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O Mecanismo - CRÍTICA


O Mecanismo é uma série perigosamente avessa a ideologias políticas, tanto que mal foi lançada pela Netflix e muita gente já se sentiu ofendida, disparando críticas negativas sobre a série, inclusive a própria ex-presidente do Brasil. Para outros, me incluo no meio, esse é o principal grande mérito de O Mecanismo.

A Operação Lava-Jato e seus desdobramentos é o plot principal da trama de José Padilha e Elena Soarez. Marco Ruffo (Selton Mello) é um delegado da Polícia “Federativa” que sempre fora empenhado em expor corruptos, em 2003 descobre um grande esquema de lavagem de dinheiro em um banco protagonizado pelo doleiro Roberto Ibrahim (Enrique Diaz). Quando todo seu trabalho em provar que Ibrahim é corrupto vai por água abaixo, deixando ainda mais em evidência que sempre há uma brecha na justiça, o descontrole de Ruffo acaba o afastando do seu cargo. Mais tarde em 2013, sua aprendiz Verena Cardoni (Caroline Abras) está a frente de uma nova investigação em cima de Ibrahim e ela acaba descobrindo um esquema de proporções gigantescas que virá a ser conhecida como operação lava-jato.

Padilha não consegue deixar de lado sua narrativa EXTREMAMENTE didática e em determinado ponto essa narração de fundo explicando cada detalhe da trama fica bem cansativa e deixando uma sensação ruim, como se nós espectadores não fossemos capazes de acompanhar o que está acontecendo na tela.
Apesar da trama ser baseada em um conhecidíssimo esquema de corrupção brasileiro altamente complexo, esse estilo fica um pouco enfadonho quando se trata de uma série. Entretanto pode ser agradável para aqueles que já estão acostumados com Narcos ou outras obras do diretor.


Assim, é preciso destacar a atuação de Enrique Diaz como Roberto Ibrahim, que entrega um personagem debochado, carismático com um ar de superioridade detestável e ao mesmo tempo divertido. Caroline Abras convence como uma delegada forte e impetuosa e segura seus momentos de protagonismo com muita autoridade. Já Selton Mello... novamente parece entregar o mesmo personagem - ele mesmo - com oscilações boas e quando parece que ele vai conseguir ir além do seu tom monocórdio extremamente sem graça, ele simplesmente não consegue.

No fim a netflix entrega uma série mediana, mais para desinteressante do que para relevante de fato. Dos pontos positivos é a coragem de alfinetar todo mundo diretamente ou indiretamente envolvido no caso, a qualidade cinematográfica da série dá esperança de ver obras brasileiras seguindo por esse caminho. Entretanto a série podia deixar de lado algumas subtramas desnecessárias, aprofundando mais nas relações políticas e escancarando a corrupção em proporções ainda maiores, já que a produção começa usando o pretexto de que é uma dramatização baseada em fatos reais. Pelo menos, ao meu vir, a trama poderia seguir mais por um caminho estilo House of Cards.


Apesar de tudo estou ansioso para a possível próxima temporada da série, porque ainda acredito em seu potencial. Afinal é baseada em uma fonte inesgotável de tramas possíveis, infelizmente reais.
Cá entre nós, vamos “estancar essa sangria” chamada polarização? Ao final, é preciso entender que a corrupção não escolhe um lado específico, como a série insiste em dizer sabiamente, a corrupção se espalha assim como um câncer não importa a ideologia que isoladamente cada um defende.
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