Ads Top

Leitura da vez: Jogador Nº 1

"Três chaves escondidas abrem três portões guardados
 E três boas qualidades deverão ser inerentes ao errante avaliado
Quem demonstrar ter os exigidos predicados
Chegará ao fim, onde prêmio será alcançado"

Viver conectado já é um habito de muitas pessoas atualmente, mas se a gente pudesse ir além, trabalhar, estudar, nos relacionarmos, nos divertirmos simplesmente entrando em um ambiente virtual? Seria incrível? Ou uma dependência do homem pela máquina? Em Jogador Nº 1, Ernest nos apresenta uma visão de mundo onde todos estão ligados a sistema eletrônico que percorre o globo, lá você pode ser quem você quiser, e nesta aventura, também carregada de referências a cultura pop, presenciamos situações tão comuns na realidade quanto no virtual.

Wade Watts é um jovem que vive escapando da dura vida que leva passando horas conectado ao OASIS - um programa que permite aos usuários serem quem quiser quando lá estão. Mas existe algo além de poder ver e fazer várias coisas lá dentro, o criador do sistema, James Halliday, deixou um Easter Egg dentro de sua obra e aquele que encontrar não apenas se tornará o vencedor de uma caçada que já dura um certo tempo, herdará toda a fortuna do falecido bilionário e também o controle do OASIS. E agora Wade encontrou a primeira chave para o tesouro de Halliday e isso lhe trará consequências terríveis.

Ernest Cline demonstra todo o seu amor pela cultura pop nesta sua primeira obra. Referências a heróis dos quadrinhos, filmes famosos dos anos oitenta, vídeo-games estão presentes em todo tempo nas páginas e são parte da vida do protagonista.
A narrativa é fluida, os acontecimentos se desenvolvem a medida que vamos entendendo o que a caçada ao Easter Egg de Halliday passa a se tornar,  mais do que um mero prêmio ao jogador que estiver no topo do ranking. Nisso o autor elabora boas sequências de ação, diálogos que usam e abusam de termos tecnológicos, gerando uma familiaridade, pois os universos apresentados por Cline, pode ser velhos conhecidos de quem lê, joga ou vai ao cinema.

Junto a isso, existe uma crítica forte ao consumismo, a escassez de recursos, a ganância humana e a forma como invertemos valores de certas coisas na vida, como relacionamentos. 
Isso fica nítido quando temos todas as pessoas conectadas e dependentes a um sistema, sendo que pobreza, desigualdade, fome estão ao redor, se tornando cada vez mais fortes. O descaso com o próximo é algo evidente no texto de Cline, tanto que Wade fica parte da trama isolado, obcecado pela caçada dentro do OASIS, ignorando quem está a sua volta. Vida de Facebook, Instagram, Snapchat!

Entretanto a obra acaba exagerando em certos pontos, principalmente quanto aos conhecimentos do protagonista, que se torna praticamente um ser que detém toda a sabedoria sobre tudo, o tornando pedante em diversos momentos, ao mesmo tempo, evidencia ainda mais o velho esteriótipo do nerd, isolado, viciado na vida virtual, sem acrescentar algo de novo. Da mesma forma, certos personagens não ganham o desenvolvimento adequado e as soluções para toda a caçada se tornam rápidas e previsíveis.

Jogador Nº 1 vai além das referências a cultura pop!
Uma aventura cativante, repleta de tecnologia e com um personagem fácil de se identificar, entretanto a forma apressada como as coisas se desenrolam nos capítulos finais e falta de profundidade nas características e personalidades de alguns personagens, fazem da leitura algo como uma montanha-russa de erros e acertos. O importante aqui é a crítica a nossas relações, o tempo que passamos no virtual e até onde a ganância humana pode se estender.
O OASIS é verdadeiramente uma utopia virtual, mas como o próprio Halliday fala a realidade é o único lugar que podemos encontrar felicidade verdadeira, ainda que seja a nossa realidade!

Jogador Nº 1
Ficha Técnica
Autor: Ernest Cline
Editora: Leya
Ano: 2011
Páginas 462
Tecnologia do Blogger.