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Dirk Gently - O universo de Douglas Adams cancelado pela BBC

Teve amor, mas teve treta também




Todo Nerd que nutre um apreço por astronomia, que se preze, já leu e conhece Douglas Adams, o pai dos mochileiros, rei do humor ácido, criador de universos incríveis, o primeiro de seu nome, Senhor das galáxias distantes, Don’t Panic e não perca a sua toalha, não é mesmo?

Pensando em vocês, aspirantes a astrônomos que por algum motivo não seguiram a carreira, mas que ainda assim, amam essa ciência e também Douglas Adams, falo hoje de Dirk Gently’s Holistic Detective Agency (Gritos de felicidade ao fundo).

Dirk Gently’s Holistic Detective Agency é uma série cômica de sci-fi produzida pela BBC no Estados Unidos e distribuída internacionalmente pelo serviço de streaming Netflix (Conta uma novidade Renata). Com duas temporadas disponíveis, a produção traz ao espectador temas como viagem no tempo, loops temporais, realidades paralelas em outras dimensões e muita, muita ficção bem trabalhada e gostosa de acompanhar. Dirk Gently, nome título da série, é também o nome do personagem principal interpretador por Samuel Barnett (Desparate Romantics, série da BBC), um detetive holístico que acredita que “tudo está conectado”. É um detetive que resolve casos holísticos, desvendando mistérios através de sinais enviados pelo universo, afinal, “Everything is conected” (A frase que mais escutamos durante todos os episódios). Dirk conta com a ajuda de Todd Brotzman, personagem interpretado por Elijah Wood (Nosso eterno Frodo Baggins em Senhor dos Anéis).


Dirk conhece Todd na primeira temporada, quando cai por acaso em seu apartamento. Todd, que era um simples concierge em um hotel, gastando todo seu dinheiro para cuidar de sua irmã Amanda Brotzman (Hannah Marks; Kristin's Christmas Past) que sofre de Pararibulitis (uma doença que causa alucinações), reluta bastante em aceitar o posto de assistente de Dirk Gently, mas acaba descobrindo que não dá pra ir contra as forças do universo. Dirk e Todd estão atrás de pistas de um sequestro em meio a vários acontecimentos caóticos, loops temporais, trocas de corpo e personagens tão caricatos quanto o protagonista, mas é no caos que tudo se conecta e nesse mesmo caos, o espectador se conecta a série. É uma loucura lógica perfeitamente organizada em oito episódios difíceis de não maratonar. 
A segunda temporada por sua vez, nos trás viagens no tempo, um universo paralelo com lutas de tesoura e cabelos cor de rosa, portais para o mundo imaginário de uma criança, e uma loucura organizada muito maior que a da temporada anterior. Destaque aqui, para o desenvolvimento dos personagens que ganham arcos maiores e tornam a série completa de uma forma que é difícil não se apaixonar, pois, apesar da produção levar o nome de Dirk, a série tem espaço de sobra para trabalhar outros personagens, como Bart Curlish (Fiona Dourif; A maldição de Chucky) e Ken (Mpho Koaho; Falling Skies). Dirk e Todd dessa vez estão acompanhados de Farah Black (Jade Eshete) e fugindo da polícia e de uma organização que caça pessoas com “poderes especiais”, e, como já era de se esperar, acabam caindo no meio de um novo caso, obviamente, coisas do universo e suas conexões.



DGHDA tem um formato inovador, carregado de um humor ácido, divertido, que funciona muito bem com aquela essência única que encontramos nas obras de Douglas Adams, e não poderia ser de outra forma já que a série é baseada em livro homônimo do autor, além de trazer várias referências ao Guia do Mochileiro das Galáxias, um grande sucesso de Douglas, conhecido até por quem não gosta tanto assim de astronomia.

A primeira temporada de DGHDA foi sucesso de crítica e audiência nos EUA por motivos óbvios: Nada mais que sensacional para descrever o enredo, o universo e a construção dos personagens e da história. No entanto, a segunda temporada não teve o mesmo alcance (apesar de manter uma boa média de audiência, só que não para os padrões americanos né?). Cada episódio da segunda temporada teve uma média de 250 mil espectadores nos EUA, e isso não foi suficiente para manter o programa no ar e em dezembro de 2017, a BBC anunciou o cancelamento de Dirk, e ficamos com as lágrimas e um portal para mil acontecimentos que, por ora, não veremos tão cedo.

Mas, nem tudo é assim tão simples quanto parece. Recentemente, o criador da série, Max Landis, que também é roteirista de Bright (Outra produção da Netflix com Crítica aqui no nosso site também ME PAGA NETFLIX) foi acusado de assédio sexual, o que poderia ter motivado o cancelamento da parceria entre Netflix e BBC e, consequentemente, o cancelamento dessa produção maravilhosa!

Porém, contudo, entretanto, todavia, em meio a tanta treta e tanta lágrima (na quantidade de caracteres dessa publicação mais ou menos), surge uma campanha criada pelos fãs de Dirk que administram a página Drik Gently Brasil no Facebook: #SaveDirkGently. A campanha que pede que a Netflix assuma a produção da série, conta com abaixo assinado na interwebs, movimentação da página, postagens com a hashtag já citada e uma grande mobilização no serviço de streaming, que consiste basicamente em assistir a série e fazer uma bela avaliação com direito a comentário. Basta dar uma olhadinha pra sacar que não queremos que Dirk vá embora desse jeito, com tantas pontas soltas. #PoxaNetflix

Bom, enquanto a campanha não reverte o caso e enquanto choramos nossas pitangas para que a Netflix assuma esse amor junto com a gente, ficamos com as temporadas completas já disponíveis, com os livros, e claro, torcendo para que Dirk Gently’s Holistic Detective Agency retorne com sua jaqueta amarela, humor ácido e toda sua graciosidade! 

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