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Trama Fantasma - CRÍTICA

I, Tonya poderia ter ocupado o lugar deste tranquilamente



Paul Thomas Anderson é um dos nomes mais respeitados e cultuados da sétima arte. Do fantástico Sangue Negro ao polêmico Boogie Nights, o diretor consegue permear caminhos com bastante personalidade e um toque especial em homenagear o cinema. Trama Fantasma não foge ao seu estilo, mas acrescenta uma sofisticação que vai desde a fotografia a trilha sonora, entretanto, ocupa um lugar na principal premiação de 2018 do gênero que poderia ser de outra produção.

Reynolds Woodcock é um exigente estilista que trabalha ao lado da irmã, Cyril vestindo nomes da realeza britânica e sua elite. Para tal trabalho, ele busca inspiração nas mulheres que fazem parte da sua vida, entre términos de relacionamentos e início de outros, ele conhece Alma, uma jovem que irá mudar completamente sua vida por conta de sua personalidade.

O diretor demonstra todo o seu talento na construção de uma narrativa permeada de mistério e nuances a cerca do que cerca a vida de seus personagens. A fotografia evoca clássicos do cinema, deixando o tom acinzentado dominar os ambientes, criando uma atmosfera ainda mais carregada e até mesmo, opressiva, melancólica. A sofisticação dos cenários, figurinos e objetos de cena fazem do design de produção um espetáculo aos olhos, valorizado pelas tomadas que contrastam salões suntuosos, salas de jantar, atelier e grandes escadarias.
Tudo isso alinhado a momentos de diálogo que vão da demonstração de carinho à desagradáveis comentários realizados pelo protagonista, o que faz enaltecer ainda mais as camadas de sua personalidade que aos poucos vai se tornando mais visível e palpável.
Logicamente não poderíamos deixar de ressaltar a trilha sonora que aos toques de piano vai dando ritmo as cenas, agregando ainda mais sentimentos e fazendo com que os mesmo entre em conflito devido a música e a sequência que está em tela.

Entretanto, toda personalidade e pompa demonstrada não sustentam a tal "Trama", há momentos exaustivos, onde nada contribui para o que realmente o diretor queria demonstrar em seu terceiro ato, que carrega uma certa reviravolta, que devido a monotonia de diversas cenas não empolga! Isso faz questionar sua presença e sua relevância como produção de 2017 para concorrer ao Oscar em 2018, pois existem histórias mais interessantes, com um texto atual e discutível, que poderiam estar nas indicações. Pois tudo soa como um grande relacionamento abusivo sofisticado, aristocrático, blasé e esquecível!

O elenco em si entrega atuações fortes e centradas.
Daniel Day‑Lewis, famoso por ser um ator do Método, entrega uma performance incisiva, incômoda e em certo ponto, irritante. Tal qual o seu personagem necessita. A excentricidade, controle e jeito metódico se sobressai graças as expressões, tom de voz e presença do ator. Lesley Manville é imponente, em diversos momentos o seu olhar toma conta de cenas inteiras e os sentimentos ali escondidos, são expelidos de forma incisiva a cada fala. Vicky Krieps faz de sua Alma algo que não pode ser controlado pelo protagonista, sua figura, vai ganhando espaço e um ar quase que espiritual ao redor de Reynolds.

Trama Fantasma é um filme sofisticado, suntuoso, imponente em seu design, trilha sonora e direção. Visualmente é como uma pintura, que você fica os minutos iniciais vidrado, mas que com o passar do tempo, os seus olhos irão procurar outra coisa para dar atenção. Com um ritmo lento, principalmente para que seja valorizado o trabalho dos atores, a película de Paul Thomas Anderson não gera justificativa suficiente para ocupar o lugar que está no Oscar 2018. 
Soa como aquele filme cult que precisava entrar na disputa por simplesmente acharem ele cult.
Pois ao final, não há impacto, não há força, não há lembrança, tornando-se um fantasma fácil de ser expulso.

Nota: 2,5/5 (Quase lá)

Trama Fantasma concorre aos seguintes prêmios no Oscar 2018: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Figurino.
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