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Me Chame Pelo Seu Nome - CRÍTICA

Não é um filme somente sobre a descoberta da sexualidade. Vai além disso!


Moonlight, Carol, Milk, De Reprente Califórnia, Queda Livre, poderia listar diversos filmes que trazem a temática LGBT em sua narrativa, alguns se apegam no drama e nas dores vividas por suas personagens, outros evidenciam a paixão que culmina em desfecho avassalador. Tentando fugir dos clichês, mas caindo em um marasmo rítmico, Me Chame Pelo Seu Nome chega aos cinemas demonstrando o amor. Sim, é sobre isso que se trata boa parte da trama!

Verão de 1983, norte da Itália, Elio, vive com os pais em uma propriedade no que aparenta ser mais um período sem nada de interessante para acontecer. Até que Oliver, novo estagiário do pai do garoto, chega, e este acontecimento irá despertar não somente o convívio com alguém estranho, mas sentimentos até então novos para jovem rapaz.

Luca Guadagnino nos apresenta uma direção que valoriza as atuações e faz com que cada diálogo se torne um momento carregado de dramaticidade, repleto de referências culturais e filosóficas. Da mesma forma, usa das ambientações para enaltecer a estação por qual os personagens estão passando, contribuindo assim para que luminosidade quente da fotografia transforme os locais percorridos em belíssimas imagens. Mas não é só de técnica que a produção se fortalece, a narrativa não cai no drama exagerado como muitos romances do gênero cinematográfico. Tudo é exposto não com uma obrigatoriedade para se falar de sexualidade, mas sim, focando na paixão entre duas pessoas, tornando assim a história delicada e sem exageros. O diálogo que encerra a trama entre Elio e seu pai deveria entrar no hall das grandes cenas entre dois personagens do cinema, pois tamanha é a naturalidade, paixão e carinho demonstrado em cada frase que é dita, que fazem deste momento algo emblemático. (Ouso dizer que poderia ser utilizado para contrapor toda e qualquer demagogia homofóbica)


Infelizmente, o mesmo espetáculo que vemos no elenco em cena com suas falas, acaba por perder ritmo com uma edição entroncada, com cortes abruptos, que enfatizam momentos que ocupam um espaço que poderia ser aproveitado de outra forma. Há um excesso de cenas de Oliver saindo de bicicleta, o momento de Elio com sua amiga é extenso, uma cena de porre que nada contribui para o momento que o casal vive, fora uma sequência envolvendo um pêssego que além de causar estranheza, é totalmente nojenta.

Porém a película possui algo valioso demais! Em uma sociedade preocupada com "curas" e formas de tratar o que é diferente do jeito mais maldoso possível, temos uma produção que demonstra que todas as formas de amar são válidas, por mais piegas e clichê que essa frase possa soar. E sim, essas formas de amor existem já há muito tempo. E tudo isso num discurso que serve para alavancar que encontrar a felicidade ao lado alguém é maior do que aquilo que é feito entre quatro paredes.

Me Chame Pelo Seu Nome é um romance simples, delicado, profundo, carregado de diálogos inteligentes que são empregados de forma correta. Entretanto, o filme perde força como um clássico devido a narrativa que se torna cansativa e enfadonha, repleta de arcos desnecessários, arrastando um segundo ato e apressando um romance que deveria ser melhor explorado. Os maiores prejudicados nisso tudo são Elio, Oliver e o espectador. O Casal protagonista acaba por soar artificial em alguns momentos e o espectador custa a encontrar a empatia, quando encontra, o longa acaba.
Entretanto, erros e acertos não desconfiguram o que temos aqui de maior relevância, a expressão do amor no formato mais forte que existe, o verdadeiro.

Nota: 4/5 (Ótimo)
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