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American Horror Story: Cult - CRÍTICA


Ryan Murphy anunciou no programa do Andy Cohen “Watch What Happens Live” que a sétima temporada de American Horror Story seria sobre as eleições de 2016, na qual Donald Trump foi eleito como 45º presidente dos Estados Unidos. Logo, o imaginário popular já começavam a identificar o tema como a verdadeira história de horror americana. No contexto político atual americano, o liberalismo que estaria se instaurando nos Estados Unidos estaria causando um grande desconforto para a parte conservadora, muitos estudiosos afirmam que a vitória de Trump traduz esse cenário.

Tudo começa na noite de oito de novembro, Donald Trump é eleito presidente dos Estados Unidos. Ally (Sarah Paulson), representa as vitórias alcançadas por um longo governo democrata e que se perpetuaram com a vitória de Hillary Clinton. Ela é uma mulher casada com uma chef de cozinha e juntas criam um filho e administram um restaurante bem sucedido. Sua reação exagerada de extremo desapontamento, mais tarde vai ser explicada e pouco tem haver com suas ideologias democratas.

De outro lado temos Kai (Evan Peters) um jovem completamente reacionário, que enxerga a vitória de Trump como uma oportunidade de espalhar suas ideias distorcidas de destruição do mundo que conhecemos, para um novo mundo utópico. Ele vê naquele momento a oportunidade perfeita para disseminar sua ideologia. Veja bem, ao longo da temporada vemos que ele não compactua dos mesmos pensamentos do presidente, mas enxerga naquele momento uma oportunidade de instaurar o caos naquela comunidade e assim expandir seu poder de liderança e de controle. Ele então decide formar um culto com o objetivo de reunir pessoas que compartilham de seus pensamentos. 

Palhaços, buracos e sangue foram usados durante a divulgação da sétima temporada, esse ponto ajudou a criar muito bem a atmosfera que a série pretendia trazer: o medo. A coulrofobia - medo de palhaços - tripofobia - medo de buracos- são fobias muito comuns e conhecidas e bastante abordadas na cultura pop. A personagem de Sarah Paulson, Ally, é sem dúvidas aquela que mais evidentemente estampa esse sentimento, carrega consigo todas essas fobias o que a torna uma mulher muito questionada pelas pessoas ao seu redor sobre sua própria sanidade o tempo inteiro, o que nos leva a acreditar por alguns momentos que ela realmente está louca.


Se formos analisar o medo do ponto de vista da teoria das emoções, ele pode ser considerado um emoção básica e fundamental, discreta e presente em qualquer ser humano. Enquanto que a ansiedade é uma mistura de emoções, na qual predomina o medo. O medo é responsável por ativar o instinto de sobrevivência e de reação a situações que possam ameaçar a vida.

Kai utiliza artifícios para instaurar o medo e o pânico em Brookfield Heights - onde se passa a série - e assim conseguir que as pessoas reajam a seu favor. Um exemplo claro pode ser a provocação a um grupo de latinos que vivem naquele lugar com o objetivo de ser espancado, assim estimular atitudes xenofóbicas da população local. É dessa forma que ele consegue cada vez mais recrutar membros para o seu culto. 

Ally, é por metade da temporada atormentada por seus medos o que acaba construindo sua personagem com uma mulher dominada e sem nenhuma perspectiva de evolução. 

O próprio Murphy afirma o impacto disso tudo em sua vida:
“Assim, uma coisa que eu experienciei após as últimas eleições foi uma ansiedade crescente na minha vida. Eu realmente comecei a ter problemas de ansiedade sobre tudo. E você pode sentir isso nas notícias, até nesse exato momento, se você for assistir. Estamos à beira de uma guerra nuclear numa semana e então, na próxima semana, nós estamos lidando com algo igualmente extremo”, relatou ele durante a entrevista.

“Então, eu quis usar o crescimento dessa cultura do medo, e o personagem de Sarah Paulson era a minha saída para escrever sobre isso. Ela é cheia de medos. Medo de sangue, de caixões e de palhaços. E o Palhaço Twisty é uma das nossas criaturas mitológicas. Assim podemos falar sobre o medo de palhaços, que particularmente, é uma das coisas que eu sempre fiquei interessado e curioso”, completou Murphy.

Porém, isso foi jogado para o alto quando depois de apenas uma cena no meio da temporada, todas essas fobias desaparecem sem qualquer explicação clara nem subjetiva: um ponto fraco da temporada. Eu diria até que temos duas personagens diferentes.

Cult é a primeira temporada de American Horror Story que não usa em sua narrativa elementos sobrenaturais, como fantasmas e bruxas. Mas isso não significa nem por um momento que foi deixado de lado toda atmosfera macabra e perturbadora que é a própria essência da série. Aliás, o fato da narrativa ser toda construída sob aspectos “reais” e recorrentes faz com que esse tema traga um peso maior para a temporada.


Paulson e Peters estão excelentes em seus papéis, diria até que Peters traz sua melhor interpretação em American Horror Story, um vilão extremamente imprevisível, expressivo e egocêntrico. O resto do elenco deixa a desejar ou não tem destaque o suficiente para mostrar alguma coisa, com exceção de Adina Porter que sustenta muito bem o papel de uma jornalista que transita entre a loucura e a sanidade, mesmo subaproveitada e em alguns momentos até esquecida ela ainda se destaca.

Cult é intensa e carrega uma crítica social muito importante, mas se perde do caminho. Se constrói em cima de plot twists esquecendo alguns outros detalhes importantes. Cheia de potencial desperdiçado, chegamos ao fim de mais uma temporada que nos deixa a sensação que podia ser muito melhor. 
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