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A Morte te dá Parabéns - CRÍTICA

Pânico encontra Meninas Malvadas no Feitiço do Tempo

O tempo sempre foi uma questão importante no cinema. Seja entre viagens ou loops temporais, há sempre possibilidade de se contar uma boa história. E no caso de 'A Morte te dá Parabéns', a narrativa  utiliza de boas piadas, atuações e um ânimo novo aos slasher movies que andavam esquecidos. Tudo isso na medida certa!

Tree é uma jovem universitária que acaba presa no mesmo dia toda a vez que acorda. Infelizmente, a estudante revive todos os momentos que antecedem a sua morte, e quando isso acontece, ela desperta para tudo começar novamente. Assim, é necessário descobrir quem é o seu assassino, antes que o dia acabe e Tree morra mais uma vez.

O diretor Christopher Landon nos entrega uma nova experiência do que conhecemos dos filmes de assassino. Entretanto faz isso sem a pretensão de causar mudanças ou transformações drásticas em um subgênero do terror que volta e meia se apega a refilmagens.
Aqui temos uma direção assertiva nos momentos de tensão e comédia. Não existe a necessidade ser gore ou visceral, exagerado nas piadas ou caricato ao extremo, simplesmente a ambientação, a fotografia e o som dão conta de criar uma atmosfera onde sabemos que a protagonista não sobreviverá, ou passará por uma situação cômica.
Assim a direção faz um trabalho exímio a cada despertar de Tree após a morte, a câmera acompanha não somente a jovem, mas também nos entrega a tão famosa "lista de suspeitos" a cada aparição de outro personagem. Da mesma forma que exibe uma montagem divertida, soa muito estranho dizer isso, das mortes da protagonista. (O assassino, que utiliza a máscara de bebê, banca o Ghostface algumas vezes, com quedas, erros nos golpes e movimentos fáceis de se esquivar)

De igual modo a narrativa utiliza bem os elementos de outras produções com a mesma temática, até mesmo citando Feitiço do Tempo. O entendimento do que está acontecendo não vem de uma explicação mirabolante ou de um artifício piegas como procurar na internet, somos introduzidos aos acontecimentos sem um aviso prévio do que possa ser esse loop temporal, mas a fluidez do desenvolvimento da trama e a forma como diverte a cada situação, faz com que fique claro tudo o que esteja acontecendo. E talvez seja esse um dos problemas de 'A Morte te dá Parabéns', que ignora acontecimentos da protagonista, como uma descoberta após exames médicos, ou a obviedade de quem possa a estar perseguindo.

O elenco também se enquadra no que já vimos de outras produções. Sem medo de parodiar ou cair no caricato, temos a líder da irmandade malvada, o cara que esconde sua sexualidade, o nerd que gosta da protagonista, a colega de quarto esquisita, o professor bonitão, a esposa ciumenta. Mas é Jessica Rothe que faz da película algo cativante. Sua Tree é irritantemente má no início, como típica Poderosa liderada por Regina George, porém a medida que os dias passam, as camadas da personalidade da personagem vão surgindo, tanto de seus dramas, quanto dos momentos engraçados que realmente arrancam risadas do público. Ela é a mocinha que queremos realmente salvar!

A Morte te dá Parabéns é uma boa e divertida novidade em um gênero que andava tão apagado e soterrado por continuações, reformulações e filmes com "câmera na mão". A medida que Tree vai tentando entender o que está acontecendo, o espectador embarca literalmente na viagem temporal da trama, envolto a momentos de tensão, mesmo que o final possa ser previsível.
Despretensioso, assertivo no suspense, fazendo rir no que poderia ser difícil, eis um ânimo para os slasher movies e com uma lição importante ao público: Não confie em quem usa crocs!

Nota: 4/5 (Ótimo)
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