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O Matador - CRÍTICA

E o cordel ganha vida, e morte

A literatura de cordel é uma linguagem literária que se caracteriza por narrar uma história em forma de poesia e de rimas. O cordel foi imortalizado no nordeste do Brasil, se tornando uma vertente popular das narrativas dos costumes e cultura da região. Dito isso, a primeira produção brasileira da Netflix se apega em todas as características do gênero literário citado, mas não de sua essência como um todo.

Um homem está passando com os filhos por uma região quando encontram dois estranhos aparentemente querendo lhes fazer mal, porém para se livrar da situação, o rapaz decide então contar a história do maior matador que o sertão conheceu, Cabeleira. A partir disso acompanhamos as façanhas do assassino e das pessoas que viviam naquela região.

O diretor Marcelo Galvão é assertivo no comando da câmera. Valoriza a vastidão e a beleza árida das ambientações. O sertão se torna perigoso, cruel a medida que vamos sendo apresentados aos fatos. Da mesma forma, cores quentes estão presentes na fotografia, que dá ênfase no pensamento de um local inóspito. Além de empregar de maneira funcional o CGI em alguns momentos. O design e o figurino são também um acréscimo a história, ajudando principalmente no contraste entre pobres e abastados. Isso tudo contribuiu para uma percepção de uma região cercada de mistérios e perigos, com uma vivacidade e cultura ímpar.

Entretanto, o roteiro, também de autoria de Galvão, na tentativa de ser um cordel em tela, com rimas que se encaixam, acaba por se perder em vários arcos, que se unem ao final de maneira apressada e abrupta. Fazendo com que personagens, que aparentemente continham camadas a serem exploradas (o filho do francês, por exemplo) sejam "engolidos" em atitudes sem explicação.
Há também sequências onde a película esquece o tom cinematográfico e se torna episódica, tanto em ritmo quanto em qualidade de produção, o que deve causar um certo estranhamento.


O elenco se esforça em reproduzir um sotaque convincente pernambucano, porém é audível que lhes falta maior conhecimento das expressões e entonação fonológica da região. Mas é Diogo Morgado quem merece destaque! Seu personagem, Cabeleira, consegue o crescimento na medida certa, indo da ingenuidade a agressividade, sem cair no caricato, fazendo bom uso do regionalismo em suas falas.

O Matador é um começo criativo, singular, repleto de uma identidade única, para as produções nacionais no serviço de streaming. Apresentando uma cultura e uma forma narrativa que referencia uma literatura um tanto desconhecida por brasileiros, a película consegue contar uma boa trama de vingança, sobrevivência, vida e morte. Este é o nosso sertão!
E se Lampião era o rei
E Maria sua rainha
Fez o sertão quente e vasto o seu coração
Finalizo essa crítica 
Dizendo que o filme então comentado
É muito boa opção
Nota: 3,5 (Muito bom)
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