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Mãe! - CRÍTICA

A interpretação do filme é individual
A arte é subjetiva! 
Praticamente redundante dizer isso pois todos temos formas diferentes de reagir a algo. 
São resultados diferentes para uma mesma situação. 
Sendo assim, Mãe! fará com que reações diversas aconteçam, sejam boas ou ruins, vão acontecer.

Um casal vive em um casarão no meio do campo. Ela está reconstruindo a casa, ele está em busca de inspiração para um novo poema que quer escrever. Até o dia que um casal de desconhecidos aparece em sua porta, desencadeando uma série de estranhos acontecimentos.

A direção de Aronofsky é brilhante! A câmera está constantemente em close nas expressões da protagonista, uma forma de nos fazer emergir a cada resposta dela para o que ocorre, ao mesmo tempo que se posiciona em ângulos que capturem o todo em cena quando temos mais de um personagem. Há também uma movimentação que acompanha as ações e isso pode até causar uma sensação, para alguns, de que se pode estar assistindo um clichê de filmes de terror. Mas o diretor eleva o nível de tal prática no cinema, a cada corte ele quebra a expectativa do público tornando os acontecimentos inesperados. Não é um filme de terror, não é um filme de suspense!

Tudo é desconfortável, a cada mudança de câmera é perceptível a sensação de invasão vivenciada pela personagem, refletida para o público, graças a quem está comandando a produção.
E para que isso se torne evidente, a fotografia vai se modificando a medida que a história cresce. 
No primeiro ato temos tons pastéis, num misto de sépia, beirando o envelhecido. Logo, tons mais escuros, trazendo um colorido quase lúgubre. E por fim somos entregues a um espetáculo imagético, cortes quentes, fortes, em ritmo ao ápice do momento. 
Da mesma forma a música também traça trajeto semelhante, atingindo seu auge no ato final, com explosões, batidas agressivas e gritos.

A narrativa de Mãe! possui inúmeras referências e alegorias. Biblicamente falando podemos ir do Gênesis ao Apocalipse. Pode se ver o ciclo de criação do artista, a busca por inspiração, os conflitos, a criação de algo, sua exposição e o fim. Também o aspecto de dominação, o homem sobre a mulher, os opostos, o princípio e o fim, a criação e a destruição. Enfim, não cabe a este crítico explicar a trama, ouso dizer que se alguém tenta facilitar o entendimento desta obra, nada entendeu sobre o que é o cinema em si, além de remover toda carga artística da produção.

Produção essa que conta com atuações pontuais e constantes dirigidas de forma exímia.
Jennifer Lawrence é uma figura doce e complexa em tela, perturbada e perturbadora, ora deusa, ora demoníaca. A forma como sua expressão se modifica a cada acontecimento, nos faz sair da apatia pela personagem, para empatia. Javier Bardem é uma presença austera, forte, controladora, há uma atmosfera amedrontadora em seus movimentos e um aspecto maquiavélico, ao mesmo tempo bondoso em seu sorriso. Ed Harris e Michelle Pfeiffer, ainda que pontuais, são um acréscimo formidável ao elenco. Ele, uma figura quase cadavérica e enigmática. Ela, uma presença forte, decidida, é o oposto da protagonista, e consegue, nos poucos momentos em cena, apagar o brilho "oscarizado" de Lawrence.

Mãe! não pode ser descrito ou explanado em um texto. 
Uma obra que vai do bíblico à crítica a sociedade, do que se cria e que se destrói após a entrega a outras pessoas, do belo ao cataclismo perturbador imagético, não pode ser contida em uma crítica. Há camadas ainda inexploradas de uma narrativa que em todo tempo brinca com a percepção do que está acontecendo e do que há de vir. Cabe a cada espectador dar sua interpretação, ainda que não seja uma produção para todos os os públicos, a película demonstra o poder criativo, impactante, desconfortável e agressivo do cinema.
Ah cineastas e suas criações devastadoras!


Nota: 5/5 (F*D@ PR# C*RAL#O)
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