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A forma da Água - CRÍTICA

A fábula sobre amar o que é diferente com pretensão de prêmios

O que esperar de Guilhermo Del Toro? Nada menos que o fantástico.
De o Labirinto do Fauno aos Kaijus enfrentando robôs gigantes em cidades, o diretor abre a mente para as impossibilidades que somente o cinema pode transformar em algo possível. E desta vez a história nos revela muito mais do que uma simples paixão que acontece de forma inusitada, ainda que conveniente em sua narrativa e cansativa em certos momentos.

Elisa é uma mulher muda que trabalha numa equipe de limpezas de um laboratório de pesquisas do governo. Porém quando a mesma descobre uma criatura aquática, que serve de experimentos para os cientistas, desperta uma atração pelo estranho ser, ao mesmo tempo que fará o possível para tirá-lo de lá antes que seja sacrificado.

No primeiro parágrafo já exaltei as qualidades do diretor e neste trabalho não é atoa manter as palavras que foram escritas. A câmera se movimenta de forma orgânica, ágil, rápida, ao mesmo tempo que valoriza os ambientes, mostrando o excelente trabalho realizado na construção de cada cenário e os detalhes que lá estão. A paleta de cores vai do azul, verde ao vermelho quando é necessário trazer mais dos sentimentos da protagonista. Ao mesmo tempo, os tons variados das cores citadas, dão aos momentos um toque único e fantasioso, há sempre algo verde em cena nos lembrando da presença da criatura, sem perder o plano de fundo histórico. 

Del Toro satiriza governos, transforma os seus interesses e cria algo cômico onde não deveria existir.
A narrativa faz total alusão ao preconceito que existiu, e existe até hoje, para com aquele que é diferente, seja com Elisa, seja com a criatura. Fica perceptível que o discurso de tratar aquilo que não se entende com violência é claro, expositivo e cruel. 
Em meio as turbulências que a história apresenta, a toda a construção de um romance no melhor conto de fadas que poderia existir. Grande parte disso se deve aos efeitos práticos que compõem o ser aquático, pois o grande trunfo da produção é fazer com que seja possível acreditar que o mesmo é real.

Entretanto a película não é um clássico magistral.
A segunda metade do filme começa a soar cansativa, tentando encaixar, abrir, fechar subtramas que não acrescentam e que acabam por ocupar um espaço que deveria ser de Elisa. Da mesma forma, certas atitudes e acontecimentos tornam-se fáceis e convenientes, sem esforços ou convencimentos de quem está envolvido.

E assim chegamos ao elenco.
Sally Hawkins é o grande nome e a presença forte da produção. Por não falar, ela transmite tudo de forma natural, sejam os gestos, os olhares, as expressões. O nível de atuação tão elevado que todos os seus momentos em tela são arrebatadores. Já Michael Shannon nos transmite um vilão cruel, autoritário, ao mesmo tempo confuso e totalmente retirado de uma fábula, tudo isso cair no caricato e fazendo com que o público vá da antipatia à empatia.

A Forma da Água é uma fabula lindíssima de forma imagética. Valorizada por suas cores e direção que demonstram em todo tempo como contar uma história que consegue ser mágica e real, evoca clássicos da literatura para falar sobre um amor diferente. Apesar de momentos enfadonhos, Guilhermo Del Toro nos apresenta uma obra única, repleta de discursos sociais e políticos, sem perder o toque fantástico que é sua marca.
Talvez nem todos se agradem da película, mas seja essa uma das intenções, já que na própria há pontos de vista diferentes sobre um mesmo ser. 
Enquanto analisamos tudo o que foi assistido, provavelmente o filme já levou mais um prêmio. Será que vai ter comemoração ao som de Carmen Miranda?

Nota: 4/5 (Ótimo)

A Forma da Água concorre a 13 Oscars em 2018: Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Design de Produção, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som e Melhor Ator Coadjuvante.
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