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Maze Runner: A Cura Mortal - CRÍTICA

A boa distopia que chegou atrasada na festa

A partir de 2010 Hollywood foi tomada pela onda de distopias adolescentes oriundas da literatura. Era um lance de colocar jovens pra lutar em arenas, enfrentarem alienígenas, se descobrirem com poderes, escolher facções, atirar, saltar, brigar e derrubar um governo totalitário. Logicamente, Maze Runner não fugia desses elementos, entretanto, de todas as outras era o que mais soava como original em alguns quesitos. Assim, chegamos ao desfecho, repleto de ação assertiva, mas sem o texto correto para o momento.

Thomas e seu companheiros precisam resgatar Minho das mãos do CRUEL, pois a organização acredita que o mesmo possua a chave em seu DNA para um soro capaz de finalmente dar fim ao Fulgor. Entretanto para que isso aconteça será necessário invadir um território onde os inimigos do herói são maioria, além da presença de uma ex-aliada que poderá se tornar mais um empecilho para dar fim aos planos terríveis que estão por vir.
 
Wes Ball comprova que sabe fazer da ação seu principal elemento na condução de um filme.
A câmera é ágil, ao mesmo tempo que consegue transpor a ação em primeiro e em segundo plano, acompanhando o movimento dos atores, os saltos, as explosões, a boa coreografia empregada valoriza o trabalho do diretor que entrega ótimas sequências. Todo o momento inicial da película é executado sem exageros, fazendo com que você fique atento a tudo que está acontecendo e esperando a finalização adequada. Da mesma forma, quando há um grande ataque a Última Cidade, a direção da ao espectador a percepção do todo, assim, em qualquer ângulo da tela que seu olhar estiver focado, algo estará acontecendo. Tudo isso utilizando efeitos práticos bem executados e uma computação gráfica convincente, empregada com precisão.

Entretanto A Cura Mortal tem seu grande problema quando saímos da ação!
No momento em que trama precisa desenvolver, as explicações precisam surgir ou até mesmo frases tem de ser proferidas, há uma trava coletiva. Perde-se tempo tentando inserir novos personagens que só tem um objetivo, com diálogos que soam amadores. E para valorizar os ótimos momentos da direção quando precisa dar um ritmo frenético, se esquece de massificar os problemas, intensificar os relacionamentos e tudo beira o descartável, mudando rapidamente de foco. Num instante a prioridade é a cura do Fulgor, como ele está se alastrando, mas do nada: "Thomas? Onde? Cadê? Precisamos pegá-lo"!

E isso se reflete em um elenco que chega ao último filme da trilogia e ainda consegue transparecer, em sua maioria, que não sabe ao certo o que está fazendo.
Dylan O'Brian é um ator de ação, fato. Não peça a ele uma dose de emoção, que não funciona, pois os momentos onde é necessária uma entrega, ela não acontece. Giacarlo Esposito é descartável, passando boa parte da trama sumido. Patricia Clarkson e Aidan Gillen até se esforçam para que o elemento vilanesco apareça, porém lhes falta uma presença verdadeiramente imponente. Rosa Salazar é caricata, cansativa e completa apenas o time para atirar, pilotar e gritar. Mas é em Kaya Scodelario e Thomas Sangster que encontramos salvação para as escalações. A primeira transmite preocupação com os fatos, seja através do tom de voz ou com as expressões, e o segundo rouba todas as cenas em que está com o protagonista, pois sabe o que fazer, dizer, usando bem das emoções e feições.

Maze Runner: A Cura Mortal é aquela distopia boa que chegou atrasada para a festa. 
Certamente se tivesse sido lançada antes de Jogos Vorazes, por exemplo, haveriam mais fãs de Thomas do que de Katniss. Pois o material carrega elementos originais e satisfatórios nos três filmes. Desta forma, o seu desfecho que demonstra ação no seu melhor estilo, acaba perdendo o foco quando a história precisa ser contada. Consegue finalizar o que se propôs? Sim, entretanto o cansaço do espectador não irá sair tão facilmente. E assim corre o grande risco de se tornar esquecível, com seus labirintos, doenças e curas.
Chega de distopias por hoje não é Hollywood? Obrigado!

Nota: 3,5/5 (Muito Bom)
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