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Jessica Jones - 2ª Temporada - CRÍTICA

Ela continua com raiva, bebendo e sofrendo com excesso de episódios

Aquela história de "grandes poderes, trazem grandes responsabilidades" vira piada em determinado momento na boca de Jessica Jones. Ela não quer ser uma heroína, já tem problemas demais para ter que lidar com a responsabilidade e a alcunha de salvadora. Entretanto, é praticamente impossível fugir das consequências de determinados atos e talvez a figura de heroica seja um caminho interessante a ser trilhado. E entre um gole e outro, um sexo casual aqui e ali, um novo caso a ser desvendado, temos uma segunda temporada ainda mais pessoal, demonstrando que os perigos internos precisam ser sanados antes daquilo que está a nossa volta.

Jessica continua sua vida como detetive particular, repleta dos mesmos hábitos que já conhecemos, porém as consequências de ter derrotado Killgrave parecem não ter fim. Assim, com a ajuda de Trish e Malcolm, a protagonista se vê entre pistas sobre o seu passado, a empresa que lhe fez experimentos e uma figura que está assassinando quem se aproxima de tais informações.

Dirigida por Anna Foerster, Minkie Spiro, Mairzee Almas, Deborah Chow, Millicent Shelton, Jet Wilkinson, Jennifer Getzinger, Zetna Fuentes, Rosemary Rodriguez, Neasa Hardiman, Jennifer Lynch, Liz Friedlander e Uta Briesewitz, este segundo ano transmite toda carga artística necessária para se contar uma história ainda mais próxima da realidade. Os acontecimentos de Defensores aqui não interessam, Jessica Jones, os dilemas, problemas, traumas e dúvidas são o combustível para que a trama se desenvolva. Isso é demonstrado por uso de câmera assertivo, fotografia que valoriza ambientes, clima e evoca os sentimentos da protagonista. Sendo assim, a narrativa expande não apenas o que já conhecemos da detetive poderosa, mas de quem está a sua volta. Arcos são criados, ainda que não façam relação com a história central, que se fazem interessantes e nos trazem assuntos relevantes para serem discutidos como preconceito racial, de gênero, o papel da mulher em uma sociedade machista. Tornando o que nos é contado mais pessoal, palpável e verossímil.

A continuidade e as consequências do que Killgrave havia feito está por toda parte, e soa como uma grande reação em cadeia. Logo temos uma Jessica ainda mais furiosa e sem controle, uma Trish caindo em seus vícios, Malcolm perdido em suas escolhas e uma Harper vendo sua carreira desmoronar. O roteiro demonstra com clareza a fragilidade do ser humano pautada em decisões erradas e traumas antigos que ainda não foram resolvidos.

Entretanto, todo brilhantismo na construção de uma narrativa mais psicologicamente intimista, se perde nos mesmos erros de sua primeira temporada. Episódios em uma quantidade desnecessária, personagens que somem e reaparecem sem qualquer acréscimo a trama, problemas que se arrastam e são resolvidos rapidamente, exposição diminuta dos poderes da protagonista em pouquíssimas cenas de ação. Este conjunto de falhas prejudica o ritmo da série, podendo gerar no espectador o abandono da mesma, já que se tratando de uma história baseada em super-heróis, o grande público ainda opta por algo tão agressivo quanto as frases de Jessica.

Assim, falando na protagonista, Krysten Ritter demonstra total controle, domínio e conforto ao interpretar a heroína. Seu tom de voz, olhares, trejeitos, vocabulário evocam completamente a tão aclamada série de quadrinhos Alias. E o fato de irmos mais a fundo em seu passado, recebermos maiores explicações do porquê de sua personalidade, torna Jessica mais próxima do público, novamente um acerto do roteiro, que faz dessa a personagem mais completa de todas as séries Marvel/Netflix.

A segunda temporada de Jessica Jones expande a personalidade, passado, dilemas, resolve traumas e tenta vestir a capa de super-heroína em sua protagonista. 
Sem um vilão emblemático, ficamos com os embates internos, refletidos em raiva, frustração, pancadaria pontual, porém é falha ao se delongar em explicações, apressada nas resoluções e excessiva em episódios!
Mas se tem algo que a história da detetive com poderes é certeira, está em se aproximar de seu espectador, justamente por conta de todo turbilhão anárquico que sua vida possa parecer, fazendo da experiência da série um reflexo de diversas situações reais.
Jessica Jones é gente como a gente, que bebe, fica com raiva, explode, porém para e reflete nas responsabilidades. E sejamos sinceros, aquela frase do tio Ben já ficou piegas pra caralho caramba! 
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