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Dark - CRÍTICA




Dark é o novo sci-fi da netflix, uma produção alemã e bem diferente do que estamos acostumados a ver. Isso pode causar uma estranheza no começo para aqueles que não estão acostumados com a língua e ainda mais por trazer um tema tão complexo narrativamente. Criada por Baran bo Odar e Jantje Friese, a série carrega o propósito de entregar uma obra bem sombria e enigmática.
Na pequena cidade de Winden na Alemanha um rapaz de quinze anos desaparece, semanas depois outro ainda mais jovem também some misteriosamente deixando a pacata cidade em alerta máximo. A partir disso uma teia de segredos e vidas duplas (talvez triplas) começa a se desembolar ou dependendo do seu ponto de vista, se embolar ainda mais.
Não se engane pela premissa dramática dessa série, aqui temos uma trama de viagem temporal bem complexa e densa, nada de descanso para o seu cérebro durante todos  os dez episódios.  Talvez seja até mais interessante não assistir um seguido do outro, pois todos eles carregam muita informação importante para a compreensão da história, talvez um ou outro destoe disso em algum momento.
Einstein acredita que a diferença entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão e Dark vem confirmar esse pensamento. Não importa o quão incansavelmente se tente mudar algo, o tempo é uma roda onde tudo se repete. A simbologia da série é muito interessante, traz conceitos como buraco de minhoca, viagem no tempo, ciclo solar entre outros e tudo isso de uma forma nada mastigada, não é nada semelhante ao que estamos acostumados a ver e talvez por isso, muito interessante.


O trabalho de fotografia e trilha sonora é de longe a melhor coisa que Dark nos oferece a primeira instância. Pode ser até que as músicas dos anos oitenta te remeta a alguma outra série muito famosa, mas qual o sentido da trilha sonora tão antiga de a série se passa em 2019? Trazer elementos que conflitam entre si ajuda a criar uma atmosfera que tudo está errado e precisa ser consertado. Os tons escuros e azulados presentes em toda a série ajuda também a traduzir visualmente o que está acontecendo com essa cidade, desaparecimento, suicídio, traições, experiências científicas macabras, é tudo muito pesado e difícil de digerir.

Não fique também esperando diálogos marcantes, o que marca mesmo são as expressões carregadas do elenco. O próprio silêncio é quase um personagem, angustiante e perturbador, ele consegue sem ser monótono suprir toda a falta de comunicação existente.
O elenco é extraordinário, nenhum foge muito do nível de atuação que a série exige. O destaque fica com Jördis Triebel que faz Katharina, uma mãe que tem que lidar não só com o desaparecimento do filho, mas também a traição do marido e ainda não esquecer que tem outros dois filhos que estão passando por uma adolescência conturbada. Oliver Masucci como Ulrich, que segura muito bem o papel de um pai desesperado que fará qualquer coisa para reencontrar o filho. Louis Hofmann que interpreta Jonas, um garoto assombrado pelo suicídio do pai e que depois de um tempo longe tem que retornar para a cidade e lidar com tudo que aconteceu enquanto ele estava fora.
Contudo que acontece temos uma série muito complexa, cheia de mistérios e que levanta muitas dúvidas porém responde poucas delas. Chegamos ao final com a sensação de incompletude, como se precisássemos de mais um capítulo para entendermos de fato o que está acontecendo. Não que Dark seja ruim, na verdade a série é uma grata surpresa, consistente, madura e muito instigante como um thriller de suspense e mistério deve ser. Se você não se importa em ficar sem resposta e de criar teorias, diria que Dark é uma excelente recomendação.


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