Ads Top

Círculo de Fogo: A Revolta - CRÍTICA

Um ícone da cultura pop transformado em mero produto


Pacific Rim foi uma das grandes produções cinematográficas dos últimos dez anos. Não só por sua grandiosidade em sequências ou emprego de CGI, mas porque trazia consigo uma história inspirada em ícones da cultura pop. Pois os robôs gigantes enfrentando monstros terríveis sempre foram, e ainda são, fonte de boas aventuras. Entretanto, "A Revolta" muda a aparência de produção única e cheia de personalidade de seu antecessor, para mais uma franquia que pode ganhar viés mais cômico, divertido, aparentemente preguiçoso no que quer contar e em que seus personagens tem a dizer.
Ainda assim, temos robôs espancando monstros!

Jake Pentecost vive a sombra de seu pai, o famoso Pentecost que lutou contra os terríveis Kaijus e os dizimou da face da Terra. Entretanto, quando seu caminho cruza com o da jovem Amara, ambos se veem recrutados para treinar e controlar os Jaegers, pois a ameça dos monstros gigantes ainda não acabou e seu próximo ataque poderá ter uma escala muito maior do que da última vez.

Steven DeKnight é bem sucedido com uma direção que faz escolhas inusitadas, mas que pontualmente acerta o ritmo da trama. 
Sua utilização de câmera valoriza e acompanha as cenas de ação dando evidência aos detalhes bélicos, carregadas de slow motion. Os movimentos dos robôs se tornaram mais orgânicos, rápidos, assim, a câmera faz o trabalho de percorrer com assertividade a ambientação ao redor. Logo, o design de produção também ganha destaque, pois as novas armas apresentadas e novos layouts de Jaegers ganham evidência em tela, principalmente quando o diretor escolhe realizar montagens onde a imagem vai até o interior da máquina e indo de encontro aos personagens.

Porém, há total descaso com o trabalho realizado por Del Toro na película original!
O senso de grandiosidade, a escala e o peso que era perceptível a medida que um Jaeger se movimentava se perde numa tentativa de emular Transformers em uma história que é muito mais profunda. Assim, falando na narrativa, somos trazidos a arcos que são cercados por objetividade e exposição de informações repetidas vezes. Além de explicar aos personagens determinados fatos, as mesmas informações se tornam frases de efeito em poucos segundos, sejam com os personagens principais ou coadjuvantes. Da mesma forma, a previsibilidade do roteiro e a tentativa de um plot-twist se perdem em uma trama que soa mais como uma cópia barata de Círculo de Fogo de 2013, deixando isso evidente na computação gráfica que diversas vezes é falha.

E o John Boyega?
Carismático e divertido, o ator nos entrega uma atuação abaixo de outros trabalhos que ele já realizou. Por mais que seja nítido o conforto dele com o personagem, o roteiro não facilita qualquer relação de empatia ou perigo que faça verdadeiramente o espectador dar parte de sua importância ao  ranger Jake. Da mesma forma com Cailee Spaeny, que diversas vezes lembra uma outra heroína de franquia, devido ao seu vasto conhecimento, os traumas vividos e a jornada imposta a Amara, não surtem o efeito esperado, deixando sua atuação pontualmente boa. E o Scott Eastwood está lá! É isso!

Círculo de Fogo: A Revolta é mais uma tentativa de Hollywood em mexer em algo que não precisava de uma continuação. Conhecendo bem essas tentativas, que em sua maioria não constroem algo relevante para a possível franquia, há sempre uma diminuição do valor artístico do que foi feito originalmente. Por mais que a direção acerte nas sequências de combate e o protagonista esbanje simpatia, esta sequência da história de Guilhermo Del Toro parece mais uma piada de mal gosto e um insulto as clássicas histórias de robôs enfrentando monstros de outras dimensões.
Por mais que seja incrível ver em tela as máquinas guerreando, sejam entre si ou com criaturas bizarras, o roteiro repleto de piadas mal alocadas, diálogos superficiais e personagens sem camadas, fazem desta uma produção esquecível. Tanto que foi necessário pesquisar para lembrar os nomes que estavam no elenco!
Mas tem robôs lutando né? Darei mais um ponto por evocarem a infância dos desenhos animados.

Nota: 2,5 (Quase lá)
Tecnologia do Blogger.