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Tomb Raider: A Origem - CRÍTICA

I'm a survivor! I'm gonna make it! I will survive! Keep on survivin'

2001 e 2003 foram os anos que trouxeram as aventuras de Lara Croft na pele de Angelina Jolie para o cinema. Toda hiper-sexualização da personagem estava lá, além de caras e bocas tão caricatas que nem a heroína dos games seria capaz de fazer nos gráficos. 
O tempo passou, Alicia Vikander foi escalada e novamente o espírito que amaldiçoa os filmes baseados em games sai de sua tumba para trazer o terror, devastando toda credibilidade, potencialidade. Esperem! Acho que misturei parte da história do novo filme nisso aí. Mas ninguém vai se preocupar com isso, não é mesmo? 
Acho que agora eu pensei igual a um dos roteiristas. Ainda assim, a experiência é satisfatória!

Lara vive em Londres, trabalha como entregadora, mas na verdade é a herdeira de uma fortuna deixada por seu pai, Richard, desaparecido em uma expedição. Quando a jovem decide então assumir as responsabilidades da família Croft, começa a desvendar segredos que trazem a tona a verdade sobre o que realmente seu pai fazia e que a levará em uma aventura de perigos extremos.

Roar Uthaug demonstra total habilidade quando as cenas de ação se fazem necessárias.
A câmera se movimenta aproveitando ambientes, transitando por entre objetos de cenas, veículos e construções. Recria os momentos do jogo de 2013 com total fidelidade e preocupação para com aqueles que são fãs da franquia trazendo sequências como a do barco de Lara chegando a ilha, e do avião na cachoeira, com um senso de periculosidade aumentado. Há tensão real seja quando vemos ondas se chocando ou estruturas enferrujadas desmoronando com alguém dentro que precisa escapar.
Isso se dá também pelo fato da protagonista ser levada ao extremo para sobreviver, pois as imagens não deixam de acompanhar de perto os tombos, golpes sofridos, machucados e outras escoriações. Lara sofre, mas sofre do jeito que enaltece a inexperiência como uma aventureira. Sendo assim, a produção emula momentos e diálogos da mídia original, o que pode deixar boa parte do público que conhece a história satisfeito.

Entretanto há uma certa facilitação e preguiça se analisarmos o desenvolvimento da trama.
O enigmas são facilmente decifrados sem qualquer tentativa de estabelecer que a heroína conhecia aquilo previamente e de forma profunda, o que deixa um sentimento de diminuição da capacidade da mesma de pensar, o que reflete em nós espectadores. Além de resoluções abruptas, apressadas, e relações que não convencem. 
Richard e Lara Croft não estabelecem bem sua relação de pai e filha, e os flashbacks que deveriam ajudar a encaixar este ponto a trama, não fazem o trabalho direito, já que as cenas são repetidas e duram segundos, com as mesmas frases, mesma despretensão de realmente haver um vínculo importante ali.

Mas precisamos falar sobre Alicia "Mulherão da Porra" Vikander!
A atriz oscarizada dá vida, personalidade e carisma a sua Lara, por mais que o roteiro volta e meia lhe entregue frases rasas, não construa decentemente sua relação com outros personagens, o talento, a entrega e a capacidade de estabelecer em tela o desenvolvimento de uma heroína tão importante, ofuscam qualquer outra presença no elenco. A empatia gerada faz com que o público sofra, se preocupe e até mesmo sinta aquele arrepio quando ela esta caindo de algum lugar ou se fere gravemente. Você deseja que Lara consiga, torce e quer ver sua força em tela. E temos isso!
Alicia é a Croft definitiva. Ponto!

Tomb Raider: A Origem pode não ser a adaptação de games definitiva para o Cinema, que irá por fim a todos os erros antes cometidos, porém diverte, estabelece uma possível franquia com uma personagem carismática, apresenta sequências de ação e perigo bem executadas, apesar de pecar com um roteiro moroso, inconsistente e recheado de facilitações narrativas. 
Entre erros e acertos, sempre fica aquele sentimento de que a sétima arte não aceita e não sabe o que fazer com esse tipo de material. E não é deixando as coisas mais inteligíveis que o sucesso irá ocorrer. Já que o público conhecedor também irá reclamar se for feito o "copia e cola" de cenas ou o excesso de inovação.
Por fim, chegam ao final as duas horas da película e o saldo é positivo, pelo simples fato de que o entretenimento existiu. E um dos grandes trunfos do cinema é justamente esse!
E sim, queremos Alicia Vikander de volta!

Nota: 3,5 (Muito bom)
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