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Operação Red Sparrow - CRÍTICA

O primeiro ato do filme vale pela produção inteira
Espiões sempre foram retratados no cinema como pessoas com habilidades espetaculares, sejam para manipular ou executar inimigos e missões perigosas. Desta forma, as mulheres que fazem parte deste seleto grupo de agentes também caíram neste esteriótipo, mas de uma forma piorada, onde simplesmente são armas de sedução. Assim Francis Lawrence nos entrega uma obra entroncada e cansativa, que evoca totalmente uma objetificação feminina exagerada. 
E não estou falando apenas das várias cenas de Jennifer Lawrence nua!

Dominika Egorova era uma bailarina de sucesso, entretanto um incidente acaba por destruir sua carreira na artes. Sem recursos para cuidar de sua mãe doente, ela decide se tornar uma espiã Russa, fazendo parte dos Sparrows, treinados para utilizar da sedução para conseguir o que querem em prol do país. Mas a medida que a jovem vai adentrando este mundo, percebe que sair dele não será tão fácil, ao menos que use suas habilidades para sacrificar tudo e todos.

Francis Lawrence entrega uma direção apática.
A movimentação de câmera não apresenta nada de espetacular ou notável, é algo simples, que as vezes transmite uma falta de personalidade. O interessante do seu comando é a visceralidade com que trata as cenas de tortura, agressões e até mesmo, manipulação sexual. Logicamente, a fotografia, que ousa nos tons avermelhados contribui para tornar o ambiente propício a tais momentos, assim como a trilha sonora, com toques de piano, instrumentos de corda. É como se estivéssemos ainda assistindo o balé da protagonista.

Porém Operação Red Sparrow se prende em arcos que não são interessantes ao público para dar prosseguimento a sua história. É inevitável fazer comparações a Viúva Negra da Marvel, porém falta nesta narrativa a energia que a heroína citada possui. O primeiro ato do filme funciona assertivamente, mostrando a vida de Dominika, a triste situação de sua carreira e a entrada na escola dos Sparrows. A partir daí o roteiro quer criar uma trama complexa que não se sustenta, é cansativa, enfadonha, onde se tem a problemática do agente americano e seus parceiros, a missão do agente americano, uma secretária da embaixada, a missão de Dominika, a missão da colega de apartamento de Dominika, a relação de Dominika com o chefe, a relação de Dominika com o tio... Ou seja, cria-se uma amaranhado de histórias que se arrastam por mais de duas horas, e que são finalizadas em cinco minutos, em uma sequência de troca de informantes insossa, escorada em uma reviravolta que até surpreende, entretanto se bem analisada, não faz sentido devido aos furos que o roteiro deixa.

E do elenco o que importa é a atuação de Jennifer Lawrence!
A superestimada atriz consegue ir da inocente a agressiva, manipuladora a manipulável, da verdade a mentira causando total surpresa em alguns momentos em quem assiste. Ao mesmo tempo, o drama que a espiã vivencia, desde a saída do balé, as preocupações com a mãe, os abusos e traumas que sofreu até chegar em sua missão, geram total empatia. É quase que automático o desejo por uma resolução decente para protagonista. Ela a tem? Sim, porém não foge das inconstâncias da narrativa.

Operação Red Sparrow soa mais como uma tentativa falha de trama inteligente de espiões, caminhando por uma trilha que mais parece um labirinto interminável de arcos desnecessários, sustentada por uma direção sem expressividade, objetificando em tela o corpo feminino, com cenas exageradas, desconfortáveis e até mesmo, misóginas. Você pode pensar: "Mas os filmes de James Bond sempre trouxeram mulheres dessa forma", pode até ser, mas em tempos onde é necessário sustentar argumentos com base na realidade, e falo tanto de roteiro quanto de discursos pessoais, a película não tem o valor necessário para discussão desses problemas, tão pouco para o divertimento.
Pois pude contar quantos bocejos carregados de mesmice consegui soltar durante a produção. 
E foram vários!

Nota: 2/5 (Regular)
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