aí meu questionamento Me nota Netflix

De modo geral, Desventuras em Série - 2ª temporada foi uma boa surpresa, ainda que tenha terminado num cliffhanger de partir o coração, nos fazendo cair em desespero, implorando por uma previsão de lançamento da terceira e última temporada (que já está sendo gravada. Eu ouvi um Amém?). Nos resta agora, chorar, aproveitar essa guinada sensacional na produção da série e aguardar o grand finale revendo os episódios, relendo os livros, caçando easter eggs e acompanhando o Geek Guia!
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