Ads Top

O Destino de uma Nação - CRÍTICA

Este Oscar é do Gary Oldman, fazer o quê né?!


Colin Firth, Helen Mirren e Meryl Streep já conquistaram suas estatuetas representando figuras icônicas da história britânica. Parece até mesmo uma sina de quem se coloca a disposição para dar vida em quem realizou atos que entraram para a memória da humanidade. Assim, chegou a vez de Gary Oldman! 
Talvez para os mais novos seja necessário lembrar que este ator é quem deu vida ao Sirius Black na saga Harry Potter, para nós, mais velhos, é aquele intérprete que quando pode grita em cena. E como grita! Mas O Destino de uma Nação tenta não ser apenas "Gary Oldman". Tenta!

A cinebiografia narra os trinta primeiros dias de Winston Churchill como primeiro-ministro da Inglaterra. Trazendo assim sua luta em se tornar forte dentro do próprio partido, repleto de rivais, e suas ações para resgatar os mais de 300 mil soldados em Dunkirk, que se viam cercados por nazistas.

Joe Wright trabalha para que o seu ator principal ganhe espaço.
Utilizando uma câmera que valoriza cada momento de Oldman em cena, tudo se movimenta a partir das ações do protagonista da história. Isso com ajuda do excelente trabalho de fotografia que faz alusão total ao título no idioma original, onde vemos o conflito entre luz e escuridão em todo tempo no ambiente, que ganha também fumaça, nos levando a sensações claustrofóbicas e densas a medida que diálogos vão acontecendo. Junto a isso, o design de produção reproduz a época com qualidade e exatidão, há detalhes que vão desde móveis a objetos utilizados colocados corretamente. Assim como o figurino, que facilita a imersão na época dos acontecimentos.

Por mais que haja um esforço da direção em não se tornar um filme de apenas um ator, O Destino de Uma Nação não se sustentar quando procura trazer outros momentos em sua história, que soa como condensada e desconexa com algumas coisas que realmente foram registradas na história. Desta forma, o controle de câmera parece sem criatividade, entroncado, para algumas cenas e preso ao roteiro, sem a possibilidade de explanar a história usando de uma ótica diferente.

Mas precisamos falar sobre Gary Oldman.
Antes que pense, a maquiagem é apenas um adendo, empregada com excelência, ela faz forte, incisiva, imponente ainda mais a presença Churchill em tela. Um trunfo de sua brilhante atuação é a forma como torna o líder britânico mais humano, através de suas dúvidas, apreensões e até mesmo em formo de um ato de hesitação, porém desta vez não há nada de estérico, tudo se apresenta graças ao poder, demonstrado ou não através das falas, às vezes apenas pela expressão e olhar de Oldman, que emana da figura histórica que acompanhamos.

O Destino de uma Nação procura percorrer um caminho que já foi traçado com assertividade por diversas produções, entretanto, sem a mesma criatividade ou personalidade na hora de utilizar a câmera. Por mais que fotografia, ambientação, maquiagem, figurino e design realizem seu trabalho com brilhantismo, faltou ao diretor coragem para que sua história se tornasse tão emblemática quando seu protagonista!
Este é o filme do Gary Oldman, é ele quem dita o ritmo, faz com que a narrativa flua e até mesmo, apesar de estar incorporado a outra persona, dirige apenas com suas falas, gestos e olhares. E isso é para poucos. Pois fazer com que uma produção inteira se dobre diante do poder da atuação acontece em momentos raros do cinema, raros, porém incríveis de serem apreciados.
Por mais que o meu gosto pessoal opte por outra pessoa, este Oscar é do Gary Oldman!

Nota: 3,5/5 (Muito Bom)

O Destino de uma Nação concorre a seguintes categorias no Oscar 2018: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Penteados.
Tecnologia do Blogger.