Ads Top

Blade Runner 2049 - CRÍTICA

Denis Villeneuve é o grande nome da ficção científica no cinema atualmente!

Em determinado momento de Blade Runner 2049, a possibilidade de pertencer a algo maior vai de encontro ao protagonista, lhe dando então a capacidade de descobrir o seu verdadeiro lugar em um mundo tão decadente. Talvez essa seja a melhor analogia com a película, que encontra o seu lugar como obra prima de ficção científica além de pertencer a algo muito maior e icônico! 

O Blade Runner replicante K está em uma missão para "aposentar" mais um androide da geração antiga, entretanto, após realizar sua tarefa acaba por descobrir um segredo que poderá colocar em risco tudo aquilo que foi desenvolvido até o momento. Dando início a uma guerra entre humanos e replicantes. Assim, sua investigação o levará a questionar não só sua existência, mas também a revirar suas lembranças, incluindo Rick Deckard.

Denis Villeneuve comprova o seu lugar como grande nome da ficção científica dos últimos tempos no cinema. O diretor honra e utiliza bem o que Ridley Scott criou em 1982, elevando ainda mais a qualidade imagética deste mundo cyberpunk. 
A câmera usa de planos longos e muitas vezes numa única posição, dando oportunidade para que contemplemos tudo o que está no ambiente, mas que principalmente estimule a tensão durante os diálogos. 
Podemos ver então a grandiosidade da cidade futurística, além da decadência aumentada quando somos levados a outros locais além de Los Angeles, o que para olhos mais atentos, será um prato cheio para o deslumbre com o design de produção que não economiza em expandir o que já conhecíamos com cenários que conversam diretamente com aquilo que está sendo contado em tela. 

Da mesma forma, a fotografia nos presenteia com uma modificação no tom das cores a medida que a narrativa se desenrola. Conforme o protagonista vai montando as peças desse novo quebra-cabeça no universo dos replicantes, vamos do azul, cinza e preto, para tons alaranjados, vermelhos, e amarelos, vamos da chuva ininterrupta que expõem a tristeza das vielas da cidade, de um deserto laranja amedrontador, a um prédio envolto em uma incessante neve. 
E toda essa assertividade no que vemos, também se reflete no que ouvimos. A trilha utiliza bem dos metais, instrumentos de corda, tons graves, de igual forma, se apropria do silêncio para estabelecer total ambientação enigmática para história.

O elenco, dirigido com maestria, confirma as suas escolhas. 
Ryan Goslin personifica o replicante Blade Runner, com suas dúvidas, inquietações e pensamentos, corretamente. A figura do protagonista causa total empatia para com o público com o desenvolvimento e resolução de sua história. Ana de Armas, com sua Joi, é quase uma Samantha deste universo, proporcionando não apenas diálogos inteligentes, mas momentos carregados de uma interação palpável. Jared Leto, ainda que com pouco tempo de tela, revela algumas das camadas do seu vilão, abrindo portas para que, se a franquia continuar, se torne cada vez mais ameaçador.

Blade Runner 2049 é uma obra prima que faz de sua narrativa uma jornada imagética notável, expande o universo, estabelece novas direções e perguntas para o público. A continuação que ninguém esperava, ou pediu, se torna então um formidável acréscimo as grandes histórias de ficção científica da sétima arte. 
E se ainda não descobrimos se androides sonham com ovelhas elétricas, é porque apenas Philip K. Dick teria a resposta, já Villeneuve descobre o lugar ideal para sua produção, seu protagonista e para o icônico original. Com direito a mais um origami!

Nota: 5/5 (F*D@ PR# C*RAL#O)
Tecnologia do Blogger.