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Rick and Morty - CRÍTICA

"Ninguém existe de propósito. Ninguém pertence a qualquer lugar. Todo mundo vai morrer... Venha assistir TV"! (Morty, no episódio Rixty Minutes)

Extrapolar os limites do humor e desconstruir aquilo que tanto é prestigiado pela maioria das pessoas é o que alguns desenhos conseguem fazer de vez em quando.
Rick and Morty utiliza dessas ações, aumenta a intensidade das consequências de tais escolhas no roteiro e no desenvolvimento de personagens. Mas o importante de tudo é: Get Shwifty!

Rick é um velho cientista bêbado que possui uma arma capaz de abrir portais entre dimensões, e junto com seu neto Morty, de 14 anos, eles partem entre essas outras realidades em aventuras absurdas que nunca acabam da forma convencional, e isso envolve diferentes sociedades, planetas e criaturas!

Rick and Morty é uma série animada de conteúdo adulto norte-americana capaz de subverter gêneros e realizar referências desconstruindo tudo aquilo que você conhece. Talvez esse modelo não seja original, já que existem Os Simpsons, South Park, Family Guy, que perambulam por esse tipo de conteúdo em seu roteiro. Entretanto, o que temos aqui é total demonstração do Niilismo puro e didaticamente apresentado.

Conforme vamos acompanhando as aventuras desde a primeira temporada (a série finalizou a terceira) percebemos que a despreocupação e o desprendimento de um dos protagonista com todo resto não está apenas em suas falas, as ações comprovam ainda mais sua ideia de que nada é importante!
E neste teor de descompromisso com a vida, existência, valores e até mesmo família, que Rick and Morty promovem jornadas que vão desde subverter religiões, influenciar uma consciência coletiva, transformar o planeta inteiro em seres monstruosos, ter relações sexuais com robôs capazes de procriar ou simplesmente participar da pior forma possível de um casamento em outro planeta.

As piadas, que vão da escatologia ao humor altamente ácido e crítico, são um recurso que contribui ainda mais para o crescimento das histórias absurdas que estamos acompanhando. Os roteiristas não se preocupam em tocar em feridas como o 11 de Setembro, transformando-o em um verbo, ou usar do islamismo como chacota ou referência preconceituosa com relação as mulheres.
A produção não usa do artifício de falar de temáticas polêmicas através de referências, metáforas ou analogias, se é necessário que haja um momento onde temos algo considerado tabu pela sociedade, lá estará!


De tal forma os personagens vão crescendo e apresentando novas camadas conforme as temporadas vão se desenrolando. Rick não é total desprendimento como aparenta, existem ali sentimentos, entretanto suas atitudes, que podemos colocar no patamar de vilanescas, escondem as reais intenções, por mais erradas que possam parecer. Morty, com seus surtos intermináveis e reações que arrancam risada de qualquer um, é quem se desenvolve com mais clareza, indo da admiração e medo pelo avô, a revolta. Summer, que vai ganhando destaque, desconstrói o estereótipo da adolescente de produções similares, dando força aos seus arcos. Beth e Jerry, tanto como casal quanto individualmente funcionam como o pouco do que temos de humano e mundano em toda a história, demonstrando também como um casal que se odeia permanece ligado pelas conveniências da vida.

Rick and Morty é agressivo, violento, descompromissado com o puritanismo, aquém de qualquer normalidade ou moralidade, abusado, conseguindo gerar total desconstrução de valores através de uma crítica direta a uma geração egoísta. A cada episódio, por mais que nos roubem gargalhadas há sempre um sentimento maior, um pensamento além daquilo que estamos vendo, e às vezes, as conclusões que chegamos não são as melhores. Sem medo de tocar em assuntos polêmicos, o desenho quebra barreiras da sanidade e do humor.
E este seja o grande trunfo da série, entre uma cena engraçada ou outra, temos uma reflexão importante e aquilo irá ficar na sua cabeça durante dias e dias.
Porém, seguindo um dos conselhos do Rick: Não Pense nisso!

Nota: 5/5 (F*D@ PR# C*RAL#O)
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