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The Post - A Guerra Secreta - CRÍTICA

O jornalismo é ferramenta de quem?

Atualmente se discute a posição política de diversos meios de comunicação. Até mesmo, este site, ao qual você está acompanhando críticas, artigos e matérias, já teve seu momento de ser acusado de ser de esquerda ou direita. Mas qual é o papel verdadeiro do jornalismo? Certamente um profissional da área iria responder com todas as palavras corretas a tal pergunta, no caso de Spielberg eles nos responde com uma história real, onde se coloca muita coisa em risco para que a verdade seja mostrada. Seja ela oriunda de qualquer ponto de vista.

Nos anos 70 o governo americano tinha total influencia sobre o conteúdo publicado pelos jornais da época. Quando Kay Graham (Meryl Streep) e Bren Bradlee (Tom Hanks) encontram em documentos a prova para revelar o envolvimento verdadeiro dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, a equipe do The Washington se vê em uma difícil decisão, publicar ou não as informações, correndo risco de sofrerem com as proibições que outros veículos de comunicação já estavam recebendo.

Steven Spielberg nos entrega um dos seus melhores trabalhos nos últimos anos.
É quase impossível não fazer uma ligação entre esta película e o oscarizado Spotlight. Apesar de contextos diferentes, histórias distintas, o que temos é um thriller que enaltece o jornalismo, trazendo nuances a cerca da busca pela fonte, das informações e as investigações. O diretor nos traz uma sensação de total imersão conforme a câmera percorre os corredores da redação, entra nas salas de reunião, sai acompanhando as reações e expressões dos atores, isso faz com que diálogos ganhem um espaço gigantesco, expressivo, dando valor ao que The Post tem de melhor, o elenco. A fotografia ora com tons azulados e de cinza, nos remetem uma atmosfera da época repleta de segredos e conspirações, tornando as imagens, verdadeiros registros do que a história real apresentou.

Ao mesmo tempo, a trama carregada de elementos também de suspense, faz com que o espectador venha torcer para que as informações estejam no local correto, para que os arquivos sejam divulgados e então fatos possam vir à tona. Paralelamente, temos uma aula de história que reflete totalmente o tempo em que vivemos. 
Entretanto, a produção desliza no excesso de nomes apresentados logo de início, situações e pessoas as quais quer referenciar. Talvez tudo mostrado seja familiar ao povo americano, mas para os demais espectadores, fica aquela sensação de "sorrir e acenar", não que isso seja demonstração da nossa falta de interesse.

Assim, precisamos falar sobre as escalações, principalmente, Meryl Streep e Tom Hanks. 
A grande rainha do cinema, dona de três oscars nos presenteia com uma atuação firme, carregada de emoção, sem remover sua forte presença e autoridade. Em diversos momentos, quando sua personagem está na redação, é impossível não fazer relação com outras de suas melhores atuações, no caso Miranda Priestly. Parece que Meryl tomou um pouco do que a chefe da revista falou e disse, empregando um contexto histórico real desta vez. Já Hanks transmite verdade, segurança e uma presença apaixonada por aquilo que faz, a cada cena que divide com Streep, temos então um espetáculo de atuação, onde os pontos divergentes se unem em diálogos que capturam não apenas a atenção do espectador, mas o filme como um todo.

The Post - A Guerra Secreta é envolvente, empolgante, executado com toda a maestria que somente Spielberg poderia realizar. Ao mesmo tempo coloca em discussão a forma em que as informações devem, ou não, chegar a população, o impacto de algo noticiado, e o compromisso com a verdade acima de tudo. Em tempos onde temos veículos pró e contra governo, o que temos na película é uma verdadeira ode ao jornalismo investigativo, a história como ela deve ser apresentada as pessoas e até onde o que está sendo dito, relatado, transmitido é o que realmente aconteceu.
Acredito então que a maior reflexão ao final seja: O jornalismo é ferramenta de quem?

Nota: 4,5/5 (Sensacional) 

The Post - A Guerra Secreta concorre a duas estatuetas no Oscar 2018: Melhor Filme e Melhor Atriz para Meryl Streep.
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