Ads Top

Pantera Negra - CRÍTICA

Wakanda Forever!


O mundo precisa de heróis como este!
Poderia finalizar o parágrafo introdutório desta crítica apenas com a frase acima, pois cada vez mais precisamos que as pessoas se identifiquem com o que estão assistindo, principalmente no universo de heróis no cinema.Talvez para alguns isto seja um discurso ridículo, repleto do tão conhecido "Mimimi", carregado de vertente política. Mas o que seria o Pantera Negra da Marvel dos cinemas, se não aquele sobrepuja tudo isso, pois até mesmo o vilão Killmonger fala sobre as mudanças no mundo, tanto as que estão fazendo a humanidade avançar, quanto aquelas que nos geram espanto.
E a Casa das Ideias acerta mais uma vez ao levar isso para as telas!

Com a morte do Rei T'Chaka, seu filho mais velho, T'Challa precisa se preparar para assumir o trono da nação altamente desenvolvida e escondida, Wakanda. Entretanto, um conhecido bandido, que já havia causado atrocidades no país ressurge aliado a uma pessoa que poderá colocar o destino do novo Pantera Negra em risco, assim como seu reinado.

Ryan Coogler já havia se firmado como um grande diretor e aqui mantém o seu status.
A câmera captura bem a movimentação nas sequências de ação, além retratar e reproduzir a imponência que não só Wakanda precisa, mas seus personagens também. A fotografia usada valoriza as cores, tanto dos cenários quanto das ambientações externas e isso em ritmo a um design de produção que vai desde a caracterização das tribos até a tecnologia do país. Desta forma o diretor aproveita para dar sua assinatura em momentos pontuais e assertivos, cria planos sequências que empolgam, realça o combate quando corpo a corpo e intensifica as relações dando espaço para o desenvolvimento de seus personagens. Alinhado a isso temos a trilha sonora de Kedrick Lamar, que impulsiona momentos, emociona, encoraja e arrepia. Sem dúvida uma das melhores no quesito de heróis dos últimos anos.

A narrativa, por mais que use da fórmula Marvel, é, até então, a que mais ganha personalidade para utilização de tal neste universo. As piadas estão lá, mas são sutis, encaixam no momento correto, quando se fazem necessárias. Assim, o desenvolvimento do texto ajuda a descobrirmos camadas de cada um que faz parte do universo do Pantera Negra, personalidades, anseios, motivações, são expostas de forma clara e convincentes. E isso ajuda a potencializar o discurso do filme!
Sim, é uma película que está carregada de representatividade e de uma crítica social forte, questionadora e atual. Impossível não fazer conexões com determinadas situações da sociedade hoje em dia, ou até mesmo de pessoas que ocupam, ou querem ocupar, cargos de governança. 
Ou seja, temos um filme de super-herói que trabalha com inteligência temáticas que precisam sim ser discutidas em diferentes mídias, como preconceito, racismo e xenofobia.

Entretanto o filme do protetor de Wakanda acaba perdendo força quando nos voltamos para os efeitos visuais. É perceptível a falta de proximidade do diretor com tal tecnologia, e o esforço empregado não é suficiente, deixando cenas, como o embate final, soando artificiais, falsas, beirando um amadorismo. Além disso, o destino dado a um determinado antagonista deve causar uma certa tristeza ao publico, pois suas cenas são interessantes, fazendo valer sua permanência no Universo Cinematográfico da Marvel, porém não foi desta forma que ocorreu.

O elenco é grandioso como uma realeza precisa ser.
Chadwick Boseman é imponente, forte, carismático, ao mesmo tempo que revela as incertezas, medos, questionamentos que só alguém que está assumindo uma responsabilidade gigantesca poderia transmitir. Existe uma grandiosidade em torno se sua atuação, que deixaria, e deixa, qualquer outro herói mais carismático Homem de Ferro imperceptível. Michael B. Jordan é sem dúvida o melhor vilão apresentado nesta fase pela Marvel, sua motivação é convincente, o discurso é entendível, em conjunto com uma atuação bem dosada, enérgica e verdadeira. Danai Gurira, como a general das Dora Milaje, é forte, determinada, é perceptível sua lealdade, além de esbanjar carisma e talento nas sequências de luta. Lupita Nyong'o consegue ir do que aparenta ser uma mocinha, para guerreira altamente capacitada, incisiva no que acredita, há sinceridade quando divide a tela com Boseman e os sentimentos precisam ser transmitidos. E Letitia Wright precisa estar nos próximos grandes eventos cinematográficos da Casa das Ideias, pois além de total relação de empatia com sua Shuri, eis um alívio cômico na dose certa, sem caricaturas ou excentricidades.

Pantera Negra eleva o nível das produções do universo Marvel dos cinemas, tanto direção quanto narrativa, demonstram personalidade, força e a capacidade de se discutir assuntos relevantes, sem perder o que queremos ver em tela, o herói. Juntamos isso a um elenco carismático, com boas interpretações, ação bem construída e um senso de humor assertivo!
Logicamente, a película não será apenas lembrada por seus acertos técnicos, escalação correta, tudo aquilo que Wakanda, seu povo, e o seu defensor representam, fazem deste um texto político importante para o nosso dia a dia. Talvez eu não seja, e não sou, a pessoa correta para falar sobre a figura deste herói na tela em consonância a minha história, mas eu fico então com as palavras de outro herói dos quadrinhos: "No dia que todos se limitarem a 'ajudar apenas os seus', não haverá esperanças para nenhum de nós."

Nota: 4,5/5 (Sensacional)



Pantera Negra - CRÍTICA


Reviewed by Will Weber


Nota: 4,5
Tecnologia do Blogger.